Médicos apontam sinais do câncer que afetou jornalista Chico Pinheiro
Chico Pinheiro revelou estar em tratamento contra o câncer de intestino. Fadiga, sangramentos e dor abdominal são alertas
O jornalista Chico Pinheiro, de 72 anos, revelou recentemente que está em tratamento contra um câncer de intestino, também conhecido como câncer colorretal ou câncer de cólon. A doença é considerada uma das mais comuns entre homens e mulheres no Brasil, mas especialistas alertam que ela pode ser evitada e tem altas chances de cura quando descoberta precocemente.
Entre os principais sinais de alerta estão alterações na consistência das fezes ou nos hábitos intestinais, sangramento nas fezes, sensação de que o intestino não se esvazia completamente, dor abdominal, perda de peso e fadiga.
No entanto, segundo o oncologista Fernando Zamprogno, da Rede Meridional, o principal ponto de atenção é justamente não esperar os sintomas aparecerem, já que o câncer de intestino pode ser prevenido por meio do rastreamento regular.
“Homens e mulheres devem fazer a colonoscopia a partir dos 45 anos, repetindo o exame a cada cinco anos. Eu não devo esperar sintomas, porque quando eles aparecem, a doença já está estabelecida e pode estar avançada”, explicou o oncologista.
De acordo com o médico, a colonoscopia permite identificar e retirar pólipos antes que eles evoluam para câncer. Quando o diagnóstico ocorre cedo, as chances de cura ultrapassam 90%.
Os fatores de risco para o câncer colorretal se dividem em dois grupos: os modificáveis, ligados principalmente ao estilo de vida, e os não modificáveis, relacionados à idade e à predisposição genética.
Entre os fatores modificáveis estão a obesidade, o sedentarismo, a alimentação rica em carnes processadas, gordura e açúcar, além do tabagismo e do consumo excessivo de álcool. Já entre os não modificáveis figuram a idade avançada, o histórico familiar da doença e as doenças inflamatórias intestinais crônicas.
A oncologista clínica da Oncomédica, Juliana Alvarenga, explicou que pessoas com casos da doença na família precisam ficar mais atentas. “A história familiar de câncer colorretal ou adenomas avançados, especialmente em parentes de primeiro grau, pode indicar predisposição genética ou compartilhamento de fatores ambientais”, afirmou.
Doença no intestino pode aumentar risco de Alzheimer
O aumento dos casos de doenças intestinais e dos hábitos de vida considerados pouco saudáveis tem preocupado especialistas não apenas pelo risco de câncer colorretal, mas também pela possível relação com doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.
Uma pesquisa publicada na revista científica Science Advances analisou 155 doenças ligadas aos sistemas digestivo e metabólico e identificou associação entre essas condições e um maior risco de desenvolver demências.
O alerta ganha força diante do crescimento do câncer de intestino, um dos mais comuns entre homens e mulheres e ligado a fatores como a obesidade, o sedentarismo, a alimentação inadequada e as inflamações intestinais.
Segundo o gastroenterologista Áureo Paoliello, do Instituto Capixaba do Aparelho Digestivo, o intestino possui uma microbiota — conjunto de bactérias responsável pelo equilíbrio do organismo — que influencia diretamente a saúde cerebral.
“Quando essa microbiota está desequilibrada, o que chamamos de disbiose, podem surgir consequências intestinais e também a distância, como no cérebro”, explicou.
O especialista afirma que existe uma conexão entre intestino e cérebro, conhecida como eixo cérebro-intestino, responsável pela transmissão de estímulos neurológicos e inflamatórios.
“Os estímulos inflamatórios gerados pela disbiose conseguem atravessar a barreira de proteção do cérebro”, destacou.
Segundo o médico, hábitos ligados ao aumento do risco de câncer de intestino também podem favorecer alterações relacionadas ao Alzheimer.
“Evitar produtos industrializados e manter uma alimentação saudável ajudam a reduzir inflamações intestinais e a preservar a microbiota”, afirmou.
Saiba Mais
Como diferenciar sintomas de problemas simples?
O ponto-chave é observar persistência e mudança no padrão habitual. Diferentemente de problemas comuns, como uma virose ou constipação ocasional, os sintomas não melhoram com o tempo ou voltam com frequência.
Sinais de alerta incluem:
- Alteração no hábito intestinal que dura semanas;
- Presença de sangue nas fezes;
- Fadiga;
- Dor abdominal frequente;
- Sensação de evacuação incompleta;
- Perda de peso sem explicação.
Fatores de risco
- Os especialistas explicam que os fatores de risco para o câncer de intestino se dividem em dois grupos: modificáveis e não modificáveis.
- Os modificáveis são aqueles relacionados principalmente ao estilo de vida e que podem ser evitados com mudanças de hábitos, como a obesidade, sedentarismo, alimentação rica em carnes processadas, gordura e açúcar, baixo consumo de fibras, consumo frequente de alimentos ultraprocessados e tabagismo;
- Os não modificáveis são fatores ligados à idade, à predisposição genética e a condições do próprio organismo.
Prevenção
- A principal forma de prevenção do câncer colorretal é o rastreamento por colonoscopia. A recomendação é que homens e mulheres façam o exame a partir dos 45 anos, repetindo a avaliação a cada cinco anos, mesmo sem sintomas.
- Além disso, os médicos orientam manter alimentação equilibrada, consumir mais frutas, verduras e fibras, evitar ultraprocessados, praticar atividade física regularmente, controlar o peso e não fumar.
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