Resiliência no campo: da seca à autonomia energética
Depois de perder tudo para a estiagem, casal de agricultores encontrou na parceria com o Sicredi o caminho para recomeçar
Aldaécio José Bargamini sempre trabalhou a terra. Antes de ter propriedade própria, ele e a esposa, Josilene Bergamini, atuavam como meeiros em uma fazenda em Sooretama, Norte do Espírito Santo. Foi ali, desde cedo, que os dois construíram a base do que viriam a ter depois.
"Tenho ótimas lembranças da vida na roça, principalmente na infância, como a liberdade e a simplicidade. O campo para mim representa tudo, pois desde pequeno fomos criados nele e é onde vivemos, produzimos e onde pude ver minhas filhas crescerem", lembra Bergamini.
Seca de quatro anos destruiu a produção da família
Em 2010, o casal adquiriu a propriedade onde vive até hoje. Os primeiros anos foram de dificuldade e ajuste, até que a lavoura ficou estruturada.
"Nós deixamos de ser meeiros e começamos a trabalhar para nós mesmos, então quando olhamos para trás, ficamos muito felizes pelo grande passo que demos nas nossas vidas", explica Bergamini.
Mas, a partir de 2014, chegou uma seca que destruiu as lavouras da família. A estiagem se estendeu por quatro anos, até 2018, e nesse período os Bergamini perderam toda a produção.
"Nunca pensamos em desistir apesar das dificuldades, pois era o nosso sonho ter o nosso próprio terreno. Quando temos problemas, devemos encarar eles e não desanimar, pois se isso acontecer, nunca vamos superá-los", afirma Bergamini.
Ele complementa com o maior aprendizado na vida da agricultura:
"Nem sempre conseguimos ter uma boa produção, pois depende do clima, temperatura, água, entre outros diversos fatores. Temos que estar sempre preparados para as adversidades da vida", diz Bergamini.
Parceria com o Sicredi permitiu reorganizar a propriedade
Entre 2022 e 2023, surgiu a oportunidade de estruturar uma parceria com o Sicredi, movimento que permitiu reorganizar definitivamente a lavoura.
"Muita coisa mudou depois dessa parceria. Nós conseguimos recomeçar e estruturar a nossa propriedade. O Sicredi foi uma grande força para isso", conta Bergamini.
Um dos investimentos centrais dessa fase foi a energia: diante do alto custo de manter a propriedade, o casal instalou placas solares e passou a gerar a própria energia.
"O impacto da energia própria é muito considerável, pois nós tínhamos a energia como um custo muito alto. Após a instalação, começamos a nos preocupar mais com a produção do que com o gasto de energia", relata Bergamini.
Propriedade hoje produz café, pimenta e maracujá
Hoje, a propriedade produz café — o carro-chefe —, além de pimenta, maracujá, frutas e verduras em geral.
"A família trabalha junto todos os dias, sempre unida, planejando o dia a dia e lutando para que as coisas deem certo sempre. Uma das nossas maiores conquistas, depois da energia solar, é a água na propriedade, pois nós não tínhamos. Desde o ano passado, conquistamos a nossa própria água. O nosso próximo objetivo é adquirir um trator para ajudar na produção", conclui Bergamini.
Sicredi amplia recursos para o Plano Safra 2026/2027
O Sicredi vai disponibilizar R$ 72,1 bilhões, em cerca de 340 mil operações, aos produtores rurais no Plano Safra 2026/2027 — aumento de 4,4% em relação ao ciclo anterior, quando foram concedidos R$ 69 bilhões em mais de 320 mil operações. Com carteira de crédito agro de R$ 121 bilhões, o Sicredi segue como a instituição financeira privada que mais concede crédito rural no País.
Do total previsto para o novo ciclo, a expectativa da cooperativa é liberar:
- R$ 27,6 bilhões para custeio;
- R$ 15,4 bilhões para investimentos;
- R$ 2 bilhões para comercialização e industrialização.
A cooperativa prevê ainda R$ 18 bilhões via Cédulas de Produto Rural (CPR) e R$ 9 bilhões em linhas dolarizadas, voltadas a produtores ligados à cadeia de exportação.
Pequenos e médios produtores concentram 88% das operações
"Seguimos ao lado dos pequenos e médios produtores rurais, que são a base do campo. A maior parte dos recursos será destinada para fortalecer quem produz e movimenta a economia local, tanto em Minas quanto no Brasil. Para a agricultura familiar, serão R$ 13,3 bilhões, e para os produtores de médio porte, R$ 14,6 bilhões. Juntos, eles representam 88% das operações previstas", afirma o diretor-executivo da Central Sicredi Sul/Sudeste, Leandro Gindri de Lima.
No ano-safra 2025/2026, o Sicredi liberou volume recorde de financiamento: R$ 69 bilhões em mais de 320 mil operações, incluindo R$ 16,9 bilhões em CPR. Pequenos e médios produtores concentraram 88% das operações. Mesmo em cenário macroeconômico desafiador, a instituição manteve forte relevância no crédito rural, com R$ 18,7 bilhões em investimento, R$ 25,6 bilhões em custeio e R$ 2 bilhões em industrialização e comercialização.
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