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TRIBUNA LIVRE

Junho Violeta: o combate à violência contra a pessoa idosa

Campanha Junho Violeta reforça a importância de combater a violência e garantir dignidade à população idosa

Juliana Pimentel | 02/06/2026, 12:59 h | Atualizado em 02/06/2026, 12:59
Tribuna Livre

Leitores do Jornal A Tribuna


          Imagem ilustrativa da imagem Junho Violeta: o combate à violência contra a pessoa idosa
Juliana Pimentel é advogada, especialista em Dir. Previdenciário |  Foto: Divulgação

Este mês é marcado pela campanha Junho Violeta, uma mobilização internacional dedicada à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a pessoa idosa. A iniciativa tem como marco o dia 15 de junho, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o “Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa”.

Mais do que uma data simbólica, a campanha busca sensibilizar a sociedade sobre a necessidade de garantir dignidade, respeito e proteção a uma parcela da população que cresce de forma acelerada em todo o mundo.

O envelhecimento populacional é realidade. Com maior expectativa de vida, torna-se cada vez mais importante o fortalecimento de políticas públicas e ações voltadas à promoção dos direitos dos idosos. Porém, apesar dos avanços, muitos ainda enfrentam situações de violência que permanecem invisíveis aos olhos da sociedade.

A violência contra a pessoa idosa pode ocorrer de diversas formas. Ela não se limita às agressões físicas, mas à violência psicológica, caracterizada por humilhações, ameaças e isolamento; violência financeira, que envolve a apropriação indevida de aposentadorias, pensões e seus bens; a negligência, quando lhes são negados os cuidados básicos de saúde, alimentação e higiene; afora o abandono e outras formas de desrespeito, que comprometem a qualidade de vida e a autonomia dos idosos.

Em muitos casos, a violência ocorre no próprio ambiente familiar, sendo praticada por pessoas próximas, tornando a denúncia mais difícil. O medo, a dependência emocional e/ou financeira, além do receio de prejudicar familiares leva muitas vítimas ao silêncio. Por isso, a participação da sociedade é fundamental para identificar sinais de abuso e na premissa de assegurar que os direitos do idoso sejam respeitados.

Entre os indícios que podem indicar situações de violência estão mudanças repentinas de comportamento, isolamento social, tristeza constante, falta de cuidados pessoais, lesões sem explicação e movimentações financeiras incomuns. A atenção de vizinhos, amigos, profissionais da saúde e assistência social pode fazer a diferença na proteção dessas pessoas.

O Estatuto da Pessoa Idosa assegura direitos relacionados à saúde, convivência familiar, transporte, assistência social e proteção contra violência, discriminação ou negligência. Mas a efetivação desses direitos depende do compromisso coletivo de combater preconceitos e fortalecer uma cultura de valorização do envelhecimento.

O Junho Violeta também convida à reflexão sobre o etarismo, uma forma de discriminação baseada na idade, e que ainda se manifesta em atitudes, discursos e práticas que menosprezam, diminuem ou excluem idosos. Respeitar o envelhecimento significa reconhecer a experiência, a história e a contribuição que cada indivíduo oferece à sociedade.

Promover o cuidado, inclusão e respeito é responsabilidade de todos. Nesse Junho Violeta, a mensagem é clara: envelhecer com dignidade é um direito. Combater a violência contra o idoso é dever coletivo e compromisso com uma sociedade mais humana, justa e solidária.

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