Europeus e chineses vão disputar construção de ferrovia até o Rio de Janeiro
Concessão para instalar e operar a ferrovia até o Rio já atrai ao menos quatro grupos empresariais. Leilão é para outubro
Pelo menos quatro grandes grupos já manifestaram interesse em participar do leilão que vai decidir quem irá construir a EF-118, ferrovia que ligará o Espírito Santo ao Rio de Janeiro.
A espanhola Acciona, a Power China e o consórcio formado pelas gestoras 4UM (antiga J.Malucelli) e Opportunity estão na lista de empresas que estariam preparando uma proposta, segundo reportagem do jornal Valor Econômico.
Em nota, a Acciona informou ao jornal que “está constantemente analisando oportunidades no setor de infraestrutura que estejam alinhadas à sua estratégia de negócios e de gerar impacto positivo para a sociedade”. Já a Power China, a 4UM e a Opportunity não responderam à reportagem.
Procurado por A Tribuna, o Ministério dos Transportes informou que o projeto tem despertado “forte interesse de diversas empresas brasileiras e estrangeiras”, que têm procurado o ministério para obter mais informações sobre o projeto e acompanhar a evolução.
Roadshows e reuniões com investidores, operadores e potenciais parceiros para apresentar os detalhes da modelagem e as oportunidades associadas ao empreendimento estão sendo promovidos pelo governo federal para atrair novas ofertas, disse o ministério.
Em maio, o governo do Estado já havia adiantado que o edital sairia até julho. Na ocasião, as informações eram de que o governo federal estava na antessala de tomar a decisão de publicar o leilão da ferrovia conectando Anchieta com a Grande Vitória, aproveitando todas as cargas que vêm da região Centro-Oeste do País.
O Ramal Anchieta, de Santa Leopoldina ao Porto de Ubu, não será mais feito pela Vale, conforme as informações. Ele entrará na concessão, mas com valores vindos da repactuação do contrato das ferrovias da empresa.
As informações são de que os recursos da Vale que estão separados vão entrar para ser feita uma concessão patrocinada, e esses recursos vão reduzir o investimento necessário da concessionária.
Financiamento
Uma nova linha de crédito para financiar projetos ferroviários, anunciada pelo Ministério dos Transportes e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pode ainda contribuir para destravar os investimentos na EF-118.
O mecanismo, ainda em elaboração, promete dar prazo de 40 anos de financiamento a empresas.
Entenda
Anel Ferroviário do Sudeste
Está previsto para fazer a ligação entre Santa Leopoldina, onde estará conectada à malha da ferrovia Vitória a Minas, e Nova Iguaçu (RJ), com conexão à malha da MRS Logística, totalizando 575 km de extensão.
Além da implantação da infraestrutura ferroviária no trecho da EF-118, entre São João da Barra (RJ) e Santa Leopoldina, a futura concessão prevê a prestação do serviço de transporte ferroviário de cargas associado à exploração da infraestrutura ferroviária no trecho.
A ferrovia tem conexão com os portos do Rio de Janeiro e de Vitória, e poderá conectar-se a outros portos do Espírito Santo, como o Porto de Ubu e o Porto Central, e do estado do Rio de Janeiro, como os portos do Açu, Barra do Furado e Imbetiba, dependendo da viabilidade da execução dessas ligações.
Edital
O Ministério dos Transportes planeja publicar ainda neste mês o edital da concessão da EF-118. A concessão terá 50 anos.
A Fase 1 do projeto compreende a ligação entre Santa Leopoldina e São João da Barra (RJ), incluindo o Ramal Anchieta (de Santa Leopoldina a Anchieta), com cerca de 250 quilômetros no total.
Uma mudança importante na modelagem é que o Ramal Anchieta, inicialmente previsto para ser construído pela Vale como contrapartida da renovação da EFVM, foi incorporado ao objeto da concessão.
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