Efeito de nova caneta para perder peso é semelhante à bariátrica
Medicamento mostrou em estudo potencial para reduzir até 28% do peso corporal. Venda, porém, ainda não foi autorizada
Após a popularização de canetas emagrecedoras, como Ozempic e Mounjaro, uma nova substância desponta como aposta promissora no combate à obesidade.
Um estudo publicado aponta que a retatrutida demonstrou potencial para reduzir até 28% do peso corporal. O resultado é semelhante ao de cirurgias bariátricas.
A pesquisa – que contou com a participação de 980 pacientes – foi publicada no último sábado na revista científica Lancet.
Por enquanto, a retatrutida – da farmacêutica Eli Lilly – não está no mercado, já que ainda estava em fase de estudos e não foi avaliada por nenhuma agência reguladora do mundo.
A presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional Espírito Santo, Maria Amélia Sobreira Gomes Julião, explicou que a grande inovação da retatrutida é que ela é uma molécula “tripla”.
“Nós a chamamos cientificamente de triplo agonista. Isso significa que, além de atuar imitando dois hormônios do nosso corpo que já conhecíamos – o GIP e GLP-1 –, ela adiciona um terceiro elemento: o glucagon”.
E continuou: “Imagine que o nosso metabolismo é um motor. As medicações atuais atuam controlando o combustível e tirando o pé do acelerador da fome. A retatrutida faz isso, mas, graças ao glucagon, ela também ajuda a otimizar o gasto energético desse motor”.
Segundo ela, o glucagon atua diretamente no tecido adiposo e no fígado, melhorando de forma muito expressiva a quebra de gordura e o controle do açúcar e dos lipídios no sangue.
A endocrinologista Lusanere Cruz pontuou que os efeitos apontados pelas pesquisas são muito próximos à bariátrica, com perda de 30% do peso. “No entanto, sem dúvida precisa de acompanhamento médico para resultados duradouros”.
A endocrinologista e delegada da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) no Estado, Mariana Guerra, fez um alerta para substâncias que têm sido vendidas ilegalmente como retatrutida.
“A retatrutida está em fase 3 de estudos. A droga não está liberada para ser vendida em nenhum lugar do mundo. Então não se sabe o que realmente tem nas canetas que têm sido vendidas. Há riscos de contaminação e até de uso de outros produtos que podem até trazer prejuízo para a saúde do usuário”.
Saiba mais
Retatrutida
É um medicamento em fase avançada de testes clínicos (fase 3), desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly. Ainda não está no mercado em lugar nenhum do mundo.
Ela é apontada como uma evolução das atuais canetas emagrecedoras (como o Ozempic e o Mounjaro).
Diferente de outros medicamentos já no mercado, que atuam simulando um ou dois hormônios produzidos pelo organismo, a retatrutida age como um “agonista” triplo.
Ou seja, ela simula a ação de três hormônios: GLP-1, GIP – já presentes nas outras canetas – além do Glucagon – que ajuda a aumentar o gasto energético e a queima de gordura.
Alguns resultados
Pesquisa
Foi publicada na revista científica Lancet no último sábado, mostrando resultados do uso da retatrutida.
Foram analisados No estudo 930 adultos com diabetes tipo 2, que receberam doses semanais do medicamento ou placebo por até 80 semanas.
A pesquisa reforça dados que a farmacêutica Eli Lilly vinha divulgando.
Redução de peso
Pacientes que tomaram a dose mais alta perderam, em média, 28,3% do peso — mais de quatro vezes o resultado do grupo placebo.
Mais de 65% desses pacientes deixaram de se enquadrar nos critérios de obesidade pelo IMC.
A queda no nível de açúcar no sangue também foi mais que o dobro da observada no grupo controle.
Outras doenças
Em pacientes com obesidade, a retatrutida reduziu em 60,6% a gravidade da apneia do sono — distúrbio em que a respiração para e recomeça durante a noite.
O medicamento também reduziu em até 73,1% a dor causada pela osteoartrite no joelho, doença que desgasta as articulações e afeta milhões de brasileiros.
Quando chega ao mercado?
Ainda não há prazo. A divulgação do estudo consolida a fase 3 da pesquisa – última etapa de testes em larga escala antes de a medicação ser submetida à avaliação dos órgãos reguladores.
Geralmente, a indústria farmacêutica organiza toda a documentação para dar entrada nos pedidos de aprovação regulatória. Agências como o FDA (americana) e a Anvisa (brasileira) devem levar algum tempo ainda para avaliar.
Até lá, médicos recomendam o uso para quem tem indicação das medicações já no mercado.
Fonte: Pesquisa A Tribuna e especialistas consultados.
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