Ex-companheiro descumpre medida e tenta matar mulher em Jaboatão dos Guararapes
Vendedora de 27 anos sofreu fratura no maxilar após ser espancada na véspera de São João; suspeito descumpriu medida protetiva e segue solto
Com informação de Rubens Marinho
A vendedora Fernanda Barros, de 27 anos, sobreviveu a uma tentativa de feminicídio dentro da própria casa, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. O crime aconteceu na véspera de São João, na noite do dia 23 de junho. O suspeito é o ex-companheiro da vítima, que descumpriu uma medida protetiva de urgência existente contra ele. Após desferir sucessivos socos, arrastar a mulher pelo cabelo e golpear a cabeça dela contra o vidro de um guarda-roupa, o homem fugiu do local. Ele levou as chaves do imóvel e deixou a vítima desmaiada no chão. Para Fernanda, ele acho que ela estava morta.
O suspeito continua solto mesmo tendo descumprido uma medida protetiva.
A mãe de Fernanda estranhou a falta de respostas aos telefonemas e foi até a residência, onde encontrou a filha desacordada, ensanguentada e ferida. A vendedora sofreu hematomas por todo o corpo e uma fratura no maxilar. A agressão aconteceu após o retorno de uma festa, motivada por ciúmes. O histórico de violência do casal, que viveu junto por um ano dentro de um relacionamento de seis anos, inclui agressões físicas durante a gestação de Fernanda e um episódio em que ela foi agredida enquanto segurava a filha do casal, uma bebê que hoje tem 3 meses de vida, nos braços.
Falha na rede de proteção e tipificação do crime
A defesa técnica da vítima aponta falhas graves na condução inicial do caso pelo sistema de segurança pública. De acordo com a advogada Amanda Florentino, o novo boletim de ocorrência foi registrado inicialmente como lesão corporal e novo pedido de medida protetiva, omitindo o crime de descumprimento de medida protetiva já vigente — conduta que enseja prisão em flagrante. A equipe jurídica solicitou a alteração da tipificação no inquérito policial para que o agressor responda por tentativa de feminicídio.
"A defesa esteve na delegacia e fez essa solicitação de alterar o crime imputado. Houve um descumprimento de medida protetiva que já caberia a decretação da preventiva ou a aplicação de tornozeleira eletrônica", afirmou a advogada Amanda Florentino.
Vulnerabilidade financeira e dependência
O retorno de Fernanda ao convívio com o agressor, mesmo após a denúncia anterior, ocorreu devido à dependência financeira. A bebê de 3 meses não é lactante e necessita de insumos específicos, como leite artificial e fraldas, que eram custeados integralmente pelo suspeito. A defesa ressalta que a ausência de fixação de alimentos provisionais de urgência na primeira medida protetiva gerou uma dupla vulnerabilidade, deixando mãe e filha desamparadas e expostas ao ciclo de violência patrimonial e física.
Atualmente, Fernanda Barros não pode retornar para a residência e conta com o suporte material de amigos e familiares para abrigar e alimentar a filha. O processo tramita em segredo de Justiça, e a defesa monitora os pedidos judiciais para a expedição do mandado de prisão preventiva e a inserção da vítima em programas de monitoramento de aproximação por geolocalização.
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