Empresas e áreas da economia que mais crescem e criam empregos no ES
Maior crescimento econômico do País foi impulsionado pelo desempenho da indústria, dos serviços e do comércio varejista
Indústria, serviços e varejo impulsionam a economia capixaba, enquanto Comexport, Petrobras, Vale, Brametal, Samarco, GWM, Hapag-Lloyd e outras empresas lideram um ciclo de investimentos e empregos.
Esse movimento ajuda a explicar por que o Espírito Santo teve, entre abril e maio, o maior crescimento da atividade econômica do País (4,4%), segundo o Banco Central.
Segundo o diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Antônio Rocha, o resultado foi puxado principalmente pelos setores de serviços, comércio varejista e produção industrial.
Nos primeiros cinco meses do ano, a indústria abriu 5.884 empregos formais no Estado, destaca o presidente da Federação das Indústrias do Estado (Findes), Paulo Baraona. Até 2031, a Bússola do Investimento do Observatório Findes prevê mais de R$ 100 bilhões em investimentos, quase 60% deles na indústria.
“Quando uma empresa chega ou amplia suas atividades, ela gera negócios reais, empregos, renda e novas oportunidades para toda a cadeia produtiva”, disse Baraona.
Cenário
Já o secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume, lembra que esse cenário aparece no Anuário IEL 200 Maiores e Melhores Empresas no ES, produzido pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL) em parceria com a Findes.
Ele disse que, em sua 29ª edição, o levantamento aponta receita operacional líquida de R$ 219 bilhões entre as 200 maiores companhias, alta de 20% em um ano, com mais de 60 mil empregados.
“No ranking geral, a Comexport assumiu a liderança e registrou o maior avanço do levantamento, com alta de 103,6% na receita líquida. A Petrobras UN-ES manteve-se como a maior indústria do Estado pelo 12º ano consecutivo, e a Vale registrou incremento de 15,1%”.
A Brametal, como cita, foi eleita Melhor Empresa e Melhor Indústria do Estado, enquanto o Sicoob ES lidera o ranking de grupos empresariais, seguido por RDG, Banestes e Águia Branca. A Samarco também figura entre os destaques desse ciclo de expansão.
“A esse conjunto somam-se dois entrantes de peso: a montadora chinesa Great Wall Motor e a armadora alemã Hapag-Lloyd, que chega ao Estado por meio de seu braço de terminais, a Hanseatic Global Terminals”, disse Salume.
Cinco frentes vão puxar a economia até o fim do ano
Para o restante deste ano, cinco frentes tendem a liderar a expansão. A primeira é a de petróleo, gás e pelotização, sustentada pela curva ascendente de produção e pela cadeia de fornecedores associada.
A segunda é a de construção pesada e montagem industrial, concentrada nos canteiros de Ubu, Barra do Riacho e Aracruz.
A terceira é a de logística, transporte e armazenagem, impulsionada pela entrada em operação da primeira fase do porto de Aracruz.
A quarta reúne o comércio e os serviços prestados às famílias, sustentados por renda e ocupação em alta e, a quinta, é a metalmecânica e a cadeia automotiva, com o adensamento de fornecedores em torno da Great Wall Motor.
As projeções foram feitas pelo secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume, com base em dados do Instituto Jones dos Santos Neves (Panorama Econômico e PIB Trimestral), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (PIM-PF, PMC, PMS, PNAD Contínua), Novo Caged/Ministério do Trabalho e Emprego, ANP, Observatório Findes, Anuário IEL 200 Maiores e Melhores Empresas, Sedes e governo do Estado.
“O ambiente de negócios acompanha esse movimento. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) do Espírito Santo alcançou média de 50,2 pontos no quarto trimestre de 2025, acima da linha de confiança e superior à média nacional”, finaliza Salume.
Estado lidera também na indústria
A indústria capixaba segue com destaque nacional este ano. O Espírito Santo lidera o crescimento da produção industrial entre os estados brasileiros em três das quatro bases de comparação da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF).
O resultado, que ainda proporcionou que os números do Estado ficassem muito acima da média nacional, é fruto do bom desempenho da indústria extrativa e tem também a contribuição da metalurgia.
Os dados do IBGE, divulgados recentemente e compilados pelo Observatório Findes, revelam que a produção industrial capixaba cresceu 10,8% em maio deste ano, na comparação com maio de 2025, enquanto a brasileira apenas 0,2%.
Para o advogado tributarista Marco Túlio Ribeiro Fialho, o sucesso do Espírito Santo em atrair investimentos nunca dependeu de um único fator: resultou da combinação entre incentivos fiscais e infraestrutura.
De um lado, como analisa, programas como o Compete-ES e o Invest-ES deram competitividade tributária ao Estado — o Compete Atacadista, em especial, permite carga efetiva de ICMS próxima de 1,1%, o que tornou o capixaba referência nacional em atacado e distribuição.
“De outro, a infraestrutura construída ao longo de décadas: os portos de Vila Velha e de Vitória, a malha logística e a vocação exportadora do Estado. Incentivo fiscal atrai; infraestrutura fixa. Foi essa dobradinha que consolidou cadeias produtivas e diversificou a economia — não por acaso, o Espírito Santo lidera hoje o crescimento da atividade econômica no País, segundo o Banco Central”.
Saiba mais
Setores
Indústria
É o principal motor. Entre janeiro e maio de 2026, a produção industrial capixaba cresceu 21,9%, contra 1,4% da média nacional, e liderou a expansão do País.
O resultado é puxado pela indústria extrativa, que acumula alta de 34,5% no ano, com contribuição relevante da metalurgia.
Petróleo
Está no centro desse movimento, com o Estado de volta à condição de segundo maior produtor nacional e produção de 265,1 mil barris por dia em maio de 2026, crescimento de 47,4% sobre o mesmo mês do ano anterior.
No campo
o café conilon somou 871 mil toneladas em 2025, com alta de 32% sobre o ano anterior. O turismo respondeu por cerca de 166 mil pessoas ocupadas no primeiro trimestre de 2026, e o transporte aéreo registrou o melhor primeiro trimestre de sua série histórica.
Demais setores
Os demais setores acompanharam o ritmo. Os serviços prestados às famílias cresceram 12,2% em volume em 2025. O varejo ampliado fechou aquele ano na 9ª posição nacional, à frente de todas as demais unidades do Sudeste, e cresceu 7,1% em maio de 2026, o segundo maior avanço do País.
Postos de trabalho
Entre janeiro e maio de 2026, o Espírito Santo criou 26.011 postos de trabalho com carteira assinada. Só em maio foram 9.532 vagas, o segundo maior saldo do País. No mês, o Estado registrou o maior crescimento relativo do emprego formal do País, de 1,02%, e acumula no ano a segunda maior alta relativa, de 2,84%.
As vagas estão distribuídas entre os grandes setores. Os serviços lideraram no início do ano, com saldo de 3.730 postos entre janeiro e fevereiro, depois de terem respondido por 8.393 vagas no acumulado de 2025. A indústria somou 2.362 vagas no primeiro bimestre de 2026, e o comércio havia acumulado 5.038 postos em 2025. A agropecuária teve papel decisivo em maio, com 9.183 vagas impulsionadas pela colheita do café.
Fonte: Rogério Salume
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