PF faz operação contra fraudes em concursos no Nordeste
Ação mira organização criminosa e bloqueia mais de R$ 1,3 milhão em bens de investigados
A Polícia Federal (PF) deflagrou a terceira fase da Operação Chiado, que investiga uma organização criminosa especializada em fraudar concursos públicos e lavar dinheiro. Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão domiciliar e pessoal nos estados de Pernambuco e Paraíba.
As ordens judiciais foram expedidas pela 4ª Vara Federal da Seção Judiciária de Pernambuco e miraram os municípios de Recife, Itaquitinga, Goiana, Paulista e João Pessoa (PB). A Justiça também determinou o sequestro e o bloqueio de bens e ativos financeiros dos suspeitos em valores que superam os R$ 1,3 milhão.
Como funcionava o esquema
Segundo a Polícia Federal, as investigações são desdobramentos de fases anteriores que começaram em setembro de 2024, após a prisão em flagrante de cinco pessoas. Na ocasião, o grupo foi surpreendido usando pontos eletrônicos e aparelhos de transmissão de áudio durante a prova para a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).
A primeira fase ostensiva ocorreu em setembro de 2025, resultando na prisão preventiva do líder da organização. De acordo com a PF, o grupo era altamente estruturado e contava com uma divisão clara de tarefas:
- Núcleo de captação: Responsável por obter e transmitir as questões da prova de forma ilícita.
- "Passadores": Encarregados de ditar as respostas remotamente para os candidatos.
- Operadores financeiros: Focados em movimentar e ocultar os valores arrecadados (lavagem de dinheiro).
A estimativa da polícia é de que o grupo tenha fraudado mais de dez certames nas esferas federal, estadual e municipal em diferentes estados da Região Nordeste.
Os investigados podem responder pelos crimes de participação em organização criminosa, fraudes a certames de interesse público e lavagem de ativos. Somadas, as penas podem chegar a 24 anos de prisão. A PF informou que as investigações continuam em andamento.
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