O aroma que vem do Agreste e do Sertão ocupa o Dona Lindu neste fim de semana
Com expectativa de 5 mil pessoas, Pernambuco Café Show celebra a produção especial do estado com oficinas e feira de negócios
O cheiro de café passado na hora vai tomar conta do ar na orla de Boa Viagem. Começa nesta sexta-feira (22) e segue até o domingo (24) a 2ª edição do Pernambuco Café Show, no Parque Dona Lindu, na Zona Sul do Recife. O encontro celebra o Dia Nacional do Café e transforma o espaço cultural em um grande salão de sabores, onde o público pode circular entre xícaras fumegantes, moedores em funcionamento e mesas cheias de conversa. Com entrada gratuita, o festival deve reunir cerca de 5 mil visitantes e 30 expositores, com a meta de movimentar R$ 1 milhão em negócios.
A estrutura do parque vai abrigar produtores com as mãos calejadas pela colheita, baristas que dominam o tempo exato da extração e os apaixonados pela bebida. A programação é vasta: palestras, workshops, degustações guiadas e experiências sensoriais que ensinam a notar a diferença entre o café tradicional do dia a dia e os grãos especiais, cheios de notas frutadas e florais.
Do pé à xícara: a força do interior no Recife
Quem caminhar pelos estandes vai encontrar histórias que vêm direto do topo das serras pernambucanas. O evento reúne, de forma direta e indireta, 30 produtores locais vindos de cooperativas de nove municípios. O público vai poder provar e entender o que faz o grão cultivado na altitude de Triunfo, no Sertão, e de Taquaritinga do Norte, no Agreste, ser tão diferente. Essas duas regiões, inclusive, estão em pleno processo de construção de sua "denominação de origem" — uma espécie de selo de identidade do solo e do clima —, em uma parceria que envolve a organização do festival, o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e o Sebrae Pernambuco.
Além de quem planta, quem transforma o grão também marca presença. Dez empresas de torrefação mostram como o calor controlado muda a cor, o estalo e o sabor do café antes de ele virar bebida. O festival funciona como uma engrenagem viva da economia:
Produção: Conecta a agricultura familiar ao consumidor final.
Mercado: Reúne torrefadores, donos de cafeterias e marcas de maquinário.
Futuro: Estimula contratos e parcerias comerciais a curto e longo prazo.
Mestres da torra e lançamentos literários
Para além do paladar, o festival mexe com os olhos e os ouvidos. O público vai poder acompanhar de perto os competidores da Copa Nordeste de Torra Kaleido, onde profissionais disputam quem alcança o ponto perfeito do grão na máquina. Na Arena Café Show, oficinas práticas vão ensinar o cidadão comum a melhorar o preparo do cafezinho em casa. A arte também ganha espaço com a Exposição Internacional de Artes com Café e com as imagens do fotógrafo Filipe Ramos, que registrou os rostos e os hábitos dos chamados coffee lovers.
Grandes nomes do setor circulam pelos debates. Entre os convidados estão Edgard Bressani, autor do Guia do Barista; Juscelino Bourbon, um dos criadores do filtro de cerâmica pernambucano Koar; e Bruna Porto, juíza da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA). A ciência do grão será defendida pelos pesquisadores Jerônimo Borel, Suzana Pedroza e Tatiana Porto, das universidades federais UFRPE, Univasf e Ufape. O jornalista Romoaldo de Souza também assume o microfone para contar causos e mitos que rondam a bebida no Brasil.
Um dos momentos mais aguardados é o pré-lançamento do livro Cafés de Pernambuco, escrito pelo especialista Alan Cavalcanti, que também idealizou o festival e fundou o Malakoff Café. A obra faz um resgate dos últimos dez anos de evolução do mercado local.
“Quando idealizamos o festival, pensamos em criar um espaço de conexão para toda a cadeia produtiva do café em Pernambuco. Hoje, conseguimos reunir produtores, pesquisadores, profissionais, cafeterias e apaixonados por café em um único ambiente de troca, conhecimento e fortalecimento do setor” Alan Cavalcanti, Autor do livro Cafés de Pernambuco
O valor do grão sombreado no mercado nacional
Atrás de cada xícara existe um mercado em expansão. O segmento de cafés especiais — aqueles que passam por critérios rigorosos de qualidade, cultivados à sombra e de forma orgânica — virou o grande trunfo de Pernambuco. Esses grãos alcançam preços bem mais altos que o café commodity (comum) e atraem compradores de fora.
Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) referentes a 2025, o Nordeste garantiu uma receita bruta de R$ 9,86 bilhões, ficando no segundo lugar entre as regiões produtoras do país. Embora a Bahia concentre a maior parte desse faturamento (99,6%, somando R$ 9,83 bilhões), Pernambuco se destaca logo em seguida, liderando os demais estados da região graças à aposta firme na qualidade e no valor agregado de suas lavouras serranas.
As inscrições para as oficinas e a programação detalhada de cada dia podem ser acessadas pelo perfil oficial no Instagram: @pernambucocafeshow.
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