Mil sites falsos são criados para roubar dinheiro de concurseiros
Petrobras, Receita Federal, Ibama e PM do Espírito Santo estão entre os órgãos usados por criminosos para enganar concurseiros
Em torno de mil sites falsos de concursos públicos foram criados apenas neste ano por estelionatários em busca de roubar dinheiro de concurseiros.
O dado é fruto de levantamento realizado com especialistas consultados que utilizaram como base um estudo da Kapersky sobre o tema, que revelou que, nos três primeiros meses do ano, a Petrobras foi alvo de 330 páginas criadas para divulgar falsos concursos e aplicar golpes.
“É seguro dizer que o número de sites criados para aplicar golpes em concurseiros já passou da casa dos milhares, dado o alto número de órgãos públicos da esfera nacional e estadual que relatam a situação pelo País: Ibama, Receita Federal, Polícia Militar, entre outros”, relata o advogado especialista em direito criminal Leonardo da Silva Beraldo.
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Apesar de a Petrobras ter contrato com a Cesgranrio até 2028 para realizar novo concurso – e a banca já ter dito, em janeiro, que está preparada para executar um novo processo caso a estatal dê autorização – a empresa informou não haver previsão de novo concurso e alertou os candidatos para terem atenção e não caírem em golpes.
A gerente-executiva da Petrobras, Lilian Soncin, explica que os golpistas atuam, principalmente, de três formas. A primeira delas é a exigência de pagamentos para a suposta efetivação em vagas que não existem ou para o avanço em seleções que não estão em andamento.
“Outra modalidade é o pedido para que a pessoa informe seus dados pessoais para seguir com a candidatura em um concurso fake. E há, ainda, a venda de cursos falsos preparatórios para concursos a partir da utilização de informações sobre processos seletivos antigos da Petrobras”, explica.
No Espírito Santo, concursos da Polícia Penal e da Polícia Militar lidaram com problemas semelhantes. A Idecan, banca organizadora do concurso da PM-ES que está em andamento, chegou a prorrogar o prazo de inscrições após identificar que uma parcela dos candidatos realizou inscrição em sites falsos.
Já no caso da Polícia Penal do Estado, uma vítima chegou a relatar a situação no site Reclame Aqui: “O site era falso e cobrava valor idêntico a taxa de inscrição, mas o pagamento não levava à nada”.
Saiba mais
Prisão por anúncios para seleção do INSS
Escala industrial
os golpistas operam em escala industrial: registram domínios semelhantes aos oficiais, pagam por anúncios patrocinados nos buscadores e exploram a ansiedade de quem busca uma vaga no serviço público.
Os sites falsos simulam de forma quase imperceptível sites oficiais do órgão público cujo concurso é referente ou mesmo os sites das bancas dos concursos. As vítimas ou não recebiam qualquer confirmação da inscrição, ou eram redirecionadas a outra página para realizar um suposto segundo pagamento de taxa.
Casos em todo o País
As fraudes envolvem tanto concursos de nível federal quanto de nível estadual, e há registros em diversos estados, incluindo Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Nesta semana, candidatos a um concurso da Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (Sedes-DF) organizado pelo Instituto Quadrix relataram terem sido vítimas do golpe. Já no Espírito Santo, a Idecan relatou ter decidido prorrogar as inscrições de um concurso da Polícia Militar do Estado (PM-ES), em parte porque candidatos caíram em golpe semelhante.
Deboche de bandidos
Uma operação realizada em abril prendeu suspeitos de participar de esquema de golpes com falsos anúncios para concurso do INSS.
Durante a investigação, a polícia obteve áudios de mensagens trocadas entre os investigados, que demonstram que os golpistas agiam de forma reiterada e que não acreditavam que pudessem ser responsabilizados.
Num deles, o estelionatário tenta tranquilizar o comparsa: “Se caiu num golpe, é trouxa, mano, é bobo. Como é que acreditou nisso? Não dá nada, não, relaxa”.
Como não cair no golpe
Confirme a fonte oficial. Todo concurso público legítimo é publicado no Diário Oficial da União, do Estado ou do Município e divulgado no site oficial do órgão promotor. Se a oportunidade não está confirmada nesses canais, já há motivo suficiente para desconfiança.
Analise a URL do site. Sites governamentais brasileiros sempre terminam em “gov.br”. Os golpistas registram domínios muito parecidos, usando terminações como “.com”, “.org” ou “.online”, muitas vezes com pequenas variações no nome do órgão — por exemplo, “concurso-ibama.online” em vez do endereço oficial.
Evite clicar em anúncios patrocinados. Os criminosos frequentemente pagam para que seus sites falsos apareçam no topo dos resultados de busca, acima até dos endereços oficiais. O mais seguro é sempre digitar o endereço do órgão diretamente no navegador.
Verifique o método de pagamento. Órgãos públicos cobram taxas de inscrição por meio da Guia de Recolhimento da União (GRU) ou de boletos emitidos pela banca organizadora do concurso. Qualquer exigência de pagamento via Pix para conta de pessoa física, transferência bancária direta ou boleto emitido por empresa desconhecida é sinal inequívoco de fraude.
O que fazer se for vítima?
Se o golpe já ocorreu, a primeira providência é preservar todas as provas: capturas de tela do site falso e dos anúncios, e-mails e mensagens trocadas, e, principalmente, o comprovante de pagamento.
Com esse material em mãos, a vítima deve registrar um Boletim de Ocorrência na delegacia mais próxima ou pela delegacia virtual do seu estado, narrando os fatos detalhadamente. O B.O. é o instrumento que formaliza a notícia do crime e dá início à investigação policial.
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