EDP vai investir 5 bilhões de reais no Espírito Santo
Investimentos vão reforçar infraestrutura para atender ao aumento do consumo de energia e tornar a rede mais resiliente
A EDP vai investir R$ 5 bilhões no Espírito Santo até 2030 para modernizar a rede elétrica, ampliar a automação do sistema e reforçar a infraestrutura de distribuição de energia.
O plano inclui instalação de redes mais robustas e resilientes, modernização de equipamentos, implantação de novas tecnologias e sistemas automatizados.
A aplicação dos recursos será coordenada pelo novo diretor-geral da EDP no Estado, Marcos Alexandre de Campos, anunciado ontem pela empresa. O executivo visitou ontem a sede da Rede Tribuna, em Vitória.
O plano bilionário ocorre em um momento de aumento da demanda por energia e de maior pressão sobre a rede elétrica diante de eventos climáticos severos.
Segundo a EDP, os investimentos buscam dar mais eficiência à operação, melhorar a capacidade de resposta do sistema e preparar a infraestrutura para os desafios da transição energética.
A companhia informou anteriormente que quatro subestações inauguradas no Estado somaram R$ 206,5 milhões em investimentos e beneficiam mais de 500 mil moradores de Cariacica, Viana, Vila Velha, Ibitirama, Muniz Freire, Alegre e Divino São Lourenço.
As estruturas fazem parte do esforço de reforço da rede e foram implantadas com tecnologia de comando digitalizado.
Desde 2020, a EDP inaugurou 29 subestações no Espírito Santo. Atualmente, a empresa conta com 117 subestações distribuídas pelo Estado. Todas são monitoradas remotamente pelo Centro de Operação Integrado, em Carapina, na Serra, que funciona 24 horas por dia e permite manobras remotas, acompanhamento em tempo real da rede e análise de condições meteorológicas.
Marcos Campos assume a operação capixaba após comandar a EDP em São Paulo entre fevereiro de 2024 e abril de 2026. Engenheiro eletricista, ele tem 38 anos de trajetória no Grupo EDP, com atuação no Brasil e em Portugal.
No Espírito Santo, a distribuidora atende cerca de 1,7 milhão de clientes em 70 municípios. Segundo a EDP, o mercado capixaba tem relevância estratégica para o crescimento da companhia, que completa 50 anos de atuação global e 30 anos de presença no Brasil.
Um dos desafios do setor elétrico, segundo a EDP, é equilibrar a crescente geração de energia renovável com o consumo em tempo real.
Em períodos de baixa demanda, como domingos e feriados, a produção solar pode superar o consumo, o que reforça a necessidade de ampliar a transmissão, investir em armazenamento de energia e manter fontes de geração de respaldo, como as usinas termelétricas, para garantir a estabilidade do sistema.
PERFIL
Marcos Alexandre de Campos
> Novo diretor-geral da EDP no Estado.
> Formação: Engenheiro eletricista, com MBA em Gestão Empresarial e MBA Executivo Internacional.
> Experiência: 38 anos de trajetória no Grupo EDP, com atuação no Brasil e em Portugal.
> Especialidade: Gestão de operações, manutenção, expansão de redes, relacionamento com clientes e modernização do sistema elétrico.
Tecnologia antifurto é exportada
Uma tecnologia desenvolvida pela EDP no Brasil para combater furtos de energia passou a ser utilizada também nas operações da companhia na Europa, mais especificamente em Portugal.
Segundo o novo diretor-geral da empresa no Espírito Santo, Marcos Alexandre de Campos, a solução tornou-se um caso de sucesso dentro do grupo e acabou invertendo um fluxo normalmente associado ao setor elétrico, no qual tecnologias costumam ser importadas do mercado europeu.
O sistema foi criado para enfrentar um dos principais desafios das distribuidoras brasileiras: as ligações clandestinas de energia.
Para isso, a EDP desenvolveu cabos antifraude que conectam diretamente o transformador ao medidor e, deste, ao imóvel do consumidor, eliminando pontos vulneráveis onde normalmente eram feitos os chamados “gatos”.
A tecnologia também permite monitoramento remoto da rede, identificando tentativas de violação em tempo real. Segundo Marcos Campos, a experiência acumulada pela equipe brasileira transformou o País em referência interna no combate às perdas de energia.
Operações
A metodologia desenvolvida no Brasil passou a ser compartilhada com outras operações do grupo, levando para a Europa soluções concebidas e testadas no sistema elétrico brasileiro.
Automação garante menos interrupção no serviço
Os investimentos previstos pela EDP no Estado também têm como foco ampliar a automação da rede elétrica para reduzir o tempo de interrupção no fornecimento. Segundo Marcos Alexandre de Campos, o Estado já apresenta indicadores superiores à média nacional.
Os investimentos previstos pela companhia até 2030 incluem a expansão de sistemas inteligentes capazes de identificar falhas automaticamente, isolar o trecho afetado e restabelecer o fornecimento para a maior parte dos consumidores sem necessidade de intervenção imediata das equipes de campo.
O objetivo, segundo o diretor-geral da companhia, é fazer com que a falta de energia se torne cada vez mais uma exceção, mesmo diante do crescimento da demanda e dos desafios impostos por eventos climáticos mais intensos.
Fio subterrâneo 10 vezes mais caro
Apesar de ser frequentemente apontada como solução para melhorar o aspecto urbano e reduzir a exposição da rede elétrica, a implantação de fiação subterrânea em larga escala esbarra no custo elevado e é uma escolha que toda a sociedade precisaria abraçar.
Segundo o diretor-geral da EDP no Estado, Marcos Alexandre de Campos, o investimento necessário é cerca de 10 vezes maior do que o de uma rede aérea convencional.
Como os investimentos realizados pelas distribuidoras são incorporados à tarifa de energia, o executivo afirma que uma substituição ampla teria impacto significativo para os consumidores.
Por esse motivo, projetos de redes subterrâneas costumam ser concentrados em áreas específicas, como centros históricos, novos loteamentos e condomínios, geralmente com participação de prefeituras ou da iniciativa privada no financiamento das obras.
A implantação de redes subterrâneas em larga escala provocaria, ainda, grandes intervenções nas cidades, com impactos na mobilidade e na infraestrutura urbana.
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