Feminicida que afrontou juiz é novamente condenado e tem 20 anos a mais na pena
Réu já cumpre pena de 29 anos pelo assassinato da ex-companheira. Julgamento dessa vez foi por uma tentativa de feminicídio também contra a ex-esposa
Jorge Bezerra da Silva foi condenado a mais 20 anos de prisão, dessa vez por tentativa de feminicídio contra a ex-companheira Priscilla Monnick Laurindo da Silva. O crime ocorreu em abril de 2021, nove meses antes de o réu assassinar a mesma vítima. Esta é a segunda condenação de Jorge, que já cumpre pena de 29 anos e 8 meses pelo homicídio consumado de Priscilla. Cabe recurso da nova decisão.
O julgamento pelo júri popular foi realizado nesta quarta-feira (3) pela 3ª Vara do Tribunal do Júri da Capital e concluído às 16h47, segundo o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). O réu foi considerado culpado por tentativa de homicídio qualificado, com as agravantes de motivo torpe, recurso que impossibilitou a defesa da vítima e contexto de violência doméstica e familiar.
Durante a sessão de hoje, o réu encarou a família de Priscilla, que estava presente no tribunal, e proferiu ameaças contra a irmã da vítima, que presenciou o crime. A juíza Danielle Cristine Silva Melo determinou então que o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) apure o fato e avalie providências, incluindo a transferência do preso para uma unidade de segurança máxima. Atualmente, ele está detido na Penitenciária de Tacaimbó, no Agreste do estado. No julgamento anterior, dia 25 de julho do ano passado, o feminicida debochou da pena que recebeu (29 anos e 8 meses) desrespeitou o juiz e ainda disse em voz alta que iria mandar matar a ex-cunhada.
Histórico dos crimes e descumprimento de medida protetiva
A tentativa de feminicídio julgada nesta quarta-feira aconteceu no dia 10 de abril de 2021. À época, a vítima possuía uma medida protetiva contra o acusado, que utilizava tornozeleira eletrônica. O réu violou o monitoramento, quebrou o equipamento e atacou a ex-companheira a facadas na casa da mãe dela, no momento em que ela segurava a filha recém-nascida do casal. A criança sofreu arranhões leves porque a mãe protegeu o bebê com a mão.
O promotor de acusação, Bruno Santacatharina, informou que o ataque foi interrompido porque a irmã da vítima, então adolescente, começou a gritar por socorro, fazendo com que o agressor fugisse. O representante do MPPE ressaltou que o réu já havia feito ameaças anteriores à família durante as audiências de instrução.
Nove meses após o primeiro atentado, em janeiro de 2022, Priscilla Monnick foi assassinada na residência onde morava, no bairro do Zumbi, na Zona Oeste do Recife. Na ocasião, o homem a esfaqueou no pescoço e a asfixiou por não aceitar o término do relacionamento, crime pelo qual foi condenado em julho do ano passado por homicídio qualificado por meio cruel e motivação de gênero.
Comentários