Passageiros enfrentam lotação e trânsito trava vias durante greve de trens em SP
Paralisação afeta centenas de milhares de passageiros, provoca longas filas e congestionamentos
A paralisação dos ferroviários iniciada na madrugada desta terça-feira (4) em São Paulo afeta as linhas 11-coral, 12-safira e 13-jade e passageiros enfrentam superlotação, atrasos e falta de informações na ida ao trabalho.
A categoria protesta contra a concessão das linhas e as falhas apresentadas pela Trivia Trens após a empresa assumir as linhas que eram da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). Os ramais transportam cerca de 785 mil passageiros em dias úteis, segundo dados de junho.
A linhas 11-coral e 12-safira funcionavam parcialmente às 5h47. Já a linha 13-jade estava completamente parada no inicio da manhã. A linha 11-coral opera entre as estações Barra Funda e Guaianases. Na linha 12-safira, os trens circulam entre as estações Brás e Engenheiro Goulart.
O rodízio de veículos na cidade de São Paulo está suspenso por causa da greve. Por volta das 9h, o congestionamento ultrapassava os 1.000 km de filas na cidade, bem superior ao estimado para o horário. Às 10h, chegou a marcar 2.000 km, mas a CET informou que site estava com problema e suspendeu a contagem em tempo real.
Por volta das 4h, quando as estações de trem abrem, muitos passageiros já não conseguiram embarcar. O auxiliar de serviços gerais Marcos Milhones, 36, tentava obter informações sobre a circulação dos trens.
"Cheguei 4h10 e até agora não saiu nenhum trem. Preciso chegar no Brás às 5h40", diz ele.
A estação Itaquera, da linha 3-vermelha do metrô, enfrentava superlotação. As estações abriram mais cedo, às 4h, em operação de contingenciamento. Passageiros do extremo leste chegavam ao local por ônibus do Paese. Grandes filas se formaram antes das catracas.
A empregada doméstica Rosa Ferreira, 50, era uma das passageiras esperando para embarcar no metrô.
"Do jeito que está, é melhor desistir. Já avisei meu patrão que não vou conseguir chegar", disse.
O governo de São Paulo adotou plano de contingência e reforçou transporte sobre trilhos durante a paralisação.
A CPTM acionou o sistema Paese, com 128 ônibus gratuitos, mas a demanda é superior e os passageiros enfrentam longas filas e aperto para embarcar nos coletivos.
Na estação Engenheiro Goulart da linha 12, não havia coletivos com destino a Calmon Viana.
O vigilante Jonathan Lopes Martins, 28, trabalhou durante a noite e a madrugada e tentava chegar à estação Aracaré da linha 12 nesta manhã.
"Vim de Guaianases até aqui para pegar sentido Calmon Viana, mas não tem ônibus para lá ainda. Falaram que está sem prazo. Está indo só até Manuel Feio", afirmou.
Em Ferraz de Vasconcelos, o pedreiro Nivaldo José Barbosa, 69, desistiu de esperar a reabertura do trecho e voltou para a casa na cidade da Grande São Paulo.
"Patrão tem que entender, né? Se não entender, faz o quê? Não tem outro jeito. A gente só explica: ‘não tem como ir hoje", diz.
Do lado de fora da estação, uma enorme fila de passageiros se formou para esperar ônibus do Paese com destino a Itaquera.
Um dos passageiros que esperavam é o operador de loja Gustavo Ribeiro, 20, que trabalha em uma loja de chocolates na avenida Paulista.
"Não tem como desistir. Meu chefe está sabendo, ele também deve estar atrasado", diz.
Procurada por email e mensagem na manhã desta terça, a CPTM não se manifestou a respeito da falta de coletivos.
Quem tentou usar carros de aplicativo, viu o preço disparar em razão da demanda.
A cuidadora Francisca Martins, 53, e a vendedora Rosineide Maria da Silva, 54, se conheceram na fila do Paese, em frente à estação Ferraz de Vasconcelos.
Como os ônibus já chegavam lotados, as duas decidiram dividir a tarifa de R$ 17,50 do Uber até Guaianazes, onde pegariam o trem.
"Vou de Uber mesmo, dar esse jeitinho, porque senão só chego no trabalho amanhã na hora da saída", disse Francisca.
Vias da zona leste, como a Radial Leste, estada do Lajeado Velho e a avenida Dom João Neri, apresentavam congestionamentos entre Itaquera, Guaianazes e Lajeado.
Em frente à estação de Ferraz de Vasconcelos, funcionários de empresas de ônibus explicavam aos passageiros que não havia previsão para a chegada dos veículos do Paese por conta do trânsito congestionado em toda a região.
As linhas
A greve por tempo indeterminado foi decidida nesta segunda (3) em votação no Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil (STEFZCB).
A CPTM e o governo estadual lamentaram a decisão do sindicato, "mesmo após a apresentação de compromissos concretos e da disposição expressa da gestão estadual para avançar nas negociações".
Em nota conjunta, a CPTM e o governo disseram que, em reunião nesta segunda, o Estado reiterou o compromisso com a preservação dos postos de trabalho e com a análise de projetos de lei de interesse da categoria, como a absorção dos empregados por outros órgãos públicos estaduais, a discussão sobre incorporação da Estrada de Ferro Campos do Jordão pela CPTM, e a inclusão dos trabalhadores no Instituto de Iamspe (Assistência Médica ao Servidor Público Estadual).
O TRT (Tribunal Regional do Trabalho) determinou a operação de 80% do efetivo nos horários de pico e de 60% nos demais períodos. Em caso de descumprimento, a multa diária é de R$ 400 mil.
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