Cai o número de crianças com acesso a celular
Preocupação com a privacidade e a segurança foi a razão alegada por 32% dos pais entrevistados na pesquisa
O número de crianças e adolescentes com acesso a celular caiu no Brasil e o principal motivo relatado é a preocupação dos pais com privacidade e segurança. Os levantamento é do IBGE, que divulgou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) ontem.
A proporção de crianças de 10 a 13 anos que tinham o aparelho em 2025 caiu, pela primeira vez, desde o início da pesquisa , em 2016.
O IBGE identificou que, no ano passado, 55,2% dos brasileiros nessa faixa etária tinham celular, um recuo de 1,5 ponto percentual na comparação com 2024.
O receio com a privacidade e a segurança foi a razão alegada por 32% dos entrevistados. Para Rodrigo Aboudib, pediatra e membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), os números são positivos.
“Nós, pediatras, insistimos na importância do controle do uso de telas por crianças e adolescentes. Portanto, é extremamente positivo que essa faixa etária esteja utilizando menos celulares e, por consequência, fiquem expostas a menos riscos na internet, como assédio sexual, por exemplo”.
Na casa da professora Marcela Mangaravite, a filha Amanda, de 11 anos, não tem acesso ao celular e nem usa o dispositivo dos pais. A mãe, de 43 anos, conta que busca proteger a filha de riscos.
“Optei por adiar o uso do celular porque acredito que ela ainda está em uma fase importante do desenvolvimento. Quero que ela tenha mais tempo para estudar, brincar e conviver com a família. Além disso, a internet expõe crianças a riscos como conteúdos impróprios e contato com desconhecidos”.
Marcela contou, também, que realiza atividades junto com a filha para ficar longe do celular: “Gostamos de jogar beach tennis, passear e também incentivo a leitura, desde pequena. Ela entende que não tem celular para proteção”, contou.
O controle do uso do celular por parte dos responsáveis também é enxergado como algo necessário e positivo para crianças e adolescentes por Eduardo Pinheiro, especialista em Segurança Digital.
“Os pais e as mães estão compreendendo que a internet é como a rua. Portanto, um celular na mão de uma criança, sem o devido controle do que ela está acessando e com quem está interagindo, a deixa muito vulnerável”, alertou.
Saiba mais
Menos telas
Crianças e adolescentes com idade entre 10 e 13 anos estão usando menos celular devido à preocupação com privacidade e segurança. É o que apontam dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
55,2% dos brasileiros nessa faixa etária tinham celular no ano passado, um recuo de 1,5 ponto percentual na comparação com 2024.
32% alegaram que o motivo principal é a preocupação com privacidade e segurança, 7,8 pontos percentuais mais do que em 2024.
No Estado
49,1% das crianças capixabas que tinham entre 10 e 13 anos possuíam celular no ano passado.
Em 2024, esse percentual era de 57%, confirmando a tendência nacional no Espírito Santo.
Desde 2018, o número no Estado vinha aumentando: de 94 pessoas com 10 anos ou mais que tinham celular, para 102 em 2019, chegando a 122 em 2024, mas reduzindo, no ano seguinte, para 111.
Internet
Por outro lado, a utilização da internet por pessoas com 10 anos ou mais apresentou aumento no cenário nacional e estadual.
168.736 mil pessoas tiveram acesso à internet em 2025 no Brasil, aumento de 2,2% em comparação com 2024, ano em que 165.093 internautas usaram o ambiente digital.
No Espírito Santo, 3.256 pessoas utilizaram a internet, aumento de 3,7% em relação ao ano anterior, no qual 3.064 acessaram a internet.
O levantamento analisou o período de referência dos últimos três meses e comparou os dados dos mesmos períodos nos outros anos.
Fonte: IBGE.
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