Polícia investiga lista online que classificou 65 alunas em categorias sexuais
Vítimas têm entre 14 e 15 anos e começaram a ser ouvidas nesta quinta-feira
Pelo menos 65 alunas do Colégio Cruzeiro, em Jacarepaguá, zona sudoeste do Rio de Janeiro, entre 14 e 15 anos, foram incluídas em uma lista online que as classificava em categorias de conotação sexual.
A Dcav (Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima), que investiga o caso, já reuniu ao menos sete registros de ocorrência —um deles feito pela própria escola.
De acordo com a delegada Maria Luiza Machado, "os autores estão sendo identificados". Ainda segundo a investigadora, "eles poderão ser indiciados por Injúria, difamação e submissão de adolescente a constrangimento e também cyberbullying", disse.
A investigação teve início há cerca de dois dias e, desde então, concentra os boletins de ocorrência na delegacia para apurar o caso de forma integrada. Ainda não se sabe quantas pessoas participaram da criação da lista.
O ranking foi montado em uma plataforma de "tier list", formato em que itens são distribuídos em faixas de classificação. No caso, as faixas traziam rótulos sexuais e depreciativos aplicados às estudantes. O conteúdo já foi retirado do ar. No entanto, pelo nome das adolescentes, é possível encontrar a lista por buscas na internet.
A reportagem tenta contato com a plataforma, que é americana.
Em um dos registros de ocorrência, a mãe afirmou que a filha não queria mais frequentar a escola após ter o nome exposto.
As vítimas começaram a ser ouvidas nesta quinta-feira (9). O diretor da unidade prestou depoimento na quarta (8) e afirmou à polícia que o colégio tenta identificar internamente os autores da lista. Ele não falou com a imprensa.
Em nota, o colégio afirmou que dá apoio às famílias e que entrou em contato com a plataforma pedindo a retirada da lista. "A conduta ética e a responsabilidade digital são temas recorrentes da sociedade contemporânea. Por isso, oferecemos constantemente a nossos três mil alunos, campanhas de conscientização com palestras de juízes, psicólogos, especialistas em tecnologia, delegados, entre outros", acrescentou.
O primeiro registro de ocorrência, feito no dia 4 de julho pela mãe de uma das adolescentes, na 41ª DP (Tanque), foi suspenso. No despacho, a autoridade policial afirmou que "até o momento, não indicam indícios suficientes para a continuidade das investigações, determino a suspensão do presente procedimento, tendo em vista a ausência de dados que fundamentem a instauração ou continuidade da apuração dos fatos narrados".
A reportagem procurou a Polícia Civil, para saber se o registro foi encaminhado à Dcav, mas ainda não obteve retorno.
Para evitar a revitimização das adolescentes, os relatos serão colhidos em formato de depoimento especial: cada vítima é ouvida uma única vez, por policiais treinados, em sala reservada, enquanto o delegado acompanha de outro ambiente.
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