Nubank recebe autorização para operar como banco no México
Instituição afirma que se tornará o maior banco digital do mercado mexicano
O Nubank anunciou nesta sexta-feira (10) que recebeu autorização da agência reguladora do sistema financeiro mexicano, a Comisión Nacional Bancaria y de Valores (CNBV), para iniciar operações como banco. Com mais de 15 milhões de clientes no país, a instituição afirma que se tornará o maior banco digital do mercado mexicano.
Em abril de 2025, a CNBV havia concedido ao Nubank autorização para obter uma licença bancária no México. A aprovação anunciada nesta sexta-feira conclui o processo iniciado pela empresa.
Até então, o Nubank operava no país como uma Sofipo (Sociedade Financeira Popular), categoria de instituição financeira voltada principalmente para a oferta de serviços a pessoas de baixa renda sem acesso ao sistema bancário tradicional e a microempresas.
Com a autorização, o Nu México tem 30 dias corridos para concluir sua transformação em banco, conforme a regulamentação local.
"O México é um mercado chave para o Nubank, e esse é um passo decisivo no nosso compromisso de longo prazo no país, com um investimento total projetado de US$ 4,2 bilhões até 2030", afirma David Vélez, fundador e CEO global do Nubank.
Segundo o banco, a operação mexicana recebe cerca de 12 mil novos usuários por dia e está presente em 98% dos municípios do país.
O Nubank entrou no mercado mexicano em 2019 e lançou seu primeiro produto no ano seguinte: um cartão de crédito sem anuidade. Desde então, ampliou a oferta de serviços com a Cuenta Nu, empréstimos pessoais, cartões com garantia, entre outros.
Em janeiro deste ano, o Nubank também anunciou ter recebido aprovação condicional do regulador bancário dos Estados Unidos para operar como banco no país.
A autorização foi concedida pelo OCC (Office of the Comptroller of the Currency). O banco ainda aguarda a licença definitiva para lançar serviços como contas de depósito, cartões de crédito, financiamento e custódia digital de ativos.
LICENÇA BANCÁRIA NO BRASIL
Em dezembro de 2025, o Nubank também anunciou que pretende obter uma licença bancária no Brasil. A decisão ocorreu após o BC (Banco Central) publicar uma norma que proíbe fintechs sem licença bancária de utilizarem os termos "banco" ou "bank" em seus nomes.
Em nota, o banco diz que vem avaliando diferentes alternativas para atingir esse objetivo. "Essas análises não significam uma definição sobre qualquer operação específica. Como companhia aberta, temos compromisso com a transparência e comunicaremos ao mercado quando qualquer decisão relevante for tomada", afirma o Nubank.
Pela regra do BC, as instituições financeiras deverão adotar nomenclaturas que deixem clara aos clientes a modalidade da instituição que presta o serviço.
No caso de conglomerados, a fintech poderá usar a denominação "banco" caso uma das instituições do grupo tenha autorização do BC para operar como banco. Com isso, um dos cenários estudados pelo Nubank é a compra de um pequeno banco pelo conglomerado, segundo uma pessoa envolvida na discussão disse à Folha de S. Paulo no fim do ano passado.
A norma publicado no final de novembro de 2025 determinava que as instituições em desacordo com as novas regras deveriam apresentar ao Banco Central um plano de adequação em até 120 dias. Após a aprovação do plano, elas contam com um prazo de até um ano para se adaptar às exigências.
No primeiro trimestre de 2026, o Nubank teve um lucro líquido de US$ 871 milhões (R$ 4,56 bilhões, na cotação do fim de março). O resultado é 41% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado, mas 5% menor do que no quarto trimestre de 2025.
RAIO-X | NUBANK
Fundação: 2013
Lucro líquido no 1º tri: US$ 871,4 milhões
Clientes (global): 135 milhões
Funcionários: mais de 9,5 mil
Principais concorrentes: PicPay, Mercado Pago, Bradesco, Santander, Banco do Brasil, Itaú, PagBank, Inter
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