Construtoras já preveem imóveis do Minha Casa, Minha Vida em Vitória
Construtoras avaliam projetos com programa da prefeitura para o Centro e a expectativa de revisão do PDU para habitação popular
O decreto que institui o Programa de Reabilitação da Área Central (ReAC), lançado pela Prefeitura de Vitória nesta semana, já desperta o interesse do setor da construção civil.
Com a expectativa de viabilizar entre 8 mil e 11 mil novas moradias no Centro, empresários avaliam que as medidas previstas pelo programa também podem abrir espaço para empreendimentos enquadrados no Minha Casa, Minha Vida, inclusive para a classe média, com salário de até R$ 13 mil.
A avaliação é que a combinação de incentivos urbanísticos, flexibilização de regras e estímulo à ocupação da região central cria um cenário favorável para ampliar a oferta de habitação popular não apenas no Centro, mas também em outros bairros de Vitória.
Os presidentes do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado (Sinduscon-ES), Douglas Vaz, e da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-ES), Alexandre Schubert, destacam que a revisão do Plano Diretor Urbano (PDU) de Vitória deverá abrir espaço para a construção de empreendimentos do programa MCMV na Capital.
De olho no déficit habitacional de Vitória, estimado em cerca de 11,3 mil famílias, a Cobra Engenharia já avalia oportunidades para ampliar sua atuação no segmento de habitação popular na capital, a exemplo do MCMV.
Segundo Carlos Baracho, diretor de Incorporação e Novos Negócios da Cobra Engenharia, a demanda por moradias de interesse social existia antes da criação do ReAC, e o novo cenário reforça o potencial: “Hoje a Cobra está olhando para o mercado popular dentro de Vitória porque acreditamos que é possível desenvolver empreendimentos no município”.
No seu entendimento, além de contribuir para reduzir o déficit habitacional, novos projetos podem aproximar as famílias dos locais de trabalho e dos serviços públicos, diminuindo os deslocamentos diários e melhorando a mobilidade urbana.
Já o diretor de incorporações da Recanto Construtora, Pedro Bolsonello, reforça que a empresa atua em diversas cidades do Estado no segmento MCMV.
“Diferente de capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, que já possuem programas próprios de assistência à habitação vinculados ao MCMV, Vitória era uma das poucas capitais brasileiras que ainda não contava com esse tipo de incentivo”, afirmou.
E concluiu: “Qualquer iniciativa no sentido de voltar a viabilizar a habitação formal para a população do município é bem-vinda, trazendo benefícios para a cidade e para o ambiente empresarial”.
Santo Antônio e Maruípe estão no radar
Além do Centro, o setor da construção civil enxerga potencial para empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida em outras regiões de Vitória, como o entorno do Parque Moscoso, Santo Antônio, Maruípe e a Grande São Pedro, especialmente nas áreas localizadas ao longo da Serafim Derenzi.
Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado (Sinduscon-ES), Douglas Vaz, são locais que já possuem infraestrutura consolidada e poderiam ganhar mais moradores com alterações nas regras urbanísticas.
No caso do Parque Moscoso, ele observa que novos empreendimentos residenciais passariam a contar com uma ampla área pública de lazer já existente, sem necessidade de criação de novos equipamentos urbanos.
Douglas também cita imóveis abandonados, edificações antigas e terrenos subutilizados como oportunidades para ampliar a ocupação residencial. Para ele, permitir maior verticalização em algumas dessas regiões contribuiria para revitalizar bairros tradicionais e aproveitar melhor a estrutura existente na cidade.
Pelas novas regras do MCMV, o valor máximo dos imóveis foi ampliado. Nas faixas 1 e 2, o teto passou a variar entre R$ 210 mil e R$ 275 mil, conforme a localidade do empreendimento. Na faixa 3, o limite foi elevado de R$ 350 mil para R$ 400 mil. Já na faixa 4, criada recentemente pelo programa, o valor máximo chega a R$ 600 mil, ante o teto anterior de R$ 500 mil.
Para o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES), Alexandre Schubert, o Centro tem potencial para receber empreendimentos do MCMV, principalmente voltados às faixas 2, 3 e até 4 do programa. Já na região da Grande São Pedro, a demanda estaria concentrada nas faixas 2 e 3, em razão da disponibilidade de áreas para novos projetos.
Werlla Poleze, gestora comercial da MRV no Espírito Santo, salienta que a empresa também tem grande interesse em investir em Vitória, que reúne condições favoráveis para a expansão de empreendimentos no programa Minha Casa, Minha Vida, principalmente com produtos das faixas 3 e 4.
O diretor presidente da Cit Construtora, João Roncetti, também cita o Centro e a região da Grande São Pedro como potenciais para receber esses empreendimentos.
Parceria viabiliza 44 moradias no Centro
Recentemente, a Prefeitura de Vitória e a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) formalizaram uma parceria para acelerar esses processos, com a assinatura de contratos de cessão e doação de áreas, além de acordos de cooperação técnica que permitem ao município conduzir diretamente as etapas de regularização em terrenos da União.
Entre os projetos habitacionais em andamento, destaca-se a requalificação do Edifício Jerônimo Monteiro, no Centro.
“Em parceria com a SPU, o edital para elaboração do projeto e execução das obras foi lançado em maio, prevendo 44 unidades habitacionais destinadas à Habitação de Interesse Social, viabilizadas pelo Programa Minha Casa Minha Vida - Faixa Urbano 1, com recursos do FAR”, disse a prefeitura.
O município informou que também mantém estudos técnicos para identificação de outros imóveis com potencial de requalificação habitacional. “A população pode acessar os programas habitacionais diretamente na Sedec, no Centro Integrado de Atendimento ao Cidadão, na Rua Vitório Nunes da Mota, 220, Enseada do Suá, ou pelo telefone Fala Vitória 156”.
Saiba mais
O que muda na prática
O decreto que institui o Programa de Reabilitação da Área Central (ReAC) tem o objetivo de resolver gargalos históricos que afastavam investidores do Centro, criando um ambiente de negócios ágil e seguro.
Algumas mudanças
Fim da Burocracia: Projetos de novas edificações em lotes vazios, requalificação, retrofit e Habitação de Interesse Social (HIS) no Centro passam a ter licenciamento simplificado. Os empreendimentos passarão para o Grau de Risco 3, e a emissão do Alvará de Execução de Obras será eletrônica e automática no protocolo, baseada na responsabilidade do profissional.
Habitação de interesse social: Obras para a Habitação Social no Centro estão na engrenagem de benefícios e facilidades de licenciamento, visando a construção de um “bairro multiclassista e o combate à expulsão dos moradores de baixa renda”.
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