Maioria dos adolescentes já usa banco digital no Espírito Santo
Celular virou a principal porta de entrada para a vida financeira, com interesse crescente por investimentos e empreendedorismo
A maioria dos adolescentes já utiliza bancos digitais, em uma combinação de avanços tecnológicos, mudanças no comportamento de consumo e maior interesse pela educação financeira, segundo especialistas.
Dados do Banco Central mostram que cerca de 9 em cada 10 adolescentes e jovens entre 15 e 24 anos no País estão bancarizados, e mais de 90% desse grupo utiliza instituições financeiras digitais.
Realizar um Pix ou acompanhar o saldo do cartão tornou-se uma extensão natural das atividades de um público que já utiliza o smartphone para praticamente tudo, desde estudar até consumir entretenimento, destacou Ricardo Paixão, presidente do Conselho Regional de Economia do Estado (Corecon-ES).
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“Observamos, ainda, uma mudança na postura das famílias, com muitos pais substituindo a mesada em espécie por transferências para contas digitais, cartões adicionais ou contas vinculadas. Essa alternativa oferece autonomia ao adolescente, permitindo, ao mesmo tempo, que os responsáveis monitorem os gastos”, explicou.
Para Tasso Lugon, CEO da Banestes Asset Management e especialista em inovação, o cenário atual reflete uma combinação de tecnologia e mudança comportamental, onde o celular é praticamente a principal porta de entrada para o mundo financeiro.
Lugon ressaltou que, ao contrário de gerações anteriores, que iniciavam sua vida financeira com cadernetas de poupança físicas, os jovens de hoje já nascem conectados e esperam experiências simples e autonomia para resolver tudo digitalmente.
Ele observa um interesse crescente desse público por temas como investimentos e empreendedorismo, muitas vezes impulsionado por conteúdos em redes sociais, mas alerta que “a tecnologia amplia as oportunidades, mas também exige responsabilidade”.
A facilidade na abertura de contas é favorecida pelo menor custo operacional dessas plataformas, que conseguem se comunicar de forma mais clara e objetiva com o público jovem do que as instituições convencionais, segundo o economista Sebastião Demuner.
“As instituições realizam uma segmentação precisa do mercado, concentrando-se no segmento jovem ao oferecer diferenciais. A estrutura é planejada estrategicamente para alinhar-se às demandas e ao perfil desse público-alvo”, disse o economista.
Autonomia e aprendizado
Sarah do Prado Riva, de 11 anos, e Sofia do Prado Riva, 19 anos, ao lado dos pais Catarina Riva e Julio Riva, na foto, têm conta em banco digital. A introdução das filhas ao universo das contas digitais surgiu de uma necessidade prática de autonomia e aprendizado. Dessa forma, as jovens passaram a gerenciar seus próprios cartões e transações via Pix.
Catarina enfatizou a importância dessa formação desde cedo: “Educando desde criança a saber lidar com o financeiro, o quanto ganha, o quanto gasta, o quanto tem que investir. Isso é muito importante”.
Metas com o dinheiro
O estudante Marco Antonio Alves Puppim Guzzo, 13 anos, medalhista de ouro na Olimpíada Canguru de Matemática, usa também a tecnologia para administrar a mesada. Com auxílio dos pais, Antonio Marcos Guzzo Viana e Marina Alves Francisco Puppim, mantém uma conta para adolescentes onde guarda o dinheiro. Marco Antonio estabelece metas de médio prazo, como a compra do atual celular. “Juntei dinheiro por mais ou menos um ano para comprar”, contou.
Educação financeira pode ser obrigatória nas escolas
O Senado aprovou em julho um projeto de lei que insere educação financeira na grade curricular dos ensinos fundamental e médio.
Por conta de alterações propostas, agora o texto retorna para a Câmara dos Deputados, onde será revalidado pelos deputados federais antes de seguir para sanção presidencial. A proposta estabelece que o ensino será “transversal e integrador” em toda a base curricular.
A educação financeira precisa deixar de ser um assunto eventual e passar a fazer parte da rotina, segundo Tasso Lugon, CEO da Banestes Asset Management e especialista em inovação.
“Os pais podem envolver os filhos em conversas sobre orçamento familiar, planejamento, consumo consciente e importância de poupar. Já as escolas têm um papel essencial ao desenvolver competências relacionadas ao uso responsável do dinheiro e da tecnologia”, afirmou.
A educação financeira é importante porque muitos adolescentes já começam a lidar com dinheiro antes mesmo de entrar no mercado de trabalho, conforme avaliou a professora da escola Crescer PHD, Camila Souza.
“Hoje eles têm acesso a contas digitais, Pix, cartões e aplicativos de banco, então precisam entender que essas ferramentas facilitam a vida, mas também exigem responsabilidade. Quanto mais cedo eles aprendem a planejar, diferenciar necessidade de desejo e pensar nas consequências das escolhas financeiras, mais preparados estarão para a vida adulta”, disse.
Os Números
- 90% de adolescentes e jovens utilizam banco digital
- 9 em cada 10 adolescentes e jovens no País estão bancarizados
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