Vendas de canetas para perder peso aumentam 77% no País
Vendas de canetas antiobesidade tiveram crescimento de 77% em um período de dois anos, e contraceptivos aumentaram 2,5%
Durante décadas, os anticoncepcionais transformaram o planejamento familiar e a vida de milhões de mulheres. Agora, outro fenômeno farmacêutico ganha força, só que dessa vez atinge homens e mulheres.
Em meio ao avanço da obesidade e do sobrepeso — afetando quase metade da população brasileira —, as canetas antiobesidade, entre 2023 e 2025, tiveram um crescimento em vendas de 77%, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fornecidos à reportagem.
Mas vale lembrar que o Mounjaro só chegou ao mercado brasileiro em maio do ano passado.
Esse crescimento em vendas foi 31 vezes maior que o dos anticoncepcionais nos últimos três anos.
Para a Novo Nordisk, que produz o Ozempic e Wegovy, o crescimento não foi uma surpresa para a indústria farmacêutica, mas sim uma tendência que já vinha sendo observada globalmente.
“Nos últimos anos, houve inovações também na forma de administração, com soluções de fácil aplicação, pensadas para o uso no dia a dia e com alta aceitação pelos pacientes. As canetas injetáveis e a semaglutida oral (comprimidos) refletem esse avanço, ao combinarem tecnologia, praticidade e adesão ao tratamento, sempre com prescrição e acompanhamento médico”, informou por nota.
Segundo Nelson Mussolini, presidente-executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma) existe um crescimento muito expressivo dessa nova classe terapêutica, impulsionado por uma demanda real, por evidências clínicas relevantes e também por um debate social intenso em torno da obesidade.
“Medicamento não pode ser tratado como fenômeno de consumo. E esse é o ponto central. As canetas têm potencial importante para a saúde pública, desde que usadas com prescrição, acompanhamento médico, produto registrado e controle sanitário rigoroso.”
Para Mussolini, a indústria farmacêutica vê esse movimento com atenção, mas também com responsabilidade. “Inovação só cumpre seu papel quando chega ao paciente com segurança, qualidade e informação adequada”.
Na avaliação da Interfarma, conforme informou por nota, “o aumento da visibilidade desses tratamentos nos últimos anos tem diferentes explicações, incluindo sucesso terapêutico de análogos de GLP-1, como tirzepatida e semaglutida, maior conhecimento sobre as opções terapêuticas disponíveis, ampliação do debate público sobre saúde metabólica e intensa repercussão nas redes sociais e na mídia”.
Alguns medicamentos à base de GLP-1 disponíveis no Brasil
Ozempic e Wegovy
Semaglutida
Ambos medicamentos são da Novo Nordisk. O Ozempic é um dos medicamentos mais conhecidos atualmente. É indicado oficialmente para diabetes tipo 2, embora também seja amplamente utilizado para perda de peso. O valor médio varia entre R$ 975 e R$ 1.400 por mês, dependendo da dosagem.
Wegovy é a mesma molécula do Ozempic, mas com doses maiores e indicação específica para obesidade e sobrepeso associado a comorbidades. O preço costuma variar entre R$ 899 e R$ 2.600 mensais.
Mounjaro
Tirzepatida
Da Eli Lilly, é considerado uma das principais novidades do mercado — chegou ao Brasil em maio de 2025. O Mounjaro age em dois hormônios ao mesmo tempo: GLP-1 e GIP. Isso potencializa o controle glicêmico e a perda de peso.
No Brasil, ele foi aprovado inicialmente para diabetes tipo 2, mas em junho recebeu indicação, pela Anvisa, para perda de peso devido aos resultados expressivos de emagrecimento observados em estudos.
Os valores médios variam entre R$ 1.422,52 e R$ 3.599 por mês, dependendo da dose.
Saxenda e Victoza liraglutida
O Saxenda foi uma das primeiras canetas voltadas especificamente para obesidade aprovadas no País. Valor médio de três canetas a partir de R$ 900.
Já a Victoza tem a mesma substância do Saxenda, mas com indicação para diabetes tipo 2. O valor médio de duas canetas é a partir de R$ 600.
A liraglutida, da Novo Nordisk, age aumentando a saciedade e diminuindo a fome, mas exige aplicação diária, diferentemente das medicações semanais mais recentes.
Rybelsus
Semaglutida oral
Embora não seja caneta, o Rybelsus merece destaque por ser a primeira versão oral da semaglutida aprovada no Brasil. Da Novo Nordisk, é indicado para diabetes tipo 2, também auxilia na perda de peso. O valor médio fica entre R$ 575 e R$ 2.700.
Poviztra
Semaglutida
Para tratamento da obesidade ou sobrepeso, a medicação é uma parceria entre a Novo Nordisk e a Eurofarma. Valor médio a partir de R$ 299,50 no programa ao paciente da Eurofarma.
Olire e Lirux
Liraglutida
Olire, indicado para tratamento de obesidade e sobrepeso com comorbidades; e Lirux, indicado para diabetes tipo 2; ambos reproduzem o GLP-1, e são os primeiros medicamentos nacionais à base de liraglutida, sendo da EMS. Chegaram ao mercado brasileiro em agosto de 2025,sendo de aplicação diária, com valor médio de R$ 95.
Receita médica
Desde junho do ano passado as receitas dos medicamentos agonistas GLP-1, como Ozempic, Mounjaro e Wegovy, entre outros, devem ser retidas pelas farmácias.
A norma que determinou a alteração (IN 360/2025) foi publicada pela Anvisa em abril de 2025 e teve prazo de 60 dias para entrada em vigor. A decisão da Agência teve como objetivo proteger a saúde da população brasileira, visto que foi observado um número elevado de eventos adversos relacionados ao uso desses medicamentos fora das indicações aprovadas.
A prescrição médica tem de ser feita em duas vias, e a venda só pode ocorrer com a retenção da receita na farmácia ou drogaria, assim como acontece com os antibióticos. A validade das receitas é de até 90 dias a partir da data de emissão.
Nota explicativa
Os dados usados na reportagem consideram apenas os medicamentos à base de GLP-1 vendidos em farmácias. Não são considerados dados de produtos irregulares, como manipulados em larga escala e nem de importados do Paraguai.
Saiba mais
Vendas
Embora os anticoncepcionais tenham um volume muito superior de vendas, os medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, apresentam um crescimento acelerado nos últimos anos.
GLP-1
Ano - Quantidade vendida
- 2023 - 4.682.033
- 2024 - 5.661.930
- 2025 - 8.317.741
77,6% foi o crescimento das vendas de GLP-1 entre 2023 e 2025.
Anticoncepcionais
Ano - Quantidade vendida
- 2023 - 176.702.392
- 2024 - 174.579.566
- 2025 - 181.169.886
2,5% foi o crescimento das vendas de anticoncepcionais entre 2023 e 2025.
Comparação direta
Enquanto os anticoncepcionais tiveram um mercado praticamente estável, os medicamentos à base de GLP-1 registraram crescimento explosivo.
GLP-1: +77,6%
Anticoncepcionais: +2,5%
O crescimento das canetas foi cerca de 31 vezes maior que o dos anticoncepcionais no período analisado de 2023 e 2025
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