Descobertas do século 17 em obra em Guarapari
Cerâmicas indígenas, conchas, prato e ferramentas de pedra foram desenterrados por arqueólogos em obra de pavimentação
A obra de pavimentação da rodovia ES-481, no bairro Lameirão, em Guarapari, tem revelado pistas importantes sobre a ocupação da região ao longo dos séculos. Durante as escavações no Morro da Aldeia Velha, arqueólogos encontraram vestígios que remontam aos séculos 17 e 18 e até ao período anterior à colonização portuguesa.
Segundo o arqueólogo Otávio Augusto Freitas, a estimativa da idade dos materiais é baseada na comparação com outro sítio arqueológico localizado a cerca de 10 quilômetros dali.
“Temos uma datação próxima de um sítio chamado Limeira, que possui um registro arqueológico muito semelhante. Esse sítio foi datado de 670 anos antes do presente. Portanto, estamos falando de cerca de 100 anos antes do início da colonização, mas ainda não podemos afirmar nenhuma data”, explica.
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Em poucos dias de trabalho, a equipe desenterrou cerâmicas indígenas, ferramentas de pedra, conchas e um pequeno prato de pedra que pode ter sido utilizado em rituais para preparar tintas de pinturas corporais. Os materiais ajudam a compreender como viviam as antigas comunidades que ocuparam a região.
“Estamos trabalhando hoje em quatro sítios arqueológicos. O principal indicativo tem sido o material malacológico, formado por conchas. Associados a ele, encontramos artefatos líticos, que são ferramentas produzidas em pedra, principalmente quartzo, além de cerâmica e materiais históricos do período pós-colonial”, detalha o arqueólogo.
As descobertas fazem parte do trabalho de arqueologia preventiva, exigido durante o processo de licenciamento ambiental de empreendimentos que provocam impacto no solo. Além de Otávio, a equipe é composta pela arqueóloga Sama Ortiz, ambos da Multicast Arqueologia, e conta com o apoio de Samuel Moura e Richard Borges, profissionais da empresa responsável pela obra.
Depois de catalogados, os materiais passam por um processo de curadoria e análise, que permite interpretar seu contexto histórico.
Em seguida, um relatório é encaminhado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e os objetos são destinados a uma instituição credenciada para guarda.
No futuro, o acervo poderá integrar uma coleção permanente do município, preservando parte da história de Guarapari para as próximas gerações.
Saiba mais
Vestígios arqueológicos
A pavimentação da ES-481, em Lameirão, revelou vestígios arqueológicos que podem ajudar a contar a história da ocupação de Guarapari antes e depois da colonização.
Entre os achados estão cerâmicas indígenas, ferramentas de pedra produzidas em quartzo, conchas e materiais históricos dos séculos 17 e 18.
Os pesquisadores ainda não definiram a idade exata do sítio, mas os materiais são semelhantes aos encontrados no Sítio Arqueológico Limeira, datado em cerca de 670 anos antes do presente.
O local é considerado um sítio arqueológico multicomponencial, reunindo vestígios de diferentes períodos e grupos culturais.
Vestígios
Os arqueólogos investigam se indígenas, africanos e europeus conviveram no mesmo espaço ou se os vestígios pertencem a ocupações de épocas distintas.
Após as escavações, os materiais passarão por curadoria, análises laboratoriais e possível datação antes de serem encaminhados a uma instituição de guarda credenciada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Com o fim dos trabalhos, também serão instaladas placas sinalizando e comunicando os sítios.
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