PM desmantela “Big Brother” do crime e prende três na Zona Sul do Recife
Operação Ponto Cego III retira 43 câmeras clandestinas usadas por facções para monitorar passos da polícia em quatro bairros
O braço armado do Estado cortou parte das linhas do monitoramento paralelo que sufocava o ir e vir na Zona Sul do Recife. Policiais militares do 19º BPM deflagraram, nesta última quinta-feira (28), a terceira fase da Operação Ponto Cego. A investida mirou um complexo sistema de vigilância clandestina instalado por facções criminosas. A corporação divulgou o balanço oficial das ações nesta sexta-feira (29).
Vinte e quatro horas antes, o cenário era de caça aos olhos eletrônicos do crime. Técnicos de colete e capacete da Neoenergia usavam ganchos nos postes da rede para desmontar o Big Brother do crime sob proteção da PM. Ao todo, a força-tarefa recolheu 43 câmeras fixadas ilegalmente no topo de postes, marquises e pontos estratégicos das comunidades da Cohab, Ibura, Jordão e Imbiribeira.
A fiação exposta e os equipamentos eletrônicos apreendidos foram identificados com os nomes de ruas e avenidas escritos à caneta piloto no próprio. O mapeamento minucioso dos locais de apreensão revelava o funcionamento de uma central de inteligência rudimentar, mas eficaz, cujo objetivo era antecipar a chegada de viaturas e vigiar a rotina dos moradores.
As lentes apontadas para os acessos das comunidades funcionavam como uma blindagem digital para o tráfico de drogas local.
Além do apagão provocado na rede de vigilância dos criminosos, os policiais fecharam o cerco por terra. Três homens acabaram presos em flagrante durante as incursões. Com eles, os militares apreenderam uma pistola calibre .380, um revólver calibre .38, munições de diversos calibres, 27 sacos plásticos do tipo ziplock contendo maconha, 73 pinos cheios de cocaína e um aparelho celular.
Todo o material recolhido e os três suspeitos foram encaminhados para a Delegacia de Polícia Civil de Boa Viagem, onde o caso foi registrado.
O controle invisível das comunidades
A instalação de câmeras por organizações criminosas redesenha a dinâmica de poder nas periferias do Recife. O mecanismo substitui a figura tradicional do "olheiro" — o jovem posicionado nas esquinas para alertar sobre a chegada de rivais ou da polícia — por uma vigilância automatizada de alta precisão.
Esse controle tecnológico cria um estado de vigilância permanente sobre a população civil. O monitoramento de postes de iluminação pública não serve apenas como escudo contra o aparato de segurança pública, mas consolida o domínio territorial de facções, constrange o cotidiano dos moradores e impõe um código de conduta silencioso nas áreas periféricas.
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