Apreensões de canetas para perder peso já superam as de cigarro ilegal
Em razão da crescente demanda, apreensões desses produtos feitas pela Receita e Polícia Federal já superam as de cigarro ilegal no País
A crescente procura pelas chamadas canetas emagrecedoras fez com que o contrabando desses produtos disparasse no País. Hoje, elas já ultrapassaram os cigarros entre as mercadorias ilegais apreendidas – principalmente pela frequência dos flagrantes e valores das cargas.
A maior parte dos medicamentos é vendida como tirzepatida – princípio ativo do Mounjaro – e vem do Paraguai por via terrestre. No entanto, tem sido comum encontrar a retatrutida – que nem chegou ainda ao mercado mundial, por estar em fase de estudos.
Segundo a delegada da Alfândega da Receita Federal no Espírito Santo, Adriana Junger, as apreensões cresceram de forma significativa desde meados de 2025 e passaram a integrar a rotina das fiscalizações.
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“Em toda operação que a gente faz, toda verificação em transportadoras e centros de distribuição, a gente apreende esse tipo de mercadoria. A maior parte delas em formato de ampolas”, afirmou.
Só este ano, cerca de 200 remessas de medicamentos para emagrecimento foram apreendidas pela Receita Federal no Espírito Santo, com valor estimado em aproximadamente R$ 1 milhão. Ela frisou que, quando a origem legal do produto não é comprovada, a carga é declarada perdida e o caso é encaminhado ao Ministério Público, que pode solicitar a abertura de investigação criminal pela Polícia Federal.
O avanço desse tipo de contrabando também tem mobilizado a PRF, principalmente nas rodovias que ligam a fronteira com o Paraguai ao restante do País.
Segundo o chefe do Grupo de Enfrentamento aos Crimes contra o Fisco e à Saúde Pública da corporação, Marco Antônio Palhano, os medicamentos para emagrecimento passaram a se destacar entre as apreensões. “O volume é relevante e chama atenção pelos valores avaliados das cargas”.
Segundo ele, somente este ano, no Paraná – principal porta de entrada desses produtos no País – foram apreendidas cerca de 80 mil ampolas e canetas. Palhano frisou que o interesse das organizações criminosas acompanha a demanda do mercado. “Qualquer produto que tenha consumidores passa a ser alvo do crime organizado”.
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