Renzo Vasconcelos, prefeito de Colatina: “Trabalho para o PSD crescer”
Presidente estadual do partido garante espaço para Sergio Meneguelli nas eleições e mantém alinhamento com os Republicanos
O prefeito de Colatina e presidente estadual do PSD, Renzo Vasconcelos, está à frente da “Princesinha do Norte” — a qual diz que quer transformar em “Rainha” —, há 1 ano e 6 meses.
Em entrevista para A Tribuna, comentou que já conseguiu entregar diversos resultados, mas que ainda há muito por fazer. Em ano de eleição, também comentou a respeito da participação do PSD no tabuleiro eleitoral.
O partido caminha, hoje, no palanque do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos).
A Tribuna - Prefeito, teremos eleições este ano. Gostaríamos de saber como anda sua relação hoje com o Palácio Anchieta.
Renzo Vasconcelos - Eu sempre disse que tanto o governador Ricardo Ferraço (MDB) quanto Casagrande (PSB) são pessoas capazes, competentes, com condições de tocar o Estado. Não tenho nenhuma dificuldade em reconhecer a capacidade das pessoas.
Eu, presidente estadual do PSD, sigo as determinações do presidente nacional, Gilberto Kassab, que já definiu que o PSD andaria com os Republicanos.
Uma coisa é o meu CPF, outra coisa é o CNPJ, que já está lá garantido. Eu não tenho obrigações de fazer nenhum movimento que não seja em prol de Colatina. Então, eu preciso defender a cidade a qual eu governo, mas eu tenho que ser honesto como sempre.
Não me foi dada a oportunidade de criar relações institucionais, tanto de retomar os empreendimentos possíveis passados como criar novos empreendimentos.
O que a gente construiu com o Estado foi a possibilidade de fazer uma encosta no bairro Vista da Serra. Mas isso também não acontece na velocidade que eu gostaria, porque o recurso vem em parte e ele vai sendo liberado de acordo com a execução.
Embora o PSD esteja com o Republicanos, há a possibilidade de algo mudar nesse sentido e você caminhar com o Palácio?
Eu tenho certeza que o PSD caminha com o Republicanos, essa é a obrigação, e a gente tende a seguir as orientações partidárias, até por conta de infidelidade, mas também não é caça às bruxas, a gente precisa respeitar as instituições e as pessoas, e a capacidade política de cada um, então ninguém é inimigo de ninguém, pelo menos da minha parte, e ninguém está aqui para criar dificuldade para ninguém. Quem trouxer investimentos é quem vai ter a honraria, independente de palanques.
E quanto a vaga de senador e vice-governador que o partido pode indicar neste ano?
Sergio Meneguelli (PSD) será candidato aqui ao que ele quiser. Isso já foi definido por Gilberto Kassab (PSD) e por mim. Meu compromisso é dar a vaga para ele. O ex-governador Paulo Hartung (PSD) disse que pode ser tudo, ou pode ser nada. Mas se for preciso, também dou legenda a ele.
A palavra de homem não faz curva. No PSD, Meneguelli não vai ser minado.
A respeito da vice, vaga cotada para ser preenchida pela minha esposa, Lívia Vasconcelos (PSD). Como presidente estadual do PSD, digo que eu gostaria muito que ela fosse candidata a estadual, federal ou outro cargo, mas como marido, e isso conta, eu não gostaria que ela entrasse na vida pública.
Nós dois temos filhos pequenos, e eu já tenho minhas responsabilidades na prefeitura. Acho que seria prejudicial para a carreira dela, ela é médica oncologista.
Então, eu não gostaria que ela disputasse nenhuma vaga, embora ela esteja animada. Volto a dizer, o PSD, aonde estiver, vai galgar espaços. Tenho obrigação de fazer o partido crescer no Espírito Santo.
E quanto ao ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon?
Guerino é um excelente ativo. Eu pedi para ele seguir no PSD. Fizemos um bom trabalho, entregamos três vereadores em Linhares, enfim, eu acho que é um excelente ativo e um ótimo candidato ao que for: deputado estadual ou federal. A envergadura dele eu acho que é mais de federal, mas também é um excelente nome para vice, então é um ativo que o PSD tem para compor qualquer quadro, e pode ter certeza, eu trabalharei, estou trabalhando para dar tamanho ao PSD aqui no Espírito Santo.
Falando sobre Colatina, o que o senhor tem feito para colocar a cidade como protagonista no Noroeste?
Colatina é uma grande prestadora de serviços na Saúde e na Educação, sendo referência para muitos municípios. Na saúde, temos o hospital Silvio Avidos e, em especial, o São José, que atende 100% pelo SUS e hoje é o maior prestador do Espírito Santo em especialidades como radioterapia, quimioterapia, cirurgias cardiológicas e vasculares.
Na Educação, contamos com dois centros universitários públicos, os IFES de Itapina e do Centro, dois particulares e o Unesc.
Isso movimenta muito a economia, somando-se à nossa forte aptidão comercial, às rochas ornamentais e à potência do café. Tudo isso posiciona muito bem Colatina no Estado, sobretudo no Noroeste.
Qual o panorama e do município no fator equilíbrio de contas?
Eu sempre disse que, para cuidar de pessoas, primeiro é preciso cuidar das contas públicas. Entre 2024 e 2025, pegamos o município endividado, comprometendo 97% das despesas correntes líquidas, o que nos deixava apenas 3% para administrar.
Em um ano, segundo o Tribunal de Contas, reduzimos esse índice para 86%, e os gastos com pessoal caíram de 42% para 37%. Com isso, a nota Capag do município subiu de C para A.
É obrigação da gestão trazer a eficiência do setor privado para o setor público, mesmo no primeiro ano e com um orçamento que não foi desenhado por nós.
Além disso, Colatina não tinha um sistema eletrônico. Estamos implantando o “Colatina Digital” para que contadores, advogados e a população resolvam tudo on-line, pelo site, sem filas ou desperdício de papel. O próximo passo é um aplicativo integrado para simplificar a vida do cidadão, incluindo agendamentos, processos, licenças e serviços para pets.
E a sonhada Terceira Ponte de Colatina, prefeito?
Esse imbróglio da terceira ponte vem desde 2010, é um negócio antigo que toda eleição vem à tona com um projeto feito em 2013. Como prefeito, é óbvio que eu quero a terceira ponte. É um investimento gigante e uma obra importante para Colatina.
O município não recebeu e não é um convênio; é execução direta, onde a empresa ganha, faz o projeto e executa a obra. Eu gostaria até que fosse um convênio direto com a prefeitura. Mas esse assunto é um entrave que eu acredito que dependendo da gente dará certo.
Quem é
Renzo Vasconcelos
- Iniciou sua carreira política como vereador em Colatina, sendo eleito em 2012 como um dos parlamentares mais votados do município.
- Em 2018, deu um salto para a política estadual ao se eleger deputado estadual com mais de 42 mil votos.
- na eleição de 2022, teve mais de 80 mil votos para deputado federal, mas não chegou à Câmara por conta do coeficiente eleitoral. Na época estava no PSC.
- Em 2024, pelo PSD, venceu uma disputa acirrada, elegendo-se com 39,82% dos votos válidos.
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