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TRIBUNA DA BOLA

O retrato de um Sport que parece perdido na Série B 2026

Desempenho fraco em campo, mesmo com mudanças de comando técnico, alimentam a descrença da torcida rubro-negra na Segundona

Rafael Araujo | 28/07/2026, 12:50 h | Atualizado em 28/07/2026, 12:49
Tribuna da bola

Rafael Araújo

Rafael Araújo é formado em jornalismo pela Uninassau Recife. Atua como repórter e colunista de esportes no portal Tribuna Online. É também produtor do Jogo Aberto Pernambuco da Tv Tribuna PE / Band.


          Imagem ilustrativa da imagem O retrato de um Sport que parece perdido na Série B 2026
|  Foto: Reprodução Internet

O Sport, mais uma vez, decepcionou sua torcida. Em plena noite de uma segunda-feira, mais de 13 mil torcedores compareceram ao Estádio da Ilha do Retiro para apoiar o clube, alimentando a expectativa de uma vitória rubro-negra. No entanto, pela nona vez consecutiva na Série B de 2026, esse triunfo não veio e o Sport ficou apenas no 1 a 1 com o limitado time do Cuiabá. Com isso, o canto de apoio das arquibancadas transformou-se em vaias, frustração e fortes cobranças por mudanças no elenco, treinador e até mesmo no departamento de futebol.

FRACO RENDIMENTO E FALTA DE IDENTIDADE EM CAMPO

Em campo, o Sport apresentou um futebol que apenas alimenta a descrença do torcedor em relação a dias melhores na competição. Uma coisa é não vencer jogando bem, demonstrando capacidade e perdendo pontos por detalhes inexplicáveis do futebol; outra, totalmente diferente, é apresentar um rendimento fraco, marcado por falhas individuais grotescas como no gol de empate do Cuiabá. Um cenário de mescla desorganização, falta de criatividade e qualidade.

O Sport sob o comando de Gilmar Dal Pozzo — com todo o respeito que sua trajetória profissional merece — consegue ser, ao meu ver, pior do que a equipe do contestado Márcio Goiano. Com o ex-treinador, o time (que por sinal é o mesmo) iniciou a sequência negativa, mas chegou a apresentar bons e competitivos jogos. Agora, o que vemos é um processo de desconstrução e queda de rendimento e não de evolução. 

O cenário, contudo, era previsível. Ao trocar o comando técnico, é natural que o novo treinador tente implementar seu estilo de jogo; o problema é que essa nova filosofia ainda não deu as caras — e se deu, ainda não convenceu. Nos primeiros cinco jogos com Gilmar Dal Pozzo, o Sport somou quatro empates e um derrota,  acumulando apenas 4 dos 15 pontos possíveis. Trata-se de um aproveitamento típico de equipe que está na zona de rebaixamento, e não de um postulante ao acesso.

HÁ CONVICAÇÃO NO TRABALHO QUE ESTÁ SENDO REALIZADO NO FUTEBOL DO SPORT ?

Por falar em acesso, após o empate fora de casa contra o Goiás, o treinador rubro-negro afirmou confiar no trabalho em andamento e manteve o discurso otimista em relação ao objetivo ao término da temporada. Sei que ele entende que o compromisso do Sport, apesar dos pesares, é retornar à primeira divisão. No entanto, quem almeja subir não pode praticar o futebol que o Sport vem apresentando, tampouco desperdiçar tantos pontos — especialmente dentro de casa.

Entretanto, a crítica não se limita a Dal Pozzo. Ele talvez seja o menos culpado nesse cenário, assim como era Márcio Goiano e Roger Silva. Afinal, treinadores são contratados por uma diretoria que assina os contratos e acredita que os profissionais escolhidos são os melhores para o projeto. Ítalo Rodrigues, executivo de futebol do Sport, vem sendo severamente criticado pela torcida pela montagem do elenco. Até o momento, a versão 2026 do Leão da Ilha não engatou uma sequência convincente de atuações que leve confiança às arquibancadas. Nem o titulo pernambucano foi tão comemorado, sejamos sinceros. 

Resta saber se um trabalho realizado com convicção ao longo de sete meses comporta tantas mudanças na comissão técnica. Faltam argumentos e, acima de tudo, faltam resultados. Apesar de jovem, Ítalo possui passagens por clubes tradicionais como Vitória, Náutico e Criciúma — credenciais que o trouxeram para liderar essa fase de reconstrução de um clube repleto de dividas herdadas pela gestão passada como o Sport. Contudo, até agora na Ilha do Retiro, parece as decisões tem sido pouco assertivas. Mas também sejamos justos, fazer um time competitivo com pouco recurso não é uma tarefa simples, porém também não pode ser desculpa para o insucesso se vier a ocorrer no final da temporada.

NESSAS HORAS, O PRESIDENTE PRECISA FALAR COM O TORCEDOR

Outro ponto que merece atenção urgente é a postura do presidente Matheus Souto Maior, que precisa vir a público de forma mais contundente. Não se trata de conceder entrevistas pontuais,  mas fica a sugestão ao mandatário de convocar uma entrevista coletiva — a exemplo do que fez Bruno Becker no Náutico — para apresentar um balanço do futebol neste primeiro semestre e detalhar o planejamento em andamento. 

O torcedor merece esclarecimentos sobre as razões pelas quais um clube da grandeza do Sport está há dois meses sem vencer, bem como quais medidas estão sendo tomadas para reverter esse quadro. O clube avançou consideravelmente em aspectos de comunicação e transparência — avanços que merecem elogios na nova gestão.

PERGUNTAS QUE PRECISAM DE RESPOSTAS

Diante do atual cenário, permanecem questionamentos que precisam de respostas

Qual é, de fato, o objetivo do Sport nesta Série B?

A equipe, que já liderou a competição e agora amarga quase dez jogos de jejum, terá forças para reagir e realizar um segundo turno sólido?

A direção do Sport compartilha da mesma convicção de Dal Pozzo de que o trabalho atual está sendo bem feito?

O departamento de futebol está acertando na montagem do elenco? Se sim, quais números e resultados poderiam apresentar hoje à torcida?

Bom, por fim... Espero, enquanto cronista esportivo, que o Sport, verdadeiramente, consiga se comportar como grande dentro das quatro linhas, pois só assim vai chegar ao objetivo principal ao término da temporada. 

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Rafael Araújo é formado em jornalismo pela Uninassau Recife. Atua como repórter e colunista de esportes no portal Tribuna Online. É também produtor do Jogo Aberto Pernambuco da Tv Tribuna PE / Band.

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Na coluna Tribuna da Bola você encontrará muita informação e sempre com o olhar crítico do jornalista e cronista esportivo Rafael Araújo. O futebol é muito mais que bola na rede ou dois times em campo. Tem paixão, histórias marcantes, negociações milionárias e até mesmo política nos bastidores. E por ser tão amplo, o Tribuna da Bola não poderia ser diferente. Falamos de tudo que envolve esse esporte absurdamente apaixonante.