Líbano, Israel e EUA assinam acordo de paz trilateral
Documento trilateral para cessar hostilidades foi assinado em Washington; anúncio ocorreu sem detalhar termos.
Estados Unidos, Israel e Líbano assinaram nesta sexta-feira (26) um acordo-quadro para cessar as hostilidades na região.
O acordo foi anunciado pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, após negociações em Washington. A embaixadora libanesa, Nada Moawad, e seu homólogo israelense, Yechiel Leiter, assinaram o documento trilateral no Departamento de Estado.
"Temos o prazer de anunciar um acordo-quadro entre o governo soberano do Líbano e, é claro, o governo de Israel, com a mediação e o apoio dos Estados Unidos da América", disse Rubio durante a cerimônia de assinatura.
O acordo estabelece "um marco para uma paz e uma segurança duradouras", acrescentou o chefe da diplomacia americana. "Hoje demos o primeiro passo no que será uma jornada difícil, sem dúvida, mas importante, essencial e necessária."
Os representantes não forneceram detalhes do acordo-quadro e não disseram como seus termos difeririam daqueles incluídos no acordo de cessar-fogo de 16 de abril que precedeu várias rodadas de negociações entre Israel e o Líbano mediadas pelos EUA.
"O acordo trilateral que assinamos hoje é um primeiro passo no caminho para restaurar a soberania e a integridade territorial libanesa, garantir uma cessação permanente e definitiva das hostilidades, permitir que nosso povo volte às suas terras e possibilitar que todos os libaneses vivam em paz, segurança e prosperidade", disse Moawad, a embaixadora libanesa.
"Neste acordo trilateral baseado em desempenho, o Irã está fora, o Hezbollah está fora, e o caminho para a paz entre Israel e o Líbano está aberto", afirmou o embaixador israelense.
A paz no Líbano é colocada por negociadores iranianos como pré-requisito para o fim da guerra com os EUA e Israel. O principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, voltou a afirmar isto nesta quarta-feira (24).
Israel e o Líbano estão em guerra novamente desde 2 de março, quando o grupo extremista Hezbollah disparou contra o vizinho, em apoio ao Irã. Os israelenses responderam com ataques aéreos e terrestres, que já mataram mais de 4.000 pessoas no Líbano.
Quatro rodadas de negociações entre os dois países, realizadas desde abril, não haviam conseguido estabelecer um cessar-fogo duradouro. Nesta terça-feira (23), por exemplo, o Exército israelense matou duas pessoas no sul do Líbano. O Hezbollah acusou Israel de violar novamente o cessar-fogo assinado no dia 19 de junho.
Apesar das falas apaziguadoras dos representantes diplomáticos, o caminho não dá sinais de que será fácil. Após o anúncio do acordo, um parlamentar libanês ligado ao Hezbollah, Hassan Fadlallah, afirmou em entrevista à emissora Al Mayadeen que o grupo enfrentará qualquer medida adotada pelas autoridades do Líbano e que se apegará "ainda mais" às suas armas.
Além disso, o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu afirmou que os civis libaneses deslocados da chamada "zona de segurança" que as forças israelenses estabeleceram no sul do Líbano não terão permissão para retornar às suas casas.
"Estamos mantendo a zona de segurança original em todos os momentos, fora do alcance de fogo antitanque. Não estamos permitindo que o Hezbollah entre nela, nem estamos permitindo que a população civil entre", disse Netanyahu em um vídeo pré-gravado compartilhado com a mídia israelense logo após o anúncio do acordo trilateral.
Segundo o jornal Times of Israel, um oficial israelense afirmou que as tropas de seu Exército só recuarão de duas áreas localizadas além das fronteiras originais da zona de segurança estabelecida em abril.
As Forças Armadas avançaram para o norte, ocupando mais território libanês desde então. É de duas dessas áreas que Israel concordou em se retirar no acordo de hoje com o Líbano, de acordo com o jornal.
Nas negociações do acordo-quadro em Washington nesta semana, Israel insistiu em manter as fronteiras originais da zona de segurança. O argumento é que o território é necessário para garantir que as cidades da fronteira norte não fiquem ao alcance dos mísseis do Hezbollah.
Forças israelenses lançaram panfletos sobre a cidade de Mansouri, no sul do Líbano, nesta sexta-feira, ordenando que os moradores saíssem, informou a mídia estatal libanesa. É a primeira ordem desse tipo emitida desde que o mais recente cessar-fogo entre Israel e Hezbollah entrou em vigor.
Um porta-voz militar israelense disse que os militares emitiram o que descreveu como um "lembrete" à população civil de que "a área está dentro da zona de segurança na qual soldados operam. É um lembrete para não estar na área para que não sejam feridos".
Autoridades do Líbano afirmam que tropas israelenses estão impondo o limite norte da zona atirando em qualquer pessoa que se aproxime, incluindo civis e soldados libaneses.
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