Mudança na regra do gás: novas indústrias, mais empregos e investimentos
Nova regra permite leilões diretos e tende a baratear o gás para projetos como siderurgia, fertilizantes e hidrogênio verde
Novas indústrias, investimentos e mais empregos. Esses são alguns dos efeitos positivos para o Espírito Santo com a mudança nas regras do mercado de gás natural.
A medida aprovada nesta semana pelo Conselho Nacional de Política Energética – autorizando a União a realizar leilões de gás natural diretamente para a indústria – deve favorecer a instalação de empreendimentos nos setores de siderurgia, mineração, fertilizantes, vidro, cerâmica e hidrogênio verde, segundo especialistas ouvidos pela reportagem.
Entre eles está o complexo de HBI — sigla para Hot Briqueted Iron, um ferro metálico briquetado, também conhecido como briquete verde — e de hidrogênio verde, planejado pela Vale para Anchieta.
Celso Guerra, subsecretário de Desenvolvimento Regional da Secretaria de Desenvolvimento, salienta que o Estado tem uma vocação industrial muito forte e reúne ativos importantes para atrair novos empreendimentos: logística, portos, infraestrutura, produção de petróleo e gás e uma cadeia industrial diversificada e consolidada.
Para ele, a nova dinâmica do mercado de gás amplia essa oportunidade porque reduzindo o preço como se espera, setores que utilizam o gás ganham competitividade, além de contribuírem para a transição energética.
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“O caso da Vale é emblemático. Um complexo de HBI associado à produção de hidrogênio de baixo carbono pode representar um novo salto de agregação de valor à nossa cadeia mineral. Mas queremos olhar além de um projeto específico. O objetivo é criar condições para que o Espírito Santo atraia uma nova geração de investimentos industriais, com mais tecnologia, produtividade, empregos qualificados e maior valor agregado”.
A gerente de Inteligência e Projetos da Nova ES, Christiane Menezes, destaca que a agência de atração de investimentos do Estado vê oportunidade de acelerar investimentos industriais.
“A possibilidade de venda direta do gás natural ao mercado livre pode ser diferencial para indústrias com grandes necessidades energéticas, especialmente operações industriais nos segmentos siderúrgico, químico, de fertilizantes, cerâmica e vidro”.
Saiba mais
Nova regra
O Conselho Nacional de Política Energética aprovou uma resolução que autoriza a União a realizar leilões de gás natural direto para a indústria. Segundo o Ministério de Minas e Energia as mudanças nas regras de comercialização podem fazer com que o produto seja vendido com uma redução de preço de até 50%.
Impactos no Estado
para o Espírito Santo, essa abertura é ainda mais relevante porque o Estado reúne produção de gás, infraestrutura portuária, atividade mineral e siderúrgica, capacidade logística e empresas que já operam cadeias industriais complexas.
Mas A gerente de Inteligência e Projetos da Nova ES, Christiane Menezes, explica que a nova regra, isoladamente, não assegura a chegada de investimentos. “Ela se torna efetiva dependendo das condições finais de preço, da oferta disponível, da capacidade de transporte e distribuição e da segurança dos contratos de longo prazo. Mas, se esses elementos avançarem, o Espírito Santo certamente ganha competitividade para ampliar operações existentes e novas plantas industriais”.
Empregos
Um estudo elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) para o programa Gás para a Indústria, em 2018, apontava potencial para atrair ao Espírito Santo duas plantas de mineração, uma nova siderúrgica, uma fábrica de vidro, uma planta de fertilizantes nitrogenados e até um empreendimento petroquímico.
A estimativa é a criação de aproximadamente 30 mil empregos durante a fase de implantação das obras e cerca de 6 mil postos permanentes na operação dos empreendimentos, além do efeito multiplicador sobre fornecedores e serviços.
Christiane Menezes
“Existem conversas com empresas e investidores”
À reportagem, a gerente de Inteligência e Projetos da Nova ES, agência de atração de investimentos do Estado, Christiane Menezes, falou sobre a resolução que muda as regras para a comercialização do gás natural pertencente à União.
A Tribuna - Existe estratégia específica para aproveitar a nova política do gás?
Christiane Menezes - A estratégia do Estado já vinha sendo construída antes dessa decisão federal e isso em si, já é um diferencial. Podemos citar o ES Mais Gás, que atua para ampliar a oferta e o consumo de gás natural e biometano como parte da transição para uma economia de menor emissão de carbono.
E ainda temos programas e incentivos relevantes, como o Programa Gerar, o Gerar Hidrogênio, o Plano Estadual de Descarbonização e o Fundo de Descarbonização, que conectam a necessidade de energia a investimentos no setor, gerando infraestrutura para atração de empresas e modernização da base energética.
A Nova ES trabalha dentro desse ambiente, traduzindo essas políticas e vantagens competitivas para eventuais projetos de investimento. E o gás cumpre um papel importante como combustível de transição, permitindo a instalação de processos industriais de menor emissão no curto e médio prazo.
Há negociações com novos empreendimentos?
A Nova ES mantém hoje um pipeline (carteira de projetos) com mais de 60 oportunidades de negócios em diferentes estágios de desenvolvimento, incluindo projetos relacionados à indústria, energia, logística e tecnologia. Parte dessas oportunidades considera diretamente a disponibilidade, o custo e a previsibilidade do fornecimento energético como fatores para a escolha do local de implantação.
Existem conversas em andamento com empresas e investidores, mas os nomes e detalhes dos projetos são preservados em função de acordos de confidencialidade. E as possibilidades que se abrem a partir dessa política do gás amplia os argumentos competitivos do Estado e pode abrir novas conversas, sobretudo com indústrias de base e empreendimentos ligados à descarbonização de cadeias produtivas já presentes no Espírito Santo.
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