Argentina encara "ferrolho suíço" em busca de vaga na semifinal
Argentina tenta chegar à 3ª semifinal em quatro Copas, mas terá pela frente a defesa suíça, que não sofreu gols nos dois últimos jogos
A Argentina tenta chegar à sua terceira semifinal de Copa do Mundo em quatro edições ao enfrentar a Suíça hoje. A partida, válida pelas quartas de final, será disputada no Arrowhead Stadium, em Kansas City, às 22h (horário de Brasília).
Enquanto o Brasil acumula fracassos recentes, com três eliminações consecutivas antes das semifinais, sempre para seleções europeias de médio escalão, os argentinos, sob o comando de Lionel Scaloni, retomaram sua identidade e seu modo de jogar, valorizando meio-campistas talentosos, os tradicionais “enganches”.
Essa característica explica boa parte do sucesso da atual campeã.
E hoje, Messi & Cia terão a missão de encarar o “ferrolho suíço”. Diferentemente das seleções que se destacam pela qualidade técnica, os suíços possuem um modelo único e efetivo.
Carregando seu legado defensivo na Copa de 2026, a Suíça demorou para entrar nos trilhos, uma vez que sofreu gols nos três jogos da fase de grupos. Classificada, porém, a equipe subiu o muro para não ser mais vazada nas partidas da fase de 16 avos e das oitavas de final. O destaque do time vem sendo Gregor Kobel, goleiro do Borussia Dortmund, que é visto como um dos mais seguros do mundo.
“Uma identidade cultural, que tentamos levar para a nossa equipe em qualquer partida”, costuma dizer Lionel Scaloni. A trajetória do treinador, que assumiu a seleção em 2018, simboliza a estabilidade argentina. Depois de iniciar o trabalho como interino e sofrer a derrota para o Brasil na semifinal da Copa América de 2019, levou a equipe ao título continental dois anos depois, também em território brasileiro, e, na sequência, conquistou o tricampeonato mundial no Catar, em 2022.
Tudo, claro, passa por Messi. O elenco não esconde que joga por seu camisa 10, que, mesmo aos 39 anos, tem atuado em nível impressionante nesta Copa do Mundo. Já são oito gols, dividindo a artilharia da competição com Mbappé, da França.
Além disso, o argentino tornou-se o maior artilheiro da história das Copas do Mundo, ao ultrapassar o alemão Klose e chegar, até o momento, a 21 gols em seis edições. Mbappé aparece logo atrás, com 20.
Para enfrentar a Suíça, Lionel Scaloni mantém o mistério. A principal dúvida está no ataque: Julián Álvarez ou Lautaro Martínez. Há também a possibilidade de Montiel voltar na lateral direita, na vaga de Molina.
O treinador promoveu mudanças entre a vitória por 4 a 3 sobre Cabo Verde, na segunda fase, e o duelo das oitavas de final contra o Egito. Apesar da classificação com uma virada épica por 3 a 2, após sair perdendo por 2 a 0, a equipe voltou a apresentar algumas deficiências.
Os suíços voltarão a enfrentar a Argentina em um mata-mata de Copa do Mundo 12 anos depois. A eliminação nas oitavas de final da edição de 2014, no Brasil, com derrota por 1 a 0, ainda incomoda o meia Xhaka, capitão da equipe e titular naquela partida.
“Não falamos em vingança, mas, claro, não gostamos de lembrar daquela partida. Estamos nas quartas de final, e esse é o nosso principal objetivo. Os sonhos podem se tornar realidade, mas será preciso trabalhar muito e levar nosso desempenho ao limite para encontrar soluções”, afirmou.
Xhaka ressaltou que esta é uma nova Suíça, com uma geração de atletas que atua nas principais ligas do mundo e tem condições de enfrentar de igual para igual os atuais campeões mundiais.
Há, entretanto, um problema: a principal revelação da equipe, o meia Johan Manzambi, de 20 anos, está fora da partida por causa de uma lesão no joelho esquerdo.
“Temos soluções para parar Messi”, diz técnico suíço
Como parar Messi? Essa foi a primeira pergunta que o técnico da Suíça, Murat Yakin, precisou ontem. “É uma excelente pergunta. Temos muitas soluções e vamos tentar escolher a melhor delas. Precisamos funcionar como grupo, como uma unidade. Queremos trocar passes com qualidade, pressionar alto e enfrentar a Argentina, atual campeã mundial e defensora do título. Sabemos da dificuldade, mas temos nossas soluções (para parar Messi)”, disse Yakin, que também confirmou que o atacante Manzambi está fora do jogo.
Messi divide a artilharia da Copa do Mundo com Kylian Mbappé, da França, com oito gols, mas disputou um jogo a menos.
Para o capitão da Suíça, o meio-campista Granit Xhaka, que atuou por muitos anos no Arsenal, é difícil neutralizar o argentino durante os 90 minutos, mas ele acredita que sua equipe está preparada para isso.
“Não sei se é possível parar (Messi) durante 90 minutos. É muito difícil. Precisamos ser inteligentes, fechar os espaços e não permitir que eles tenham liberdade. Temos que jogar o nosso futebol e impedir que eles controlem a bola”, afirmou Xhaka, que estava em campo em 2014, quando a Suíça foi eliminada para a Argentina nas oitavas de final da Copa.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários