Homem mata esposa a facadas em Areias após jogo do Brasil
Renata Vera Silva, de 40 anos, foi assassinada com quatro facadas pelo marido dentro de casa. Suspeito fugiu e um sobrinho de 12 anos ouviu o crime
Com informações de Carlos Simões
Uma mulher de 40 anos foi assassinada a facadas pelo marido na manhã desta terça-feira (30), dentro da residência do casal, na Rua Doutor Vilas Boas, no bairro de Areias, Zona Oeste do Recife. A vítima, a dona de casa Renata Vera Silva, recebeu quatro golpes de faca no tórax, peito e costas. Seu corpo foi encontrado na cama. O suspeito do crime é o marido dela, Humberto Correia de Lima, de 47 anos, que fugiu logo após o ato. O casal mantinha um relacionamento de 10 anos.
A dinâmica do crime aponta para um desfecho violento iniciado na noite anterior. Na segunda-feira, a família se reuniu na residência, decorada com bandeiras do Brasil, para comemorar a vitória da Seleção Brasileira contra o Japão. Durante os festejos, houve uma discussão por ciúmes entre Renata e Humberto. Testemunhas relataram que o homem deixou o local após o desentendimento, sob a alegação de que estava sendo "desmoralizado", e retornou por volta das 8h30 desta terça-feira com o objetivo de atacar a esposa.
No momento do crime, outras duas pessoas vulneráveis estavam no imóvel onde o casal morava: uma idosa de 90 anos, avó da vítima, que está acamada e impossibilitada de andar ou reagir, e um adolescente de 12 anos, sobrinho de Renata. Segundo a cunhada, que pediu anonimato, o homem trancou o garoto nos fundos da casa antes de se dirigir ao quarto onde a dona de casa repousava.
A perícia do Instituto de Criminalística (IC) constatou que Renata não teve oportunidade de defesa. Ela morreu no local, antes que qualquer socorro pudesse ser acionado. O corpo foi encaminhado para a sede do Instituto de Medicina Legal (IML), em Santo Amaro.
Histórico de ameaças e portas fechadas
Uma cunhada da vítima relatou que as brigas por ciúmes e as ameaças verbais eram recorrentes na rotina do casal. Apesar do histórico de agressividade verbal, Renata nunca havia registrado denúncias formais contra o marido por acreditar que a situação não evoluiria para a violência física. O casal não possuía armas de fogo em casa.
A testemunha que estava no local relatou que o filho de 12 anos escutou toda a ação criminosa trancado em um cômodo vizinho. A família informou que o menor deve receber acompanhamento psicológico para lidar com o impacto do episódio. Renata também deixa um filho de 17 anos, fruto de um relacionamento anterior, que não se encontrava no imóvel no momento do assassinato.
Investigação e buscas pelo suspeito
A Polícia Civil de Pernambuco assumiu as investigações e iniciou a coleta de depoimentos de vizinhos e parentes que estavam na festa na noite anterior. Viaturas realizaram buscas nas imediações do bairro de Areias e em possíveis locais de refúgio do suspeito, mas Humberto Correia de Lima permanece foragido.
O clima na Rua Doutor Vilas Boas é de isolamento e comoção. Vizinhos acompanharam o trabalho dos peritos e a remoção do corpo em silêncio, enquanto familiares se abraçavam na calçada da casa amarela onde o crime ocorreu. A polícia solicita que qualquer informação sobre o paradeiro de Humberto seja repassada aos canais de denúncia do Disque-Denúncia (180) ou (190).
Ameaças e lesões em dias de jogo aumentam
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam o tamanho do perigo: em dias de jogos de futebol, as ameaças contra mulheres sobem 23,7% e os casos de lesão corporal aumentam 20,8%. Segundo o Instituto Banco Vermelho, a culpa não é da bola ou do campo. O crime acontece quando o machismo e o sentimento de posse ganham espaço dentro de casa. "Nenhuma paixão pelo esporte pode servir de desculpa para a violência".
Se for preso, Humberto Correia pode responder aos seguintes crimes, a depender da promotoria.
Crime autônomo de feminicídio: pena de 20 a 40 anos.
Causas de aumento de pena (Art. 121-A, § 1º): como o crime foi praticado na presença da avó acamada e o sobrinho de 12 anos ouviu tudo trancado no quarto, a pena máxima de 40 anos ainda recebe o acréscimo de um terço até a metade.
Cárcere privado qualificado (Art. 148): Pelo confinamento do adolescente de 12 anos, somam-se mais 2 a 5 anos de reclusão. Se a intenção fosse proteger o garoto, o agressor teria mandado o menino sair de casa, ir para a calçada ou procurar um vizinho. Trancar um menor de idade em um cômodo, sabendo que ele passaria pelo desespero de ouvir os gritos e o sofrimento da tia sem poder fazer nada, é o oposto de proteção. É submeter a criança a um cárcere com violência psicológica extrema.
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Veja a matéria sobre o feminicídio de Renata e desdobramentos neste link abaixo do JT1, apresentado por Artur Tigre. É só clicar.
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