Defesa Civil interdita 17 imóveis após incêndio destruir lojas no Centro do Recife
Balanço aponta isolamento nas ruas de Santa Rita, do Nogueira e Padre Muniz; bombeiros utilizaram 270 mil litros de água no combate às chamas
Com colaboração de Carlos Simões
A Secretaria Executiva de Defesa Civil do Recife atualizou, nesta segunda-feira (25), o balanço dos danos causados pelo incêndio de grandes proporções no bairro de São José, área central da cidade. Após o encerramento do trabalho do Corpo de Bombeiros, engenheiros do órgão vistoriaram a área e determinaram a interdição de 17 imóveis. O perímetro de isolamento por risco estrutural abrange trechos das ruas de Santa Rita, do Nogueira e Padre Muniz. Apenas a loja de número 151 recebeu liberação para reabrir a partir de terça-feira (26).
Com o apoio de imagens de drone, as equipes identificaram sete imóveis diretamente afetados pelo fogo que começou na madrugada do último sábado (23). O secretário executivo de Defesa Civil, Cássio Sinomar, explicou os procedimentos técnicos no local.
"A gente tem ruas aqui que vão estar limitadas porque temos paredes estruturais com risco de cair. Precisamos eliminar todo esse risco para poder liberar toda a área para o transeunte e para o fluxo de carros", declarou.
Os proprietários das lojas situadas no lado oposto da via, atingidas indiretamente, receberam autorização para retirar materiais de forma monitorada, acompanhados por técnicos da prefeitura. Os relatórios com as recomendações finais serão entregues aos responsáveis ainda hoje.
Bombeiros controlam focos de fumaça
O Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco atuou no combate externo devido à velocidade de propagação das labaredas. Tetos de seis estabelecimentos desabaram parcialmente durante o sinistro. No domingo (24), as equipes retornaram ao quadrilátero comercial para conter um novo foco. Na manhã desta segunda-feira, ainda havia fumaça saindo dos escombros, mas a corporação garantiu a extinção do perigo.
A operação mobilizou 51 militares, 11 viaturas, plataforma de altura e suporte de drones. A tenente Valquíria Silva detalhou as dificuldades da ação em estruturas antigas. "Havia um comprometimento avançado da estrutura, chama bastante elevada e alta concentração de fumaça. Adotamos a técnica de combate externo. O material era altamente inflamável e a proximidade entre as lojas favoreceu a irradiação do calor", afirmou a militar. A corporação utilizou 270 mil litros de água no combate.
Comerciantes relatam perda total
Três das sete lojas atingidas diretamente foram completamente destruídas pelo fogo. Por ter ocorrido de madrugada, nenhum funcionário ou pedestre ficou ferido. O cenário na Rua de Santa Rita é de ferragens retorcidas, cinzas e fachadas destruídas. Os proprietários dos estabelecimentos acompanham o trabalho das equipes de engenharia na calçada.
A comerciante Patrícia Santos, proprietária de um armarinho que operava há 30 anos no mesmo endereço, relatou a destruição do estoque de toalhas e armarinhos. "O estrago foi muito grande, a loja foi perda total. Foi tudo queimado, não se tem mais nada. É começar novamente do zero", disse.
O vizinho do estabelecimento, Edmilson Silva, guardava mercadorias como colheres de pau, cadarços, pentes, facas, bijuterias e meias em um depósito afetado. Pelas imagens aéreas, ele constatou a perda do patrimônio. "Destruiu tudo. Tudo perdido. Agora é valer dos parceiros e trabalhar, pegar o que tem e se reinventar", afirmou.
Investigação e canais de atendimento
A Polícia Civil de Pernambuco deve investigar as causas do sinistro. Comerciantes locais relataram que o fogo começou após uma telha atingir a fiação de um poste localizado atrás dos imóveis, gerando um curto-circuito que atingiu o toldo de uma das lojas e se espalhou com o vento. A perícia técnica vai determinar oficialmente o ponto de origem e os fatores do incêndio. O bairro de São José abriga imóveis históricos protegidos, e a Defesa Civil avalia o impacto arquitetônico na área do entorno.
O Centro do Recife registra o terceiro incêndio comercial de grande impacto nos últimos dois anos. Em outubro de 2024, o fogo destruiu estabelecimentos na Rua das Calçadas. Em 2025, a mesma via comercial voltou a registrar chamas em lojas de confecções e variedades.
A Defesa Civil do Recife orienta a população a acionar o órgão em caso de emergências pelos telefones gratuitos 0800-0813400 e 3036-4873, ou por meio do aplicativo Conecta Recife. O atendimento funciona 24 horas por dia.
Veja vídeos de @cuca.drone
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