Ator Bruno Bellarmino: "Já fui xingado na rua por fazer vilão"
Em entrevista ao AT2, o ator pernambucano Bruno Bellarmino fala sobre micos que vive por causa de personagens e a fama de “rei das séries”
Apanhar na rua, ser xingado por causa de um personagem. Quando um ator interpreta um vilão tão bem a ponto de despertar esse ódio no público, chega a se sentir orgulhoso.
Bruno Bellarmino, o malvado Gastão Maleiro da série “Cangaço Novo”, experimentou esse “reconhecimento”. “Já fui xingado em alguns lugares, sim. Só que, na maioria das vezes, vinha naquele tom misturado de raiva com admiração pelo personagem. Então, acabava sendo mais um elogio meio torto”, contou o ator pernambucano, considerado “rei das séries” por ter atuado em mais de 20 produções.
“O Gastão me colocou em alguns desses ‘micos’ pelo caminho, mas isso também faz parte quando um personagem pega esse tipo de impacto no público”, completou ao AT2.
Para quem ainda não viu a série, Gastão é um político corrupto que se faz de bom moço, mas, no passado, violentou duas crianças. Foi justamente interpretando o vilão que Bruno acabou descobrindo um fato triste a respeito de sua mãe: ela também foi abusada na infância. “Ela foi abusada pelo padrasto, e fiquei horrorizado com isso”, afirmou.
Apesar da energia pesada de um vilão, ele diz que “aceitaria na hora” se fosse chamado para viver mais um malvadão.
“Eu carrego um pouco de cada personagem”
AT2 — Como se sente sendo conhecido como “rei das séries”? Foram mais de 20...
Bruno Bellarmino — Olha, eu não sou rei de nada, não. (Risos) Fico muito feliz pelo carinho das pessoas e por ter participado de tantos projetos que marcaram o público, mas, esse título, eu deixo para quem assiste e acompanha o meu trabalho.
Esse é um formato que você prefere ou essa tendência de fazer séries foi por acaso?
Não, não foi por acaso. A partir do momento em que as plataformas de streaming começaram a crescer no Brasil, surgiu uma demanda muito grande por produções. Foi justamente essa demanda que acabou me levando para o audiovisual.
Na época, eu tinha acabado de chegar a São Paulo e começaram a surgir muitas séries sendo produzidas por aqui. Eu procurei aproveitar ao máximo as oportunidades que apareceram e fui fazendo um projeto atrás do outro. Então, foi o resultado de estar no lugar certo, trabalhando muito e aproveitando as oportunidades que surgiram.
Quais são suas séries preferidas?
Eu sou muito fã de “Família Sopranos” e “Band of Brothers”. Mas aquela de que eu realmente gostaria de ter participado é “Breaking Bad”.
Você costuma interpretar personagens “durões”. Tem algo parecido com eles?
Eu carrego um pouco de cada personagem comigo, sim. Eles acabam ficando em mim de alguma forma. Somos parceiros enquanto precisamos nos unir para contar uma história, mas cada um tem seu tempo e seu espaço.
As cenas pesadas de “Cangaço Novo” deixaram alguma marca em você?
Deixaram um sentimento de dever cumprido. Foram cenas muito intensas, que exigiram bastante da gente física e emocionalmente. O processo como um todo foi realmente exaustivo, mas o resultado final compensa tudo.
Como foi interpretar o mesmo personagem durante 4 anos? Em algum momento cansou e pensou em desistir?
Não. Eu gosto muito de “Cangaço Novo” e estava genuinamente curioso para ver o desfecho da história.
O Gastão é uma pessoa simpática. Acredita que vilões de verdade se escondem atrás de um sorriso?
Sim. Acredito que muitos vilões se escondem atrás de uma simpatia.
Também é chamado de galã. Gosta do título?
Prefiro dizer que esse carinho do público vai muito mais para os personagens do que para mim.
O que ele diz sobre...
Carreira
“Eu decidi que queria ser ator aos 15 anos. O que começou como uma brincadeira, quase sem pretensão, acabou se transformando em uma paixão enorme. Aos poucos, fui percebendo que aquilo não era apenas um hobby, mas algo que eu queria levar para a vida. Quanto mais eu conhecia esse universo, mais tinha certeza de que era nele que eu queria estar”.
Preconceito
“Já passei por situações desagradáveis por ser nordestino. Mas eram atitudes que revelavam muito mais a limitação de algumas pessoas do que qualquer coisa sobre mim ou sobre o Nordeste”.
Novelas
“Claro que quero atuar em novelas. É um lugar pelo qual tenho muito carinho. As novelas fizeram parte da minha vida desde cedo e guardo muitas lembranças desse momento em família. Seria uma grande realização poder fazer parte disso também como ator. Já fiz testes”.
Carreira internacional
“Já fui convidado para atuar fora do País. Tenho me dedicado a estudar outros idiomas todos os dias justamente para estar preparado quando outras oportunidades surgirem. Acho importante estar atento e pronto para atuar em diferentes mercados, se isso fizer sentido dentro da minha trajetória”.
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