Infarto, demência... as doenças mais temidas pelos jovens
Cardiologia e neurologia apontam que a prevenção começa cedo; hábitos consistentes e sono de qualidade fazem diferença. Exemplo de Aline, 23
Infarto, AVC e demências são algumas das doenças mais temidas em relação ao envelhecimento. Isso também tem preocupado jovens, que já buscam acompanhamento.
A cardiologista Tatiane Emerich diz que esse movimento é importante, até porque as doenças cardiovasculares começam a se desenvolver silenciosamente.
“As doenças cardiovasculares não surgem de um dia para o outro. Quando um infarto acontece aos 50 anos, por exemplo, provavelmente começou a ser construído muitos anos antes.”
Ela ressalta que alimentação inadequada, sedentarismo, excesso de peso, tabagismo, sono ruim e estresse crônico aceleram o envelhecimento das artérias.
“Não existe uma fórmula milagrosa, mas hábitos consistentes ao longo do tempo. Isso, somado a um acompanhamento médico desde cedo, pode fazer muita diferença.”
Já o neurologista Daniel Escobar destaca que a saúde cerebral também merece atenção.
Segundo ele, embora a idade seja um fator de risco para doenças como Alzheimer, envelhecer não significa, necessariamente, desenvolver esses problemas.
“As alterações cerebrais relacionadas ao Alzheimer começam entre 15 e 20 anos antes dos primeiros sintomas serem percebidos.”
Por isso, em um cenário ideal, a prevenção dessas doenças precisa começar logo cedo.
“A prevenção começa ainda na infância e na juventude, com educação de qualidade, que ajuda a construir a chamada reserva cognitiva. Além disso, cuidar do sono e fazer o controle do estresse e da ansiedade são pontos importantes”, completa Daniel.
Sem sedentarismo
Observando os problemas de saúde dos pais, a estudante Aline Ghidetti, 23 anos, decidiu que queria envelhecer de forma diferente.
Esse foi um dos motivos que a fez, em 2024, começar a praticar a corrida.
“Eles sempre foram sedentários e hoje têm problemas de saúde que poderiam ter sido evitados se tivessem uma vida mais ativa.”
Hoje, a prática de atividades físicas virou uma paixão.
“É engraçado, porque antes eu detestava praticar esportes, mas acho que me encontrei na corrida. Quando não vou, me sinto muito mal”, conta a estudante.
Aline diz que o hábito de se exercitar também fez com que ela cuidasse mais da saúde de forma geral.
“Uma coisa puxa a outra. Se você não come bem, não treina bem. Então, aos poucos, fui melhorando tudo.”
Observando os benefícios, ela agora compartilha a rotina nas redes sociais. “Sei que o exemplo inspira os outros a fazerem o mesmo”, diz.
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