Força-tarefa resgata trabalhadores em situação análoga à escravidão no Recife
Operários vindos do interior de Pernambuco eram submetidos a instalações insalubres, sem saneamento básico e com esgoto a céu aberto
Uma força-tarefa liderada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT/MTE), em conjunto com a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público do Trabalho (MPT), libertou 14 profissionais da construção civil submetidos a condições análogas à escravidão em um alojamento na Imbiribeira, Zona Sul do Recife, nesta terça-feira (4). Naturais de Bom Jardim, no Agreste de Pernambuco, os operários permaneciam na capital durante os dias úteis em instalações que violavam severamente as normas de saúde, segurança e conforto. O enquadramento no artigo 149 do Código Penal resultou na imediata interdição do local e na desocupação das vítimas.
Acomodações precárias e infestação de pragas
No imóvel vistoriado, a fiscalização identificou um cenário crítico de degradação estrutural e sanitária. Os cômodos apresentavam fiação elétrica exposta, infiltrações, ausência de forro na cobertura metálica e móveis totalmente deteriorados, incluindo beliches improvisados sobre tijolos e destruídos por cupins. Sem fornecimento de insumos básicos por parte da empregadora, os operários precisavam custear do próprio bolso itens essenciais como ventiladores, roupas de cama e toalhas. A área externa era tomada por entulho, lixo acumulado e focos de alagamento, o que favorecia a proliferação constante de ratos, baratas e insetos na área de convivência.
Falta de higiene e desrespeito às necessidades básicas
A rotina dos abrigados também era marcada pelo déficit habitacional e pela privação de direitos elementares de higiene e alimentação. Para suprir a carência de pessoal contratado, os próprios trabalhadores se revezavam no cumprimento da limpeza das dependências fora do horário de expediente. Além disso, a estrutura sanitária era manifestamente insuficiente: para todos os ocupantes, existiam apenas dois chuveiros coletivos situados a dezenas de metros dos quartos, obrigando os operários a cruzarem áreas abertas em dias chuvosos ou recorrerem ao terreno externo durante a noite. Nos momentos das refeições, a ausência de mobiliário adequado e o consumo de água não filtrada expunham o grupo a contínuos riscos à saúde.
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