Mulher presa por se passar por criança de 12 anos em SC foi abrigada no Recife
Antes de enganar família em Joinville, Amanda Maria passou por três unidades na capital pernambucana; dados revelam histórico de 15 anos de farsas
A mulher de 38 anos presa em Joinville (SC) após fingir ser uma adolescente de 12 anos possui histórico recente de passagem pela rede de assistência social do Recife. Amanda Maria Souza de Oliveira, que completou nova idade na última quarta-feira (10), esteve na capital pernambucana em julho de 2023, onde passou por três locais de acolhimento diferentes utilizando nomes falsos. O caso já havia repercutido após a descoberta de que ela repete a mesma farsa por mais de 15 anos em vários estados do país.
A Secretaria de Assistência Social e Combate à Fome (SAS) do Recife confirmou os atendimentos após o cruzamento de dados da rede municipal. Na época, as equipes técnicas chegaram a registrar um boletim de ocorrência na polícia civil local devido às contradições apresentadas pela suspeita.
Transferência para abrigo de menores
O primeiro contato em solo pernambucano ocorreu por meio do Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS). Amanda foi localizada e aceitou o direcionamento para o Abrigo Noturno Irmã Dulce dos Pobres no dia 21 de julho de 2023. No cadastro de entrada, ela afirmou se chamar Gabrielly Souza de Oliveira e declarou ter apenas 12 anos.
A suposta menoridade acionou o protocolo de proteção de infância da cidade. O Conselho Tutelar do Recife foi chamado para acompanhar o caso e determinou a transferência imediata da mulher para a Casa de Acolhida Raio de Luz, uma unidade voltada estritamente para menores de idade.
Durante a permanência com as crianças, o setor técnico desconfiou das informações prestadas. Amanda foi levada para a delegacia de plantão, prestou depoimento e acabou liberada logo em seguida pelas autoridades policiais.
“Foram identificadas inconsistências nas informações prestadas. O caso foi encaminhado à delegacia competente, onde foi registrado boletim de ocorrência. Após os procedimentos cabíveis, ela foi liberada”, diz um trecho de uma nota divulgada pela secretaria.
Comportamento infantilizado e fuga
Dez dias após o registro policial, em julho, a mulher reapareceu no Centro POP José Pedro, equipamento voltado para a população adulta em situação de vulnerabilidade. Na triagem com o setor de psicologia, Amanda mudou o relato: disse que tinha 18 anos, mas continuou a usar documentos falsos.
“Durante o atendimento, chamou a atenção da equipe técnica por apresentar voz infantilizada, trejeitos compatíveis com alguém mais jovem e comportamento que indicava possível ocultação de informações pessoais”, acrescentou o comunicado.
Os funcionários desconfiaram da postura, consultaram o sistema socioassistencial e confirmaram que se tratava da mesma pessoa que havia passado pela rede de proteção infantil semanas antes.
Após ter a farsa descoberta pelos servidores do Recife, Amanda permaneceu por algumas horas no pátio do Centro POP e fugiu do local por iniciativa própria. Meses depois, o mesmo padrão de comportamento resultou na prisão da suspeita em Santa Catarina.
A farsa que resultou em prisão em Joinville
O mesmo padrão de comportamento foi utilizado por Amanda para enganar uma moradora em Joinville, no Norte de Santa Catarina. Adotando visual infantil e comportamento de criança, ela convenceu a vítima de que era uma menor de 12 anos em situação de violência e conseguiu acolhimento solidário na residência da família.
Para comover as vítimas e prolongar sua permanência, ela utilizava recursos físicos impressionantes, como o uso de chupetas, mamadeiras e a simulação de automutilação (espetar agulhas no próprio corpo) para fingir que havia sido torturada antes de ser acolhida.
A farsa na cidade catarinense ruiu após uma pessoa da família notar contradições no comportamento diário. A Polícia Civil de Santa Catarina interveio, descobriu a real identidade da mulher de 38 anos e efetuou a prisão em flagrante.
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