Conexão Copa 2026: a copa que se vive dentro e fora do estádio
Ingressos caros, logística rígida em Miami e ruas discretas em Nova Iorque marcam uma Copa vivida mais dentro dos estádios do que fora deles
A primeira fase chegou ao fim e algumas impressões já começam a ganhar força. Depois de percorrer cidades-sede, acompanhar de perto a rotina da Seleção Brasileira e viver o dia a dia do Mundial nos Estados Unidos, ficou claro que esta Copa tem características muito próprias.
Dentro de campo, o Brasil cresceu ao longo da competição, terminou na liderança do grupo e viu Vinícius Júnior assumir o protagonismo da equipe. Fora dele, vi ingressos vendidos por até R$ 13 mil, uma long neck a R$ 78, corridas de aplicativo de pouco mais de 20 quilômetros que chegaram a custar R$ 500, um esquema de segurança rigoroso e um país que parece viver a Copa de forma diferente das outras cinco edições que acompanhei presencialmente.
Uma copa para poucos
Se o futebol aproxima as pessoas, os preços afastam muita gente dos estádios.
Em Miami, um ingresso chegou a custar US$ 2.500. Na cotação de ontem, cerca de R$ 13 mil. Isso mesmo: R$ 13 mil. E, para espanto de muitos, nem pagando esse valor era fácil encontrar entradas disponíveis.
Assistir a um jogo da Copa do Mundo do estádio virou um privilégio para poucos.
E a conta não termina na entrada. Uma simples long neck custa cerca de R$ 78.
A conta continua
Os gastos continuam depois do apito final. Após o jogo entre Brasil e Escócia, uma corrida de aplicativo de pouco mais de 20 quilômetros saiu por cerca de R$ 500.
Até uma refeição simples pesa no orçamento. Em um supermercado, uma refeição custa, em média, US$ 25, aproximadamente R$ 130.
Quem decidiu acompanhar a Copa de perto percebe rapidamente que o ingresso é apenas o primeiro item da conta.
Segurança máxima
Miami apresentou, até aqui, o esquema de segurança mais rigoroso que encontrei nesta Copa.
Nas proximidades do estádio, praticamente ninguém conseguia se aproximar sem ingresso. O acesso começava muito antes dos portões. O torcedor precisava apresentar o bilhete em barreiras montadas no entorno da arena e, somente depois da conferência, embarcava em ônibus oficiais da FIFA, que faziam o transporte até a entrada. Muito policiamento, cães farejadores e um controle de acesso que não observei nem mesmo em Nova Iorque.
Clima de copa?
Nos Estados Unidos, a Copa parece acontecer muito mais dentro dos estádios do que nas ruas.
Em Nova Iorque, por exemplo, o aeroporto praticamente não faz referência ao Mundial. Na Times Square, o torneio divide espaço com os luminosos, os musicais da Broadway, o basquete e as inúmeras atrações da cidade. A rotina segue praticamente inalterada.
Foi a primeira vez, em seis Copas do Mundo, que desembarquei em uma cidade-sede sem sentir imediatamente que havia um Mundial acontecendo.
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