Lula associa tarifaço dos EUA a Flávio Bolsonaro e o chama de traidor da pátria
Presidente criticou proposta de tarifa de 25% sobre produtos do Brasil e relacionou medida a movimento do senador nos EUA
O presidente Lula (PT) lamentou a decisão do governo Donald Trump de propor um novo tarifaço de 25% sobre bens importados do Brasil e acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu provável adversário nas eleições de outubro, de agir como um traidor da pátria.
"Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele. São na verdade vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores", disse Lula nesta terça-feira (2) em Catalão (GO).
Em discurso, o presidente destacou as negociações que o Executivo tem mantido com o governo Donald Trump desde o ano passado e afirmou que a proposta de um novo tarifaço acontece dias depois de Flávio Bolsonaro ter se reunido com Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA.
Na sequência, chamou a família de Jair Bolsonaro (PL) de "família metralha", referiu-se aos filhos do ex-presidente como "os meninos do Bolsonaro" e os acusou de atuar contra os interesses nacionais. Disse ainda que Flávio "foi pedir arrego" a Trump em uma tentativa de prejudicá-lo para as eleições.
"Imbecil. Ele não sabe que não vai prejudicar o Lula, ele vai prejudicar o povo brasileiro, vai prejudicar os empresários brasileiros, vai prejudicar o agronegócio", afirmou.
Nesta terça-feira, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que pediu "expressamente" para que Trump não aplicasse uma tarifa sobre as empresas brasileiras.
Lula, por sua vez, lembrou que o filho do ex-presidente celebrou o tarifaço sobre produtos brasileiros adotado no ano passado. "No dia 9 de julho de 2025, no dia que o Trump nos puniu, ele disse: 'Obrigado Trump, faça o Brasil livre de novo.'"
Em seguida, voltou a fustigar Flávio Bolsonaro: "Esse cidadão hoje aparece na imprensa dizendo 'eu não falei nada'. Todo covarde é assim, fala a merda que fala, depois não tem coragem de assumir o que fala e fica tentando mentir."
A proposta de um novo tarifaço acontece após o governo Trump concluir a investigação da seção 301 contra o Brasil. A investigação acontece por meio do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), que apontou práticas comerciais injustas do Brasil.
Agora, o USTR vai abrir uma consulta para que o setor privado comente os resultados antes da elaboração do relatório definitivo, que precisa ser publicado até 15 de julho. A decisão sobre aplicação ou não cabe ao presidente dos EUA, Donald Trump.
Mesmo que preliminar, a decisão negativa para o Brasil acontece na esteira da decisão dos EUA de designar CV e PCC como terroristas e reforça a pressão do governo republicano sobre o governo Lula.
Em Goiás, Lula participou das inaugurações do novo campus do Instituto Federal Goiano e do Hospital Universitário da Universidade Federal de Catalão.
O QUE É A SEÇÃO 301?
A Seção 301 faz parte da Lei de Comércio dos EUA de 1974 e autoriza o USTR (Escritório de Comércio da Casa Branca) a investigar práticas consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano.
A legislação permite que o governo dos EUA adote medidas de retaliação, tarifárias ou não tarifárias, contra países acusados de manter práticas consideradas injustificadas ou discriminatórias.
Diferentemente do tarifaço, a Seção 301 tem respaldo jurídico mais consolidado nos Estados Unidos, e punições adotadas com base nela teriam menos chances de serem revertidas judicialmente.
A DECISÃO JÁ É DEFINITIVA? QUAIS OS PRÓXIMOS PASSOS?
O próximo passo do Escritório de Comércio da Casa Branca é abrir uma consulta para que o setor privado comente os resultados antes da elaboração do relatório definitivo, que precisa ser publicado até 15 de julho. A decisão sobre aplicação ou não cabe ao presidente dos EUA, Donald Trump.
QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS ALVOS DOS EUA?
A investigação foi aberta contra o Brasil em julho de 2025 para apurar práticas do país em áreas como serviços de pagamento, com o Pix na mira, comércio eletrônico, tecnologia, tarifas de importação e desmatamento. O Brasil também passou a ser alvo de outra ação do USTR, iniciada neste ano, para avaliar se produtos fabricados com trabalho forçado estão entrando no mercado americano.
A investigação de 2025 argumenta que o Brasil pode estar prejudicando a competitividade de empresas americanas ao retaliar plataformas de redes sociais por não removerem determinados conteúdos políticos e ao restringir a capacidade dessas companhias de oferecer serviços. O documento também cita deficiências em práticas anticorrupção, problemas relacionados à propriedade intelectual, barreiras ao acesso ao mercado de etanol, desmatamento ilegal e suposta discriminação contra americanos no comércio.
QUAIS SETORES SÃO MAIS AFETADOS
O governo calcula que as novas tarifas vão atingir 21% das exportações nacionais aos americanos. Segundo o ministro, 25% dos produtos brasileiros enviados aos EUA já enfrentam sobretaxas com base na seção 232, que atinge aço, alumínio e autopeças. Outros 54% estão livres das tarifas.
Segundo o economista Sergio Vale, da consultoria MB Associados, os principais produtos afetados serão máquinas e equipamentos, madeira e manufaturados e produtos elétricos, como transformadores.
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