Secretaria de saúde investiga possível caso de dengue hemorrágica na Serra
Dentista de 29 anos morreu na terça-feira após começar a passar mal no sábado. Prazo para conclusão é de 90 dias após notificação
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) investiga se uma dentista, identificada como dentista Lorena Nascimento Cardoso, de 29 anos, morreu em decorrência de dengue grave, também conhecida como dengue hemorrágica. Moradora de Jacaraípe, Serra, ela morreu terça-feira (30).
Segundo João Paulo Cola, referência técnica das Arboviroses do Núcleo Especial de Vigilância Epidemiológica da Sesa, sempre que há suspeita de morte por dengue, o serviço de saúde responsável pelo atendimento deve comunicar o caso à secretaria em até 24 horas.
A partir da notificação, é instaurada uma investigação, que pode levar até 90 dias para conclusão.
O velório aconteceu ontem no Cemitério Jardim da Paz, na Serra, sob muita comoção. Segundo familiares, Lorena começou a passar mal no sábado. Ela procurou a UPA de Castelândia, na Serra, onde foi medicada e recebeu alta, sem diagnóstico inicial de dengue.
Na segunda-feira, voltou à mesma unidade com piora do estado de saúde. A família relata que exames apontaram queda nas plaquetas. Ela precisou ser entubada ainda na UPA e foi transferida para o Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, onde morreu.
A tia da dentista, a pedagoga Maria Aparecida Fraga do Nascimento Dias, 47 anos, contou que os sintomas mais graves surgiram quando ela procurou atendimento pela segunda vez. “Diarreia, vômito, estava com os olhos bem vermelhos e as manchas na pele”.
A prima da dentista, a estudante de Nutrição Lisandra Mara Camilo dos Santos, destacou a velocidade com que o quadro se agravou.
“O processo de passar mal e ir a óbito foi em menos de 24 horas. Ela começou a se sentir muito mal e aconteceu tudo muito rápido”.
Maria Aparecida disse que a sobrinha ia querer orientar sobre a doença. “Ela ia querer orientar sobre essa doença que a levou a óbito, que é a dengue hemorrágica. Um olhar de todos em volta, não só dos moradores, mas da prefeitura, sobre a doença e uma prevenção”.
O advogado Walas Espíndola, amigo da família, destacou que o momento é difícil para todos. “Ela tinha uma carreira brilhante, que vai embora muito cedo. É um momento em que amigos e familiares precisam de muito conforto”.
Em nota, a Secretaria de Saúde da Serra informou que Lorena foi atendida duas vezes na rede municipal. No segundo atendimento, com o agravamento do quadro clínico, recebeu assistência imediata e foi transferida para o Jayme.
Quatro pessoas morreram vítimas da doença este ano
Mesmo com a redução no número de casos de dengue em relação aos últimos anos, a doença já provocou quatro mortes confirmadas no Espírito Santo em 2026.
Os óbitos ocorreram em Vitória, Jerônimo Monteiro, Baixo Guandu e Nova Venécia.
Além disso, outras oito mortes seguem em investigação pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), enquanto 37 casos suspeitos já foram descartados.
De acordo com João Paulo Cola, referência técnica das Arboviroses do Núcleo Especial de Vigilância Epidemiológica da Sesa, o Estado não enfrenta um cenário de epidemia neste ano e registra uma queda superior a 50% nos casos suspeitos em comparação ao ano passado.
“A redução é atribuída, principalmente, ao fim de dois anos consecutivos de epidemia, em 2023 e 2024, e ao aumento da imunidade da população após infecções anteriores”.
Apesar do cenário mais favorável, Cola reforça que a dengue continua sendo uma doença endêmica no Espírito Santo e pode evoluir para formas graves, inclusive fatais. “Mesmo em períodos de baixa, a gente tem casos acontecendo e também risco de óbito”.
Segundo ele, os quatro óbitos confirmados neste ano envolveram três adultos jovens, na faixa dos 20 aos 30 anos, e um idoso.
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