Indústria negocia venda de alimentos para os europeus
Buaiz já exporta para Panamá e Venezuela, negocia entrada em Portugal e prepara novos produtos para o mercado brasileiro
À frente da diretoria-geral da Buaiz Alimentos entre 2016 e 2023, quando liderou mais de R$ 150 milhões em investimentos para ampliar a capacidade produtiva e expandir a empresa para novos mercados, Eduarda Buaiz agora conduz uma nova etapa de crescimento da indústria capixaba.
Atual presidente do Conselho de Administração e vice-presidente da companhia, ela diz que a empresa iniciou exportações para Panamá e Venezuela e negocia entrada em Portugal, mirando o mercado europeu e a ampliação da presença de produtos capixabas no exterior.
A executiva também antecipa outras mudanças em andamento. A empresa prepara o lançamento de novos produtos nas três principais linhas de atuação — café, farinha de trigo e misturas para bolo — e iniciou um projeto de implantação de inteligência artificial em todo o grupo.
Entre no nosso canal e receba notícias em seu WhatsApp.
Segundo ela, uma consultoria especializada foi contratada para identificar oportunidades de aplicação da tecnologia e capacitar gestores, com o objetivo de otimizar processos e elevar a produtividade da empresa.
A Tribuna — Você assumiu a área de alimentos em 2016 e liderou um grande ciclo de expansão. Como foi esse desafio?
Eduarda Buaiz — Voltei para Vitória em 1999, após estudar Administração na PUC-Rio e trabalhar em outras empresas. Entrei no grupo e, em 2016, assumi a área de alimentos com o desafio de expandir o negócio. Desde então, investimos mais de R$ 150 milhões.
Ampliamos o moinho de trigo, aumentando a produção em 30%, construímos uma nova fábrica de misturas para bolo, um centro de distribuição e, recentemente, adquirimos um terreno para novos silos de armazenamento em Vila Velha.
A construção dos silos representa uma nova etapa dos investimentos?
Sim. Hoje parte do nosso armazenamento é feita em um galpão alugado. Compramos um terreno em Vila Velha e vamos construir silos próprios, ampliando nossa capacidade de armazenagem e dando mais eficiência à operação.
Quais são hoje os principais negócios da Buaiz Alimentos?
Temos três frentes: farinha de trigo, misturas para bolo e café. Na farinha, oferecemos desde a tradicional Regina até linhas gourmet, integral e específicas para pizza e pastel. Nas misturas para bolo já passamos de 17 sabores, incluindo brownie, cookies e a linha cremosa.
Já no café temos o tradicional, o extraforte e a linha Sentidos, produzida com cafés 100% arábica das montanhas capixabas.
O consumidor mudou nos últimos anos?
Mudou muito. Antes, a preocupação era comprar o café mais barato. Hoje o consumidor conhece mais sobre qualidade, sabor e origem, o que impulsionou o consumo de cafés especiais. Ele sabe identificar um café melhor e busca produtos mais refinados.
A farinha Regina atende mais o consumidor final ou o mercado profissional?
Os dois. Existe um consumidor que criou uma memória afetiva com nossos produtos e continua utilizando a farinha nas receitas de família. Ao mesmo tempo, temos uma atuação muito forte junto ao setor de panificação e à indústria.
A maior parte das padarias do Espírito Santo utiliza farinha Regina. Inclusive, criamos, em parceria com o Sindipães, o primeiro curso de panificação do Brasil para formar novos profissionais para esse mercado, que sofre com falta de mão de obra qualificada.
Há intenção de entrar no mercado de produtos prontos?
Neste momento, não. Nossa estratégia é ampliar o portfólio dentro das três linhas em que já atuamos. Todos os anos estudamos novos produtos, novos sabores e melhorias nas embalagens. A inovação faz parte do nosso dia a dia.
E como surgem os novos produtos da Buaiz?
A gente escuta muito nossos parceiros e consumidores. Todos os anos buscamos lançar novidades. Recentemente lançamos um melhorador para panificação. Antes de qualquer produto chegar ao mercado, fazemos muitos testes.
Temos uma padaria na empresa justamente para isso. Eu provo pessoalmente tudo o que vai ser lançado. Nossa equipe também participa e até meus filhos acabam experimentando em casa. Se nós não gostarmos do produto, dificilmente ele fará sucesso com o consumidor.
Hoje a empresa tem mais de 350 colaboradores. Há dificuldade para contratar?
É uma realidade do Brasil inteiro. Nós ainda conseguimos fazer reposições, mas percebemos claramente essa dificuldade. Temos colaboradores com 20, 30 e até 40 anos de empresa. Ao mesmo tempo, vejo empresários deixando de investir porque simplesmente não conseguem contratar profissionais.
Alguns setores sofrem ainda mais, principalmente aqueles que exigem trabalho aos fins de semana ou em horários diferenciados.
Como reter talentos?
Primeiro, criando um ambiente em que as pessoas queiram permanecer. Passamos mais tempo na empresa do que em casa. Por isso investimos muito nas pessoas. Implantamos o GPTW e já fomos reconhecidos cinco vezes entre as melhores empresas para trabalhar no Espírito Santo.
Criamos o Café com a Eduarda, em que converso diretamente com pequenos grupos de colaboradores, lançamos o programa DeBoas, voltado à saúde mental, além da Academia Buaiz Alimentos, que oferece capacitação permanente. Tudo isso fortalece o ambiente e ajuda na retenção dos talentos.
Você visitou, na Suíça, um moinho praticamente sem funcionários, com toda a operação monitorada por computador. O Brasil ainda está distante desse nível de automação ou esse já é o caminho da indústria?
Existe uma questão cultural e outra de investimento, que é muito alto. Na Suíça, há cada vez menos mão de obra disponível. Se o Brasil enfrentar essa mesma escassez, esse pode ser um caminho. Alguns setores já automatizam processos justamente pela dificuldade de contratar profissionais.
Como vice-presidente financeira da Findes, de que maneira você enxerga a situação do Estado hoje? O Espírito Santo mesmo é a bola da vez?
Vejo o Espírito Santo como a bola da vez. Grandes empresas descobriram o potencial do Estado e acabam atraindo novos investidores. Agora, o desafio é formar mão de obra para atender essa demanda. Além disso, segurança, localização e qualidade de vida tornam o Estado muito competitivo.
Perfil
Eduarda Buaiz
- Presidente do Conselho e vice-presidente da Buaiz Alimentos. Vice-presidente financeira da Findes.
- Formação: Graduada em Administração pela PUC-Rio, com especialização em Moagem de Trigo na Suíça.
- Trajetória: entrou no Grupo Buaiz em 1999. Foi diretora Financeira e Administrativa do grupo e diretora-geral da Buaiz Alimentos de 2016 a 2023.
- Família: casada, tem dois filhos. O mais velho cursa Economia.
Curiosidades
Alívio na pressão
Além da rotina empresarial, Eduarda Buaiz encontrou no muay thai uma válvula de escape para o dia a dia. A executiva pratica a modalidade como hobby e diz que ela funciona como exercício e terapia. Em casa, o marido e os filhos brincam perguntando quem ela “mentalizou” durante os golpes.
Melhor investimento
Apaixonada por viagens, Eduarda diz que conhecer o Egito foi uma das experiências mais marcantes da família. A viagem com os filhos virou aula de história ao permitir que eles conhecessem de perto locais estudados na escola. Ela diz que viajar é o melhor investimento que faz, pelas experiências e lembranças.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários