El Niño pode trazer ondas de calor, incêndios e chuvas irregulares, alerta governo
Comitê foi criado e vai monitorar impactos do fenômeno no Espírito Santo
Diante do fenômeno natural El Niño, que começou a impactar o Brasil desde 11 de junho, o governo do Espírito Santo anunciou um comitê que vai monitorar as consequências e discutir estratégias de ação no Estado.
O governador Ricardo Ferraço afirmou que, no Espírito Santo, tudo indica que o fenômeno tratá estiagens muito prolongadas, principalmente nas regiões Norte e Noroeste do Estado. O período sem chuva pode causar falta de água e incêndios em vegetações devido à baixa umidade no ar. Outros impactos são o aumento de ondas de calor e chuvas irregulares, que podem cair isoladamente e inundar algumas regiões enquanto outras passam por estiagem.
Segundo o governador, o comitê de comando se reunirá semanalmente. "Essa comissão é formada pelo Bombeiro Militar, pela Defesa Civil, pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente, pela Secretaria da Agricultura e pela Secretaria de Infraestrutura. Nós estamos integrados também com todos os municípios, de modo que semanalmente a gente vai liberar um boletim informando sobre a evolução do fenômeno", explicou.
Ferraço ainda esclareceu que as providências serão tomadas dependendo da evolução e de como o fenômeno vai se apresentar. A preocupação com a estiagem, por exemplo, afeta diretamente a agricultura. "Estamos a disposição dos nossos produtores rurais – que no Espírito Santo é fortemente liderado pela agricultura de base familiar – para identificar o problema e gerar a solução para este problema", adiantou.
O FENÔMENO
O Coordenador Estadual de proteção e Defesa Civil, coronel Benício Ferrari Júnior, explicou que o El Niño causa o aquecimento das águas do Oceano Pacífico. Com o fenômeno, a formação de umidade acontece mais próximo da costa na América do Sul, criando uma zona maior de pressão e dificultando que a umidade vinda do sul suba pelo país, se acumulando nessa região. "Por isso que chove muito no Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina. Essa umidade não consegue subir, e no Norte, na Amazônia, no Nordeste a gente tem um cenário de estiagem intensa".
O Espírito Santo fica localizado em uma faixa de transição entre as regiões citadas e por isso o efeito do El Niño não é tão claro. Entretanto, na maioria das vezes em que o fenômeno aconteceu, ele trouxe o cenário de uma estiagem maior e o aumento de temperatura.
Outra preocupação é com a presença de ondas de calor e risco de incêndios em vegetação. Já as chuvas podem acontecer de forma isolada e concentradas em um só local. "As chuvas tem um impacto na distribuição. Você tem um local que está inundado e o resto do Estado pegando fogo. Também é possível de acontecer esse cenário", alertou.
MEDIDAS DE PREVENÇÃO
O Estado vem se preparando com várias ações, investindo em obras e capacitando os sistemas municipais. "Hoje temos mais capacidade, de equipamento e humana, para poder responder", garantiu o coronel. Segundo ele, o governo também conta com a ajuda da população, que participará de campanhas de conscientização com foco na economia e uso racional de água.
"A população é parte importante no enfrentamento ao desastre. Nos casos de estiagem e de incêndio, quando chegarem as recomendações de economia de água, de horário de irrigação das lavouras, tudo isso a população precisa contribuir", disse Benício Ferrari Júnior.
Segundo ele cartilhas orientativas serão distribuídas e outras recomendações serão feitas a medida que o fenômeno for avançando.
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