PM cria tropa de elite para combater o crime organizado
Impedir o avanço de facções e prender suas lideranças estão entre os objetivos da nova Companhia de Operações Especiais
Policiais altamente treinados, com uma disciplina extrema e preparados para atuar em qualquer situação. Trata-se da Companhia Independente de Operações Especiais e Combate ao Crime Organizado (Cioe), a tropa de elite da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES), criada para combater o crime organizado.
Segundo o comandante-geral da PMES, coronel Ríodo Rubim, a Companhia surge no cenário nacional em que tem havido o avanço do crime organizado.
“O tráfico quer ampliar seu domínio e se organiza em células, como o Primeiro Comando de Vitória (PCV) e o Terceiro Comando Puro (TCP). O objetivo é não deixar facção se criar no Estado”, frisa.
O comandante-geral não faz exatamente uma comparação, mas admite que a tropa especializada é treinada para funcionar como o Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM capixaba, como existe no Rio de Janeiro e foi mostrado no filme “Tropa de Elite”.
Ríodo Rubim destaca que, a partir de outubro, com a formatura de 500 novos soldados, o Cioe vai receber mais integrantes.
“É o embrião de uma unidade que será maior no futuro. E aumentar o poderio da Cioe hoje é muito importante”, destaca.
O crime organizado envolve atividades desde a venda de drogas e armas, mas está inserido em serviços de internet, venda de água e gás, e em redes de combustíveis, como explica o major Schenerocke, comandante da Cioe.
“É feita a busca da asfixia financeira em todos os ramos de atuação do crime organizado”.
Entre as estratégias, estão evitar o avanço do crime organizado, prender lideranças e evitar que o Estado perca o controle territorial, por exemplo, por meio de ações que criminosos tentam impor: cobranças de valores para o comércio funcionar e a imposição de leis próprias.
Segundo o major, a Companhia é uma medida preventiva e repressiva para evitar o ganho de território das facções.
“É um projeto do governo do Estado, acompanhando um projeto nacional. No Espírito Santo, há facções, mas, diferentemente de outras unidades da federação, aqui as facções não têm o controle territorial, pois há a manutenção da soberania do Estado”, afirma.
Saiba Mais
“Bope” da PM Capixaba
- A Companhia Independente de Operações Especiais e Combate ao Crime Organizado (Cioe) foi criada pelo governo do Espírito Santo no dia 6 de maio deste ano.
- Em um primeiro momento, a Cioe nasceu da Companhia de Operações Especiais, que pertenceu ao Batalhão de Missões Especiais (BME), que era composta por “Caveiras”, militares com formação realizada no Estado, semelhante ao Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM do Rio de Janeiro, mostrado no filme Tropa de Elite.
- Além de policiais com o curso de Ações Táticas Especiais, explosivistas, negociadores e snipers.
- Em um segundo momento, foram selecionados policiais militares que se destacam acima da média em suas unidades de área.
- É uma medida preventiva e repressiva para evitar o ganho de território das facções.
Características
- Para fazer parte da Cioe, o policial precisa ter controle emocional, preparo físico acima da média, índole e honestidade.
- São policiais bem treinados, com equipamentos diferenciados, como fuzis israelenses e pistolas austríacas.
Pelotões
- O Pelotão de Ações Táticas atua com os snipers, explosivistas, negociadores e equipe de intervenção tática.
- O Pelotão de Ações de Comando trabalha com captura de indivíduos de alta periculosidade de operações rurais, operações urbanas e combate sistemático ao crime organizado.
Atuação
- Os policiais são preparados para ocorrências de alta complexidade. O treinamento é diário e constante.
- A companhia atua quando outras alternativas da segurança pública forem esgotadas, em qualquer ambiente e em qualquer circunstância.
- Somente a Cioe atende ocorrências que envolvam explosivos, sequestros e tentativas de suicídio.
Integração
- A Cioe vem para complementar o que já vem sendo feito pelas forças de segurança.
- E o combate ao crime organizado soma-se a uma rede de órgãos da segurança pública, cada um de acordo com a sua especificidade.
Ações conjuntas
- Atua em conjunto com a Polícia Civil do Espírito Santo, Ministério Público do Espírito Santo e com a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Espírito Santo (Ficco/ES).
- A Ficco é uma força-tarefa que reúne, além da PM, a Polícia Civil e Ministério Público, a Polícia Federal, que faz a coordenação, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Penal e Guardas Municipais dos municípios da Grande Vitória.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários