Grupo com mais de 100 ex-alunos revive adolescência em encontros no Parque Moscoso
Reuniões de ex-alunos, vizinhos e desconhecidos mostram a busca por conexão fora das telas, do Parque Moscoso ao Village de Itaparica
A escola onde a aposentada Andreza Tovar, 60, estudou, já não existe mais. Ela foi comprada e só a fachada, tombada, resiste. Mas as amizades que criou no Colégio Americano Batista de Vitória, no Parque Moscoso, permaneceram graças a um reencontro presencial realizado em 2015.
Hoje, o grupo faz um encontro por mês, seja num barzinho, festa ou na casa de um deles. Para ela, a sensação é como voltar a ser adolescente, com direito a amores, fofocas e intrigas.
“É uma delícia interagir com eles. Voltamos a ser adolescentes. Saímos para tomar vinho e fazer festa: na laje, junina, natalina. Em alguns lugares, acabamos tendo que limitar a 60 pessoas”, conta a aposentada.
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Andreza explica que o reencontro aconteceu a partir de uma postagem no Facebook, virou um grupo do WhatsApp com mais de 100 pessoas e englobou várias turmas do colégio. “Há gente da década de 70, mas a maioria é de 80”.
O aposentado Boecio Pache de Farias, 69, é um dos que participa. Foi ele quem criou a página do Facebook onde a postagem de reunião foi publicada.
Ele tem uma longa história com a escola. Foi presidente do grêmio e trabalhou por 15 anos nela, inclusive como diretor de esportes.
“Temos um amor muito grande pela escola. Para mim, esses encontros que realizamos são um resgate que temos da adolescência. É um grupo muito festivo e feliz”, diz.
O grupo é eclético. Além dos ex-alunos, reúne ex-diretor de disciplina e até mãe de alunos.
“Temos duas senhoras de idade. Uma delas é a dona Marli, ela tem 91 anos e sempre que está presente nos faz cantar o hino da escola”, diz.
Também fazem parte dos encontros presenciais, entre outros, Tati Doelinge, 59, Marcos Paulino, 62, Claudia Beatriz Miled, 61, Cacá Miled, 67, e Fabiano Garcia, 52.
Pastel e amizades
Faz 40 anos que a influenciadora Magda Versiani, 54, mora no Condomínio Village de Itaparica. Nas quinta-feiras, ela e seus vizinhos se reúnem para conversar em um trailer que vende pastel dentro do condomínio.
Magda conta que esse não é o único encontro presencial do qual participa. “Tem 12 anos que conheci quatro amigas na academia e a gente sempre promove encontros, mesmo não estando mais na mesma academia”, diz.
Jantar entre desconhecidos e bem longe do smartphone
A artista Larissa Godoi, 36, realiza um jantar entre desconhecidos em sua casa em Vitória. É um projeto artístico chamado “Jantar Sensível”. Quando começou, a proposta era trabalhar com comida, logo, descobriu que não era disso que se tratava. “As pessoas estavam sedentas de encontrar pessoas que estão dispostas a esse encontro”, conta Larissa
O jantar convida desconhecidos para conviverem sem a mediação do celular ou de álcool.
“No início pode gerar um certo estranhamento. Mas percebo que as pessoas ficam mais presentes ali no que está acontecendo. Quando entrego um alimento, prestam atenção, embarcam numa conversa sem distração. Não é uma proibição. Mas é um convite para ver o que acontece na ausência, igual era antigamente”, relata.
No geral, a artista conta ter percebido, além de seus jantares, um aumento na busca pelo presencial.
“É muito natural. Quando algo é muito intenso como o digital, sempre vem um movimento contrário”, destaca.
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