Incêndios na Europa obrigam mais de 300 mil pessoas a deixarem suas casas
Evacuações em massa, feridos entre bombeiros e destruição recorde mobilizam forças de ambos os países e ajuda internacional
Autoridades da França e da Espanha emitiram novas ordens de evacuação, elevando para mais de 300 mil o número total de pessoas que precisaram deixar suas casas por causa dos incêndios florestais que atingem o país.
Pelo menos 68 bombeiros ficaram feridos enquanto combatiam as chamas na França. Segundo a CNN, na região francesa de Gironde, 55 mil pessoas foram tiradas de casa nos arredores de Bordeaux, elevando para mais de 220 mil o total de deslocados.
Quase 98 mil hectares já foram consumidos pelas chamas, um "recorde histórico", segundo o ministro do Interior francês, Laurent Nunez. Pelo menos 140 edifícios já foram destruídos na região de Gironde.
"Saí sem nenhuma das minhas coisas, sem nada, com as duas crianças pequenas", relatou Bernadette, 71, após abandonar sua casa no litoral durante a madrugada com os netos. Ela falou de um centro de convenções em Bordeaux transformado em abrigo emergencial. "Esqueci muitas coisas, meus remédios para os olhos, tudo." O espaço tem capacidade para receber até 10 mil pessoas.
As Forças Armadas francesas foram mobilizadas para auxiliar os bombeiros. Na tarde de ontem, um avião militar de transporte A400M, o maior da frota do país, participou das operações, lançando água e retardante sobre áreas florestais atingidas pelo fogo. O avião, adaptado para o combate a incêndios, se juntou a pelo menos outras 18 aeronaves e helicópteros empregados nas operações na região de Gironde.
Na Espanha, as queimadas provocaram a primeira morte relacionada ao fogo nesta semana. Ao todo, cerca de 25 mil hectares foram devastados no país. Somadas, as áreas consumidas nos dois países equivalem à área da cidade de São Paulo.
A emissora pública espanhola RTVE informou que mais de 100 mil pessoas deixaram suas casas devido aos incêndios. O agravamento da situação levou o governo espanhol a declarar a primeira emergência nacional de sua história por incêndios florestais.
"Vi nuvens de fumaça subindo para o céu. Foi quando percebi que algo estava acontecendo", contou à Reuters Rodika, 60, moradora da pequena cidade de Fresnedillas de la Oliva. "Acho que todos entramos em pânico. Depois recebemos a mensagem orientando que nos preparássemos, pegássemos os objetos de valor e tudo o que fosse mais importante. Eu peguei meu gato e fui embora."
A Proteção Civil espanhola anunciou a chegada de quatro aeronaves adicionais para o combate às chamas, duas enviadas pela Itália e duas pela Grécia. Aeronaves da Holanda e de Portugal também atuam no país. Croácia, República Tcheca, Suécia, Eslováquia, Alemanha e Suíça também apoiam os países no combate aos incêndios.
Nos arredores de Madri, dois dos três grandes focos ativos se uniram, formando um megaincêndio a poucos quilômetros da capital espanhola. As autoridades mobilizaram cerca de 2.600 bombeiros, policiais e outros agentes de emergência, apoiados por 19 aeronaves e helicópteros.
Um foco menor nos arredores de Valência, controlado ainda ontem, causou a morte de um idoso dentro de seu carro, informou o Ministério do Interior da Espanha. A ministra da Saúde, Monica Garcia, orientou a população da região de Madri a evitar atividades ao ar livre devido à fumaça.
As queimadas são consideradas mais um episódio associado à combinação de seca prolongada e sucessivas ondas de calor, fenômenos que cientistas relacionam às mudanças climáticas. As temperaturas nos dos países devem passar dos 40ºC na próxima semana, segundo meteorologistas, e não há previsão de chuva para as regiões mais afetadas pelos incêndios.
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