Procura cresce, deixa proteína mais cara e whey já falta nos EUA
Brasil é o quarto maior consumidor mundial do suplemento, e alta da procura pode elevar preços e aumentar risco de adulteração
A corrida global por alimentos ricos em proteína começa a pressionar a oferta do nutriente que vem do soro do leite, o whey protein, principal matéria-prima na fabricação de suplementos, barras nutricionais e uma série de produtos industrializados.
Nos Estados Unidos, fornecedores já relatam falta de estoque e aumentos expressivos de preços, cenário que pode chegar ao consumidor nos próximos meses.
A demanda tem sido impulsionada pela estratégia de grandes fabricantes de alimentos de adicionar proteína a produtos tradicionalmente associados a outras categorias, como waffles, salgadinhos, bebidas, sobremesas e cafés.
O movimento ampliou o consumo de whey protein em ritmo superior à capacidade de fornecimento da indústria.
Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), alguns fornecedores já venderam toda a produção disponível para 2025.
O concentrado de whey protein com alto teor proteico registrou alta superior a 40% nos últimos meses no país norte-americano, enquanto fabricantes relatam reajustes ainda maiores em contratos de fornecimento.
O Brasil deve ser um dos principais países afetados. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (Abiad), o País é o quarto maior consumidor de whey protein no mundo, movimentando cerca de R$ 6,4 bilhões em 2023, com projeções de alcançar R$ 10,8 bilhões até 2028.
O cenário acende um alerta para toda a cadeia de suplementos alimentares. Com a matéria-prima mais cara e escassa, a tendência é de repasse gradual dos custos ao consumidor.
O impacto pode atingir desde suplementos esportivos até alimentos enriquecidos com proteína, segmento que registra forte crescimento no Brasil e no exterior.
Especialistas do setor também alertam para um efeito colateral comum em períodos de alta demanda e oferta restrita: o aumento do risco de adulteração e falsificação de produtos.
A valorização do whey protein pode estimular práticas irregulares, como a substituição parcial do ingrediente por compostos de menor qualidade ou a comercialização de produtos sem a composição informada nos rótulos.
Os números
- R$ 400 preço a que chega o quilo do whey
- R$ 10,8 bi vai movimentar o whey no País
Alerta para aumento em falsificações e irregularidades
A explosão no consumo do whey e o risco de escassez do produto acende alerta para o aumento de falsificações disponíveis nas prateleiras dos mercados, principalmente os digitais.
Em novembro, as plataformas Amazon, Magazine Luiza, Mercado Livre e Shopee chegaram a ser notificadas pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) para que revisem anúncios de venda de suplementos alimentares de uma marca popular.
De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 65% dos produtos apresentam irregularidades, como subdosagem de proteína e excesso de carboidratos. A Anvisa alerta também para a presença de impurezas e fraude em rótulos, como diferenças entre as quantidades de ingredientes informadas e as que o produto oferece de fato.
Segundo a Anvisa, entre janeiro de 2020 e agosto de 2025, foram recebidas aproximadamente 5.000 queixas técnicas e denúncias sobre alimentos. Dentre as categorias envolvidas, 63% diziam respeito a suplementos alimentares.
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