Achar profissional com nível superior vira desafio, afirmam especialistas
Empresas relatam dificuldade crônica para preencher vagas; desemprego entre graduados é de 3,3%, ante 6,1% na média
O problema não se limita ao Espírito Santo. Dados da consultoria ManpowerGroup com 1.020 empresas mostram que Oito em cada dez empregadores no Brasil têm dificuldade para encontrar profissionais, quadro que se repete há cinco anos.
O desafio é maior para quem precisa de profissionais de nível superior. A consultoria Robert Half calcula que a taxa de desocupação nesse grupo foi de 3,3% no primeiro trimestre do ano, quase a metade da geral (6,1%).
Líderes empresariais já tratam o problema como crônico, que cobra um custo operacional e limita o crescimento dos negócios, do varejo e dos serviços à indústria e à infraestrutura.
“Os qualificados já estão empregados. Estamos em amplo crescimento, então isso afeta nossa operação. Se tivéssemos mais vendedores, por exemplo, teríamos ainda mais entrada (no mercado). Os produtos são complexos, e a venda é consultiva, não é rápida — diz Zenilda Zanardini, diretora administrativa da Solo.
Análise
“Desafio agora é de formar pessoas”
O Espírito Santo vive um cenário onde há vagas, há trabalhadores e, ainda assim, o encontro entre os dois lados pode não acontecer. Isso porque nem toda pessoa desempregada vai estar no município onde as vagas existem, ou terá a qualificação requerida, ou aceita a jornada oferecida ou está disposta a ocupar qualquer tipo de posto.
A economia não funciona como uma lista simples de pessoas disponíveis de um lado e empregos abertos do outro. Cada vaga tem exigências específicas. Cada trabalhador tem habilidades, restrições de deslocamento, expectativas de renda e preferências sobre o tipo de trabalho que aceita realizar.
Quando o mercado fica mais apertado, a lógica da oferta e da demanda também muda. Muitas vezes, mesmo pagando mais, a empresa ainda precisará treinar, adaptar processos e reorganizar sua forma de produzir.
Por isso, a escassez de mão de obra não deve ser vista apenas como reclamação empresarial. Ela é um sinal de que o Espírito Santo entrou em uma nova etapa do mercado de trabalho.
O desafio já não é apenas criar vagas, mas formar pessoas, elevar produtividade, melhorar processos e ajustar remuneração às competências que se tornaram mais escassas.
Quando o desemprego cai muito, gente disponível deixa de ser abundante; produtividade, qualificação e bons salários passam a ser parte da estratégia de crescimento.
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