Pernambuco vai monitorar e instalar chips em 50 tubarões a partir de julho
Veja como será a captura doS animais e o processo de implantes e os possíveis resultados
Após mais de uma década de interrupção, o monitoramento científico de tubarões será retomado no litoral de Pernambuco. A partir de julho, pesquisadores vão iniciar a captura e a marcação de 50 animais na Região Metropolitana do Recife (RMR). A medida foi detalhada nesta quinta-feira (4), durante a reunião extraordinária do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), realizada no auditório do Parque Estadual Dois Irmãos, na Zona Norte da capital.
A convocação do comitê ocorreu em caráter de urgência após dois incidentes recentes na costa pernambucana. No domingo (31), uma criança de 11 anos foi atingida na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. No dia seguinte, segunda-feira (1º), uma jovem de 19 anos sofreu uma investida na praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Os ataques mobilizaram a cúpula de segurança e meio ambiente do Estado para acelerar a liberação de verbas de pesquisa e prevenção. As duas vítimas, inclusive, receberam alta da UTI nesta quinta-feira (4), mas continuam internadas no Hospital da Restauração.
Neste ano, ocorreram 4 incidentes com tubarões, o que não aconteciam desde 2023.
De acordo com Danise Alves, secretária executiva do Cemit, o resultado final do edital para o financiamento do projeto saiu no dia 14 de maio, data em que o termo de outorga também foi assinado. O governo estadual projeta a liberação dos recursos financeiros para este mês de junho, permitindo que as equipes iniciem o trabalho de campo em julho.
Como os pesquisadores vão capturar e rastrear os animais
O trabalho de monitoramento receberá um aporte de R$ 1.052.000,00 por meio do projeto Ecotuba, coordenado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). A operação científica vai mapear os padrões de deslocamento e a biologia das espécies envolvidas nos incidentes na costa.
O protocolo de acompanhamento seguirá etapas rigorosas:
Rede acústica subaquática: Antes de iniciar a pesca dos tubarões, os cientistas vão instalar receptores acústicos no fundo do mar, em pontos estratégicos do litoral. Esses aparelhos registram a passagem de qualquer animal chipado.
Pesca em alto-mar: As capturas serão feitas por equipes especializadas utilizando espinhéis (linhas de pesca com vários anzóis) instalados em águas profundas, longe da área de banhistas. Os locais exatos dependem de estudos conjuntos entre a UFRPE e o Cemit, priorizando zonas de alimentação e reprodução.
Exames a bordo: Ao subirem na embarcação científica, os tubarões passam por medição, identificação de espécie e coletas de sangue e tecido. Os biólogos farão exames de saúde, testes de contaminantes ambientais e ultrassonografias nas fêmeas para checar períodos de gestação.
Implante de microchip: Cada tubarão receberá um transmissor eletrônico do tamanho de uma pilha pequena, inserido por uma incisão rápida na região abdominal. O chip possui uma identidade própria. Sempre que o animal passar perto de um receptor no fundo do mar, o sistema grava a data, a hora e o local exato da passagem.
Todo o procedimento no barco é feito de forma ágil para reduzir o estresse biológico do animal antes de sua soltura no mar. "O procedimento dura cerca de 15 minutos. Esse processo se chama biomonitoramento, porque serão coletados sangue, tecido e, caso seja fêmea, será feito ultrassom para saber se estão grávidas. A partir daí, a gente vai identificar se aquela área é de reprodução", afirmou Danise.
Reforço no salvamento e R$ 8,3 milhões em investimentos
Além da pesquisa científica, o Cemit apresentou um balanço das ações preventivas do Governo de Pernambuco, que somam mais de R$ 8,3 milhões em investimentos direcionados à segurança aquática desde 2023.
O montante foi utilizado na modernização da capacidade operacional do Corpo de Bombeiros Militar. A corporação adquiriu novas motos aquáticas, botes infláveis de salvamento, reboques para transporte náutico, micro-ônibus operacionais e drones para monitoramento aéreo das praias. O Estado também realizou a instalação e substituição de 150 placas de alerta de risco ao longo da faixa de areia.
Educação ambiental nas praias durante as férias de julho
A estratégia do Estado prevê a intensificação das campanhas educativas com a chegada do período de chuvas e das férias escolares de julho, época em que as águas ficam mais turvas e o fluxo de banhistas aumenta. As ações fazem parte do Plano de Educação Ambiental para Segurança Aquática e Prevenção de Incidentes com Tubarões em Pernambuco (PEAST-PE), que conta com uma rede de 60 educadores ambientais.
“"Essas atividades acontecem desde 2023, a partir do lançamento do PEAST e da criação da Rede de Educadores Ambientais, com mais de 60 atores participantes. O objetivo é intensificar as atividades educacionais durante esse período chuvoso e em julho, mês de férias, quando a água fica mais turva e há mais pessoas utilizando as praias", Danise Alves, secretária executiva do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes
Entre os projetos de conscientização está o "Sextou com Sustentabilidade", criado em 2025 pela atual gestão pública. Biólogos e técnicos visitam escolas públicas e privadas para debater a convivência harmônica com o ecossistema marinho de forma lúdica. A partir de julho, o programa ganhará um formato específico voltado para as praias da Região Metropolitana durante os finais de semana.
Criado oficialmente pelo Decreto estadual nº 26.729, de 17 de maio de 2004, o Cemit é presidido pela Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha. O comitê concentra suas ações de fiscalização e pesquisa em um raio de 33 quilômetros de extensão costeira, que compreende o trecho entre a praia do Farol, em Olinda, e a praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho.
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