Histórias Empresariais: Vaz prepara R$ 15 bilhões em lançamentos no ES
Investimentos serão feitos ao longo de 10 anos. À frente também do Sinduscon, Douglas Vaz falou ainda sobre mercado e classe média
O Espírito Santo não é mais uma aposta, mas sim uma realidade. E um novo ciclo de expansão do mercado imobiliário é no que investe a Vaz Desenvolvimento Imobiliário, que projeta cerca de R$ 15 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) no Estado ao longo dos próximos 10 anos.
Foi o que revelou o diretor-presidente da empresa, Douglas Vaz, que também preside o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Espírito Santo (Sinduscon-ES).
Ele reforça que o Estado deixou de ser um mercado secundário para investidores e passou a atrair moradores, empresas e capital de diferentes regiões do País.
Ao Histórias Empresariais, Douglas falou sobre o futuro do setor, os desafios da classe média para comprar imóveis, o crescimento das cidades capixabas, sua trajetória profissional e a rotina fora do escritório.
A Tribuna — A Vaz tem uma carteira robusta de projetos, em vários estados. Qual o tamanho dessa aposta no Espírito Santo?
Douglas Vaz — Para os próximos 10 anos, temos uma previsão de cerca de R$ 15 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) apenas no Espírito Santo. Só o Parque Nari representa quase R$ 12 bilhões em VGV. É uma área de 3,8 milhões de metros quadrados, com moradias, hospital, faculdade, hotel, comércio, áreas de lazer e centro tecnológico. É um projeto para ser implantado entre 10 a 15 anos.
O 1º lançamento do Parque Nari (novo bairro criado em Vila Velha) superou as expectativas?
Superou. O Boulevard Arbori representa cerca de 12% da área do Parque Nari e é apenas venda de terrenos, sem as construções. Foram cerca de R$ 350 milhões em vendas em um dia e meio. Já estamos cadastrando interessados para o segundo condomínio, previsto para o primeiro trimestre de 2027.
Há interesse de investidores de outros estados por imóveis no Espírito Santo?
Há, sim. Vendemos muitos terrenos para investidores do Rio, São Paulo e até de Balneário Camboriú. Além disso, nos últimos três anos o Espírito Santo recebeu cerca de 123 mil migrantes de São Paulo, Rio, Minas Gerais e Bahia.
E a que atribuiu isso?
Segurança, qualidade de vida, mobilidade urbana e confiança. O Estado está com as contas equilibradas, recebe nota máxima há muitos anos e possui um fundo soberano. Isso gera credibilidade.
Tenho um amigo empresário que mora em São Paulo e só usa um relógio de alto valor, um Rolex, quando vem ao Espírito Santo. Ele diz que lá e em Minas ele não tem coragem, por causa da violência.
São coisas assim que fazem as pessoas quererem morar e investir aqui. Tudo o que tem sido lançado encontra mercado.
Chegamos a noticiar, alguns anos atrás, que investidores do agronegócio lá da região Centro-Oeste passaram a aplicar recursos no mercado imobiliário capixaba. E há uma valorização muito forte dos imóveis. Até que ponto isso tende a continuar? E como fica a classe média nesse cenário?
Os investidores do agronegócio procuram locais com valorização consistente. Em Balneário Camboriú e Itapema, cerca de 30% dos investidores são do agronegócio, principalmente de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Eles investem onde percebem maior potencial de valorização, e o Espírito Santo entrou nesse radar.
Sobre a classe média, é preciso separar os públicos. A população de menor renda conta com o Minha Casa, Minha Vida, com juros menores e subsídios. A de maior renda normalmente é capitalizada e compra com menos financiamento.
Quem mais sofre é a classe média. Com a Selic em torno de 14% ao ano, o financiamento ficou muito caro e esse público praticamente perdeu acesso ao mercado. Agora o governo criou a Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida, para imóveis de até cerca de R$ 500 mil. Isso deve facilitar novamente o acesso da classe média à moradia.
Quanto à valorização, o Espírito Santo vive outra realidade, com equilíbrio fiscal, segurança jurídica, infraestrutura e qualidade de vida. Isso atrai empresas, investimentos e novos moradores, mantendo a demanda aquecida no mercado imobiliário.
O senhor comentou que Rondônia e Mato Grosso foram escolhas estratégicas da empresa. Por quê?
Foi uma decisão tomada há cerca de 16 anos. Naquele momento, o agronegócio sustentava boa parte da economia brasileira. Eu dizia que existem duas coisas sem as quais ninguém vive: alimento e remédio. Aquelas regiões são grandes produtoras, havia crescimento econômico, expansão urbana e necessidade de novas moradias. Foi uma decisão estratégica. Tudo é estudado e analisado antes.
A Vaz tem plano de criar um bairro de 5 milhões de metros quadrados em Aracruz, que hoje é o epicentro de grandes investimentos. Mas e Linhares?
Linhares também é um lugar interessante. Devemos lançar, até o fim deste ano ou no início do ano que vem, um loteamento econômico na região de Bebedouro, voltado para atender o bairro e as indústrias que precisam de mão de obra.
O senhor costuma dizer que todos os investimentos da empresa são muito estudados. Existe uma fórmula para decidir onde investir?
Não existe fórmula pronta, mas há método. Nunca escolhemos uma cidade por impulso. Analisamos crescimento populacional, criação de empregos, renda, infraestrutura, logística, necessidade de moradia e potencial de valorização. Foi assim quando fomos para Rondônia e Mato Grosso e continua sendo hoje.
Antes de comprar uma área, estudamos bastante. O planejamento sempre fez parte da empresa.
Como começou essa trajetória no mercado imobiliário?
Comecei aos 14 anos, trabalhando com meu pai, que deixou o ramo da pesca para montar uma pequena imobiliária de compra e venda de lotes. Aprendi na prática, dividindo o tempo entre o escritório e as obras. Aos 22 anos, meu pai desfez uma sociedade e me chamou para abrir uma empresa com ele e outro sócio.
Três anos depois compramos essa participação e passamos a desenvolver loteamentos, inicialmente populares e, depois, empreendimentos de padrão mais elevado.
Quando meu pai faleceu, houve a dissolução da sociedade. Meus irmãos permaneceram na Cristal e eu segui à frente da Vaz Desenvolvimento Imobiliário, que havia sido criada para desenvolver projetos da Cristal e passou a atuar com autonomia. A partir daí iniciamos a expansão para outros estados, começando por Rondônia.
Perfil
Douglas Vaz
Diretor-presidente da Vaz Desenvolvimento Imobiliário
Presidente do Sinduscon-ES
Conselheiro da Câmara Brasileira da Indústria da Construção e da Findes
Nascido em Vitória, criado em Vila Velha
Começou a trabalhar aos 14 anos na empresa de pesca do pai
Casado, pai de cinco filhos e avô
Evangélico, pratica trekking, joga futebol soçaite: atacante e artilheiro
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários