Mais de 4.700 feridos nas rodovias federais do Estado
Número foi registrado entre janeiro de 2025 e junho deste ano. Muitos sobreviventes precisam enfrentar um longo período de reabilitação
Mais de 4.700 pessoas ficaram feridas em acidentes nas rodovias federais que cortam o Espírito Santo entre janeiro de 2025 e junho deste ano. Apesar da redução no número de acidentes nos primeiros meses de 2026, a gravidade das ocorrências continua elevada, principalmente entre motociclistas.
Para especialistas, as consequências vão muito além dos números: muitos sobreviventes convivem com sequelas permanentes e enfrentam um longo processo de reabilitação.
Um balanço realizado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) aponta que, no ano passado, foram registrados 2.602 acidentes de trânsito nas rodovias federais do Estado. Ao todo, 161 pessoas morreram e 3.247 ficaram feridas.
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Já neste ano, entre janeiro e junho, foram registrados 1.157 acidentes, com um total de 79 mortes e 1.474 feridos. Considerando o mesmo período do ano passado, houve queda de acidentes e de feridos, mas o número de mortes se manteve o mesmo.
O balanço, divulgado ontem no dia Nacional do Motociclista, ainda aponta que os acidentes envolvendo motos reduziram de 724, no primeiro semestre de 2025, para 653, em 2026. Entretanto, o número de motociclistas mortos aumentou de 38 para 41 vítimas, demonstrando a elevada letalidade.
Os dados também revelam que a maior incidência de sinistros ocorre entre condutores de 18 a 29 anos, especialmente aqueles com até cinco anos de habilitação – grupo que reúne fatores como menor experiência e maior exposição a comportamentos de risco.
A agente da PRF Ana Carolina Cavalcanti afirmou que a redução no número de acidentes demonstra que as ações de fiscalização e conscientização vêm contribuindo para um trânsito mais seguro.
“No entanto, o fato de o número de mortes ter permanecido em 79 vítimas indica que os acidentes que continuam ocorrendo seguem apresentando elevada gravidade”, afirmou.
Entre as infrações observadas, ela destaca que o excesso de velocidade é o fator que mais contribui para a ocorrência de sinistros graves.
“Além de reduzir o tempo de reação do condutor, a velocidade elevada aumenta a distância de frenagem e a energia do impacto em caso de colisão, tornando as consequências muito mais severas. No caso dos motociclistas, esse risco é ainda maior, já que eles não contam com a mesma estrutura de proteção existente nos automóveis”.
“Minha vida parou”
Uma recepcionista de 40 anos contou que sofreu um acidente em dezembro do ano passado, mas até hoje ainda tem sequelas graves. Ela relata que foi atingida por um carro que fazia uma conversão proibida, na região de Maruípe, em Vitória.
“Foram 70 dias internada. Meu fêmur 'subiu' e provocou uma fratura na bacia. Agora, após um período de fisioterapia, é que consigo levantar, com a ajuda de um andador. Minha vida parou completamente por causa disso”.
“Muitos têm de reaprender a andar”
Sobreviver a um acidente de moto nem sempre significa retomar a vida de onde ela parou. Para muitos motociclistas, o caminho de volta à rotina passa por meses de cirurgias, fisioterapia e reabilitação. Em casos mais graves, é preciso reaprender a andar.
Segundo o ortopedista e traumatologista Jefferson Coelho de Leo, as sequelas podem permanecer por toda a vida, mesmo após a consolidação das fraturas.
“O acidente de moto é um trauma de alta energia. As fraturas se concentram nos membros inferiores, que correspondem a cerca de 60% dos casos. As mais comuns envolvem tíbia e fíbula”.
Ele destacou que as sequelas dependem da intensidade do trauma, da região atingida e do comprometimento das articulações, dos músculos, vasos e nervos. “As mais frequentes são dor persistente, rigidez articular, perda de movimento, redução da força muscular e dificuldade para caminhar”.
No Centro de Reabilitação Física do Espírito Santo (Crefes), a maioria dos pacientes que chega após acidentes com motocicletas é formada por homens entre 20 e 40 anos, segundo o ortopedista Fernando Furtado Lázaro.
Ele explica que, mesmo em colisões de menor gravidade, a falta de proteção faz com que o motociclista absorva todo o impacto da queda. “Acidentes a 30 ou 40 km/h já podem causar fraturas, inclusive expostas, além de escoriações que exigem reabilitação”.
Mais mortes fora da Grande Vitória
Embora a Região Metropolitana concentre quase a metade da população capixaba, quase oito em cada 10 motociclistas mortos no trânsito neste ano perderam a vida fora da Grande Vitória.
Segundo dados do Observatório de Segurança Pública, dos 282 motociclistas mortos este ano, apenas 61 morreram na Grande Vitória, o que representa 22%.
Para o gerente de Fiscalização de Trânsito do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-ES), Jederson Lobato, os números evidenciam que comportamentos de risco ainda persistem fora da Região Metropolitana.
“No interior ainda existe um aspecto cultural muito forte de achar que não precisa tirar carteira, que não precisa usar capacete ou que é possível beber e dirigir em pequenos deslocamentos”, afirmou.
Além do excesso de velocidade e da combinação entre álcool e direção, o Detran aponta a popularização da prática do “grau” como um comportamento que preocupa.
Para tentar reduzir os índices, o Detran informou que intensificou as operações de fiscalização no interior, em parceria com a Polícia Militar.
O chefe da Subseção de Comunicação Social do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), 1º Tenente Lucas Gabriel Lourenço, enfatizou que durante fiscalizações são observados ainda muitos motociclistas utilizando esse veículo como meio de transporte sem ter a devida habilitação.
“Somente este ano, mais de 1.200 inabilitados foram flagrados conduzindo motocicleta. Veículos em mau estado de conservação também são observados. É comum encontrar veículos circulando sem possuir as condições mínimas de segurança”.
Acidentes em rodovias federais no ES
Este ano (janeiro a junho)
- Acidentes: 1.157
- Mortes: 79
- Feridos: 1.474
- Motociclistas mortos: 41
2025 (janeiro a junho)
- Acidentes: 1.283
- Mortes: 79
- Feridos: 1.626
- Motociclistas mortos: 38
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