São João: vendedor precisa calcular lucro para não perder dinheiro no fim do mês
Comerciantes autônomos aproveitam festas para faturar, mas contador alerta sobre risco de confundir o dinheiro que entra com o ganho real
O comércio junino movimenta bilhões de reais no Nordeste e movimenta a renda de milhares de trabalhadores autônomos. Barraqueiros, ambulantes, costureiras e cozinheiros transformam as festas em fonte de arrecadação. O período coincide com o fechamento do primeiro semestre de 2026, momento em que o mercado avalia os resultados financeiros do ano.
O contador Paulo de Tarso, da CSMalta Contabilidade, aponta que a falta de controle sobre os custos esconde o resultado real das vendas.
“É comum encontrarmos pessoas que sabem exatamente quanto venderam durante as festas, mas não conseguem dizer quanto realmente lucraram. Faturamento e lucro são coisas completamente diferentes”, explica.
Formalização e divisão de contas
O profissional indica a inscrição como Microempreendedor Individual (MEI) para quem planeja manter a atividade após os festejos. O registro garante CNPJ e direitos previdenciários.
“O MEI oferece benefícios importantes, como emissão de notas fiscais, acesso à Previdência Social e possibilidade de abertura de conta empresarial. Para quem pretende transformar a renda extra em uma atividade permanente, a formalização pode representar mais segurança e oportunidades de crescimento”, afirma.
A união do dinheiro da casa com o caixa da empresa é outro obstáculo identificado no comércio temporário. A recomendação é o uso de contas bancárias separadas para monitorar a entrada de recursos e o pagamento de fornecedores.
“O ideal é separar completamente as contas. O dinheiro das vendas deve entrar em uma conta específica do negócio e todas as despesas precisam ser registradas. Só assim o empreendedor consegue saber se está ganhando dinheiro ou apenas movimentando recursos”, orienta.
Balanço do primeiro semestre
O encerramento do mês de junho serve como prazo para empresas de micro e pequeno porte revisarem planilhas, estoques e margens de ganho.
“Junho é um excelente momento para fazer um balanço. O empresário precisa analisar custos, despesas, margem de lucro, fluxo de caixa e projeções para os próximos meses. Muitas empresas descobrem tarde demais que estão faturando bem, mas sem gerar lucro suficiente para sustentar o crescimento”, destaca.
A organização dos dados financeiros neste período prepara o comércio para o planejamento das vendas da segunda metade do ano.
“Quem aproveita esse período para organizar as finanças, corrigir erros e planejar o segundo semestre sai na frente. Gestão financeira não é apenas uma obrigação contábil, mas uma ferramenta de crescimento”, conclui.
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