Copa do Mundo, petiscos e equilíbrio na medida certa
Com pequenas trocas na mesa e atenção ao álcool e à hidratação, é possível torcer, confraternizar e manter o cuidado com a saúde
Gabriela Rebello
Gabriela Rebello é nutricionista, especialista em saúde feminina, estética, nutrição esportiva e comportamento alimentar. Colunista de A Tribuna, professora e coordenadora do curso de Nutrição em instituição de ensino superior, integra o quadro de nutricionistas do Hospital Albert Einstein na Grande Vitória, unindo ciência, prática clínica e cuidado humano.
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Com a aproximação da Copa do Mundo, cresce também a animação dos brasileiros para reunir amigos, família, vestir a camisa do time e transformar os jogos em momentos de confraternização. E junto com a empolgação, quase sempre vem outra tradição: a mesa cheia de petiscos. Salgadinhos, frituras, refrigerantes, embutidos, doces e bebidas alcoólicas costumam ganhar espaço nesses encontros.
E é justamente aí que muita gente entra no famoso pensamento do “hoje pode tudo”. Mas será que aproveitar os jogos precisa realmente significar exagerar? A verdade é que não.
E talvez esse seja um dos maiores aprendizados quando falamos sobre alimentação saudável: equilíbrio não é restrição. É consciência. O problema não está em comer um petisco ou brindar durante um jogo importante. O problema está no excesso frequente e na ideia de que momentos de lazer precisam obrigatoriamente vir acompanhados de descontrole.
Muitos alimentos ultraprocessados consumidos nesses encontros possuem excesso de sódio, gorduras de baixa qualidade, açúcar e aditivos químicos.
Quando consumidos em excesso, podem contribuir para aumento da pressão arterial, retenção de líquidos, desconfortos intestinais, piora do sono e maior risco de doenças como obesidade e diabetes ao longo do tempo.
E existe outro detalhe importante: normalmente ninguém exagera apenas em um jogo. Durante a Copa, os encontros costumam se repetir várias vezes ao longo das semanas.
Mas a boa notícia é que pequenas trocas já fazem muita diferença sem tirar o prazer do momento. Em vez de grandes quantidades de salgadinhos industrializados, dá para incluir pipoca de panela, milho cozido, espetinhos, sanduíches naturais, pastas caseiras, tábuas de frutas e petiscos preparados de forma mais simples.
Até a tradicional tábua para assistir ao jogo pode ficar mais equilibrada com opções como queijo branco, castanhas, tomate cereja e frutas.
Outro ponto que merece atenção é o consumo de bebidas alcoólicas. Durante os jogos, muitas pessoas acabam bebendo mais do que percebem.
E o excesso de álcool não impacta apenas o fígado. Ele também interfere no sono, na hidratação, aumenta inflamação, piora retenção de líquidos e pode favorecer exageros alimentares.
Sem contar aquele clássico arrependimento do dia seguinte. Porque a vida continua normalmente depois do jogo. Tem trabalho, rotina, compromissos e um corpo que sente os excessos.
Por isso, algumas estratégias simples ajudam muito. Intercalar bebida alcoólica com água, evitar beber de estômago vazio e respeitar seus limites faz diferença não apenas para a saúde, mas também para aproveitar melhor o momento.
A hidratação também merece atenção especial. Muitas vezes, dor de cabeça, indisposição e sensação de cansaço no dia seguinte estão mais relacionadas à desidratação do que propriamente à comida.
E talvez o mais importante seja lembrar que alimentação saudável não deve afastar ninguém dos momentos felizes da vida. Você não precisa escolher entre cuidar da saúde ou aproveitar a Copa. É possível fazer os dois.
Curta os jogos, torça, reúna pessoas que você gosta, aproveite os sabores e a experiência. Mas faça isso com equilíbrio e consciência. Porque saúde não é sobre perfeição. É sobre conseguir viver a vida real sem abandonar o cuidado consigo mesmo.
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Saúde não é moda, é construção diária. Nesta coluna semanal, você vai entender como alimentação, comportamento, emoções e estilo de vida impactam seu corpo e sua mente. Reflexões práticas, ciência aplicada e estratégias reais para viver com mais equilíbrio, energia e consciência.