Recorde de idosos que trabalham no Espírito Santo
Mais de 160 mil idosos seguem na ativa no Estado, impulsionados pela necessidade de renda e valorização da experiência
O número de idosos no mercado de trabalho tem batido recorde no País. Dados de um estudo recente divulgado pela empresa de pesquisa e de inteligência de dados Nexus mostram que o Brasil conta com quase 9 milhões de idosos ocupados, um crescimento recorde de 54% na última década.
O ritmo de ocupação dessa faixa etária supera, inclusive, o próprio crescimento populacional de idosos no período, que foi de 36%.
No Estado, os dados acompanham a tendência nacional: mais de 160 mil idosos estão no mercado de trabalho, o que representa um recorde estadual histórico, segundo o Ministério do Trabalho.
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Segundo especialistas, a situação engloba a necessidade de complementação de renda, a alta nos custos de vida e uma tendência das empresas em preferirem profissionais mais experientes e menos “instáveis” do que a juventude atual.
O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, destaca que o aumento da participação dos idosos no mercado de trabalho revela tanto a capacidade de permanência ativa quanto a necessidade de muitos continuarem trabalhando para complementar a renda.
Ele aponta a reforma da Previdência de 2019, que elevou a idade mínima e o tempo de contribuição para aposentadoria, como um dos fatores que podem explicar esse cenário. Mas ele também aponta que está cada vez mais frequente a decisão de idosos que, após se aposentarem, resolvem permanecer no mercado de trabalho, o que é permitido pela Justiça brasileira.
“Muitos idosos também acabam por continuar trabalhando para permanecerem ativas, seja para se sentirem 'úteis' ou por já estarem acostumadas a ter uma rotina de trabalho diário”, observa a diretora do Center RH Eliana Machado.
A decisão de se manter no mercado de trabalho também é alimentada pela necessidade de arcar com seus custos de vida.
André Braz, superintendente de Índices de Preços do FGV IBRE, explica que na composição na cesta de consumo desse grupo tende a ganhar peso itens como plano de saúde, medicamentos e produtos hortifrutigranjeiros, que podem representar uma pressão de preços diferente da observada nas demais faixas etárias.
Coordenadora de RH da Cobra Engenharia, Juliana Guimarães Meriguetti observa que profissionais mais experientes se destacam pela maturidade e comprometimento com o trabalho. “Esses trabalhadores construíram sua carreira na profissão e têm nela sua principal fonte de renda, o que reforça o seu senso de responsabilidade e dedicação. Isso acaba os valorizando num cenário com carência de mão de obra qualificada”.
Começou como motoboy
Festa-surpresa
Funcionário da Óticas Paris há 45 anos, José Roberto Oggioni começou a carreira na empresa como office-boy. Hoje, aos 66 anos, atua como gerente e comanda a unidade da Ótica Paris no Shopping Vitória.
Oggioni, que na última quarta-feira ganhou até bolo da empresa como parte de uma festa-surpresa pelos 45 anos como funcionário, conta que apesar de já ser aposentado, não se vê parando de trabalhar, já que se sente com saúde e felicidade na função que exerce.
“Aprendi um pouco de tudo ao longo da minha vida aqui, e sou muito feliz. O contato diário com clientes e com a equipe é algo muito positivo que não quero perder tão cedo”.
Na construção desde os 18 anos
Prestes a completar 63 anos, o pedreiro José Augusto Ribeiro trabalha em uma obra da construtora Cobra, em Linhares.
Ele conta que, mesmo estando próximo de se aposentar, não pensa em parar de trabalhar, já que pretende manter sua realidade financeira como está.
“O valor pago por uma aposentadoria pode não cobrir os gastos financeiros da minha família. Eu trabalho desde os 18 anos na área da construção civil e não me vejo trabalhando com outra coisa nesse momento, até pelo valor que recebo hoje”, disse.
Dados
- O crescimento do emprego entre idosos ocorre em ritmo superior ao envelhecimento da população, mas é marcado pela alta informalidade. Mais da metade (53%) dos trabalhadores com 60 anos ou mais atua de forma informal, índice superior ao da população geral (38%) e ao dos jovens de 18 a 24 anos (41%).
- Segundo a Nexus, realizadora do levantamento, a pesquisa conclui que a elevada informalidade entre os trabalhadores 60+ indica precarização do trabalho e reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à formalização, além de adaptações nas empresas para promover inclusão geracional, benefícios e melhores condições de trabalho.
- Nos últimos dez anos, o número de trabalhadores com 60 anos ou mais no Brasil
- Cresceu 53%, passando de 5,7 milhões para quase 8,8 milhões, enquanto essa população aumentou 37%, de 25,8 milhões para 35,2 milhões. Em 2025, 25% dos idosos estavam ocupados, a maior taxa da década.
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