Histórias Empresariais: ES deve ter nova feira do setor de petróleo e gás
Surgida dentro da Mec Show, a ES Oil & Gas já conta com pavilhão e programação próprios, mas deverá virar evento exclusivo do segmento
O Espírito Santo poderá ganhar mais uma feira exclusiva de petróleo e gás. Hoje realizada dentro da Mec Show, a ES Oil & Gas deverá se tornar um evento independente, com programação e calendário próprios.
A proposta é transformar o evento em feira exclusiva para o segmento, ampliando a programação e a capacidade de reunir empresas, fornecedores e especialistas da cadeia de óleo, gás e energia.
A mudança depende da ampliação do Pavilhão de Carapina, na Serra. Segundo o diretor da Milanez & Milaneze, Marcos Milanez Milaneze, a ES Oil & Gas já ocupa um pavilhão exclusivo na MEC Show, com arena de palestras e participação de empresas como Petrobras, Prio e Technip.
A intenção é que, futuramente, o evento deixe de integrar a feira industrial e passe a ter calendário próprio.
“O projeto é que a gente possa, no futuro, tirar ela da Mec Show e fazer um evento exclusivo para o segmento de petróleo e gás, que é um setor tão importante para a economia e que vai movimentar mais de R$ 38 bilhões nos próximos cinco anos”, afirmou Marcos, em entrevista ao Histórias Empresariais.
Além da MEC Show, a Milanez & Milaneze promove outras quatro grandes feiras. Entre elas estão a Wine South America, no Rio Grande do Sul; a Modal Expo, focada em logística; a Cachoeiro Stone Fair, em Cachoeiro de Itapemirim; e a Marmomac Brazil, feira de mármore e granito que atualmente acontece em São Paulo, após ter sido realizada por anos em Vitória.
Histórias Empresariais — A gente vê muitos investimentos chegando ao Espírito Santo. A infraestrutura para receber grandes eventos acompanha esse crescimento?
Marcos Milanez Milaneze — Não. Hoje o Espírito Santo ainda não tem um espaço adequado para a realização de grandes eventos. Vou dar um exemplo. No Pavilhão de Carapina, para realizar um evento, a gente precisa contratar em torno de 50 fornecedores. Em São Paulo, a gente contrata um único que entrega tudo.
Você chega ao pavilhão, aperta o botão, acende a luz, liga o ar-condicionado e está tudo funcionando. Aqui temos que contratar caminhão para limpar fossa diariamente, empresa para revisar toda a parte elétrica, gerador para suportar a carga de energia dos equipamentos e climatização.
Se chover, ainda existe o risco de goteiras. Isso exige uma estrutura muito maior da nossa equipe.
Então a necessidade de um novo centro de eventos não é apenas por espaço?
Exatamente. Se a gente tiver um equipamento preparado para receber grandes eventos, o Espírito Santo entra definitivamente na rota desse mercado. Existe um estudo mostrando que, para cada R$ 1 investido em uma feira, retornam R$ 10 para a economia local.
O expositor se hospeda em hotel, vai a restaurantes, utiliza transporte, contrata recepcionistas, audiovisual e diversos serviços. O impacto econômico é muito grande. Por isso defendemos tanto esse investimento. A licitação chegou a ocorrer, mas houve uma disputa judicial. Nossa expectativa é que isso seja resolvido o quanto antes.
Hoje a infraestrutura hoteleira atende aos eventos?
Não atende. Na Mec Show os hotéis da Grande Vitória ficam praticamente esgotados. Isso mostra que já estamos no limite. Acreditamos que, com um novo pavilhão, novas redes hoteleiras também passarão a investir no Estado.
Há casos em que essa limitação prejudica o evento?
Sim. Em Cachoeiro de Itapemirim, por exemplo, perdemos parte da visitação internacional porque grandes hotéis fecharam, como o São Carlos e o Cachoeiro Plaza. Hoje precisamos hospedar compradores em Vargem Alta ou Vitória e fazer o transporte diariamente. Para quem vem fazer negócios, isso é cansativo e acaba reduzindo a competitividade do destino.
Mas há muita expectativa com o potencial do Estado?
Muita! A região Sul deve crescer com o novo porto, e Aracruz e Linhares vivem um momento muito forte por causa dos novos investimentos. Já vemos novos restaurantes, empresas e empreendimentos surgindo para atender essa demanda. São regiões com enorme potencial de desenvolvimento.
A Milanez & Milaneze promove eventos de setores muito diferentes. É um desafio?
O segredo é trabalhar com bons parceiros. Nenhum evento é feito de forma isolada. Na Mec Show, por exemplo, temos o Sindifer e o CDMEC. Na Modal Expo, trabalhamos com as principais entidades da logística. No setor de rochas e no de vinhos, é a mesma coisa. As entidades conhecem as necessidades de cada segmento e transformamos essas demandas em relacionamento, conteúdo e negócios.
A taxação anunciada pelos EUA mudou a estratégia das empresas nos eventos?
Não. Pelo contrário. As empresas entenderam que precisam diversificar mercados. Participar de feiras é justamente uma forma de encontrar compradores de outros países.
Na Marmomac Brasil recebemos compradores de mais de 70 países e percebemos que, diante desse cenário, muitas empresas decidiram investir ainda mais na prospecção de novos mercados.
Há possíveis novos eventos?
Sempre. O Grupo Veronafiere realiza uma grande feira agrícola na Itália e entendemos que existe espaço para um evento desse porte no Brasil. No Espírito Santo, também há setores fortes, como café e frutas, que podem abrir oportunidades. Estamos sempre olhando para os segmentos que apresentam potencial de crescimento. E temos um projeto para a ES Oil & Gas...
Opa. Conte mais!
Hoje ela acontece dentro da Mec Show, em um pavilhão próprio, com arena exclusiva de debates. O nosso projeto é que, no futuro, ela se torne uma feira exclusiva de petróleo e gás. Quando tivermos um novo pavilhão, queremos dar a esse segmento um evento totalmente dedicado a ele.
Há muitas empresas do setor metalmecânico capixaba que têm uma oferta diferenciada de produtos e serviços, com destaque internacional, certo?
Sim. Um exemplo é a Fluid Controls, de Bairro de Fátima (na Serra) que desenvolveu uma tecnologia de válvulas industriais utilizada por grandes empresas e exportada para outros estados e países.
Podemos citar também a Imetame, que começou pequena e se transformou em um grande grupo. Além disso, praticamente toda planta de celulose do Brasil conta com fornecedores capixabas. Isso mostra a força e a capacidade da indústria do Estado.
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